SE É A MERA CURIOSIDADE QUE AQUI TE CONDUZ, DESISTE E VOLTA; SE PERSISTIRES EM CONHECER O MISTÉRIO DA EXISTÊNCIA, FAZ O TEU TESTAMENTO E DESPEDE-TE DO MUNDO DOS VIVOS.

terça-feira, 3 de maio de 2011

Teoria - Iniciação ao Hermetismo

OS ELEMENTOS


A filosofia dos Elementos é, obviamente, uma construção humana. É uma maneira com a qual nós, humanos, tentamos descrever o funcionamento do universo. Mesmo sendo uma construção humana, não se nega o fato de que ela descreve uma coisa real. Para mim, é uma descrição que funciona bem. Claro, é imperfeita e não se compara exatamente à realidade, mas uma comparação exata seria impossível.
As forças que sustentam os Elementos existem mesmo se não tentarmos descrevê-las e mesmo se não pudéssemos percebê-las.
Há duas coisas muito importantes para se manter em mente quando se trabalha com os Elementos. A primeira é que os Elementos não são os mesmos fenômenos físicos cujos nomes eles compartilham. Por exemplo, o Elemento Fogo não é a mesma coisa que o fenômeno físico do fogo. Os nomes dos elementos são derivados da “lei” da analogia. Isso significa que o Elemento Fogo possui muitas das características do fogo físico, tais como expansão, calor, brilho, e a habilidade de transformar o que toca.
Frequentemente o estudante cai na armadilha de esquematizar uma relação muito próxima entre os Elementos e seus fenômenos físicos análogos. Isso tende a obscurecer o significado profundo dos Elementos e deveria, portanto, ser evitado.
Segundo, no que diz respeito aos elementos, é o fato de que, no nosso reino físico, os Elementos nunca agem sozinhos. Todas as coisas materiais são uma combinação dos Elementos. Por exemplo, o fenômeno físico do fogo não é composto somente do Elemento Fogo. Ao invés disso, ele é composto de todos os quatro Elementos funcionando juntos (mais o quinto – Akasha). Uma coisa física pode mostrar uma predominância de um Elemento sobre os outros; mas ainda assim contém todos os quatro.
Os elementos existem em seu sentido puro e separado apenas nas distâncias mais sutis dos planos astral e mental.

OS FLUIDOS ELÉTRICO E MAGNÉTICO


Bardon não escreve muito sobre os Fluidos Elétrico e Magnético na seção de Teoria de CVA. Ele fala deles, porém, nos dez Graus e em seus outros livros, especialmente CVQ e em Perguntas e Respostas. Mas em nenhum lugar ele clara e exaustivamente define esses termos.
Provavelmente a primeira questão que surge é o que ele quer dizer por “Fluido”. Por Fluido, Bardon indica uma energia ou essência que manifesta movimento e se comporta de uma maneira similar à água. Ambos os Fluidos são coisas dinâmicas. CVA ensina o estudante a como manipular ou deter esses Fluidos, formar com eles qualquer forma desejada e impregná-los com qualquer desejo correspondente.
Esses dois Fluidos são a polaridade primeva e são efetivos em todos os planos da existência. O Fluido Elétrico é o polo positivo e expansivo e o Fluido Magnético é o oposto, um polo negativo e contrativo. Como num ímã material, esses polos não podem ser separados – eles se manifestam através da sequência contínua que os une em sua união eterna. Ambas as forças são iguais e interdependentes, e têm sido descritas em todas as culturas, de um modo ou outro. No mais alto nível, esses polos são expressados através das duas faces d’O Uno.
Os Fluidos são as raízes dos Elementos Fogo e Água. É por isso que, no curso de CVA, o estudante corresponde o Elemento Fogo ao Fluido Elétrico e o Elemento Água para o Fluido Magnético. É, de fato, difícil para o estudante diferenciar entre os Elementos primários e os Fluidos. Mas há uma diferença – é só difícil de explicar.
No que diz respeito ao Elemento Fogo, o Fluido Elétrico contém a expansão do Fogo, o calor e a luz. O Fluido Magnético é contrativo, frio e sombrio como a Água. O Fluido Magnético dá forma à força Elétrica e, em todos os lugares de nosso mundo, eles agem em união. Os Fluidos são as duas forças primevas e os Elementos são suas extensões ou modificações.
Cada um dos Elementos possui uma carga eletromagnética específica. O Elemento Fogo é predominantemente elétrico e a Água, magnética. O Ar representa um equilíbrio entre os dois Fluidos (a sequência contínua que conecta esses dois polos) – o hermafrodita perfeito, capaz de aceitar a influência dos dois Fluidos. O quarto polo do magneto quadripolar, o Elemento Terra, representa a ação combinada dessas três cargas eletromagnéticas.
Isso é frequentemente difícil para o novato compreender. Requer consideração cuidadosa para ser ver como, num nível filosófico, a combinação das partes pode, às vezes, igualar mais do que o total das partes. Nesse caso, a amplificação do efeito ocorre porque as partes que se combinam são coisas dinâmicas. Seu dinamismo as faz interativas e, juntas, elas criam algo novo que não existe no nível de suas partes independentes. Dessa forma, o Elemento Terra contém não só o equilíbrio Magnético e Elétrico do Ar, mas também as polaridades do Fogo e da Água. Juntos, eles funcionam de maneira dinâmica, rítmica e cíclica. É a combinação e a interação dessas três partes dinâmicas que causam coisas a se manifestarem solidez em cada um dos três meios ou substâncias (Mental, Astral e Físico).
O trabalho sério com os Fluidos não começa até o oitavo Grau de CVA, portanto há pouca utilidade em se listar muitas correspondências para os Fluidos aqui. Entre agora e o Grau VIII, você terá muito tempo para se tornar familiar com os Fluidos. Nesse meio tempo, aqui estão algumas notas dos próprios comentários de Bardon como ditados aos seus estudantes diretos no livro Perguntas e Respostas:
MENTAL (página 24, questão 19) – O Fluido Elétrico enche os pensamentos abstratos com puro Fluido Elétrico, calor, expansão e dinamismo. O Fluido Magnético os enche com puro Fluido Magnético e os atributos opostos. Por exemplo, o Fluido Elétrico se expressa através de suas características em força de vontade, enquanto o Fluido Magnético se expressa no antipolo da vontade, isto é, na crença manifestada, um aspecto do poder universal produtivo.
ASTRAL (página 47, questão 12) – A clarividência é uma habilidade Elétrica do corpo astral; sensitividade e psicometria são habilidades Magnéticas.
FÍSICO (página 65, questão 5) – Se estivermos sob a influência do Fluido Elétrico, então o Elemento Fogo é mais efetivo em nós. Nesse caso nos sentimos quentes, ou estamos mais ativos, trabalhamos mais diligentemente, e portanto estamos internamente saturados com o Elemento Fogo. Através da influência aumentada do Fluido Magnético, percebemos o frio; quando o Fluido Magnético se torna saturado dentro de nós, a eliminação aumenta.
(página 66, questão 6) – Na superfície do corpo humano, o Fluido Eletromagnético é efetivo ao irradiar magnetismo vital. O lado direito do corpo é (no caso de uma pessoa destra) o lado ativo ou Elétrico, enquanto o lado esquerdo do corpo é passivo ou Magnético. O oposto acontece com as pessoas canhotas.
“O Fluido Elétrico, pela sua expansão, causa elétrons irradiantes no interior de cada corpo [i.e., coisa material], que, por outro lado, são atraídos pelo Fluido Magnético da Terra. [Isso explica a “gravidade”] O Fluido Elétrico é localizado no Interior de tudo criado, portanto também no centro da Terra, enquanto o Fluido Magnético é efetivo na superfície da Terra e em tudo criado... O Fluido Elétrico produz os ácidos em todos os corpos orgânicos ou inorgânicos ou as substâncias, do ponto de vista químico ou alquímico, enquanto o Fluido Magnético é efetivo de uma maneira alcalina.”
Não é necessário dizer (mas eu vou dizer assim mesmo), os Fluidos Elétrico e Magnético não são as mesma coisa que os fenômenos físicos de eletricidade e magnetismo. Embora eles sejam analogamente relacionados, não são o mesmo. O fenômeno físico da eletricidade e do magnetismo são cada um primariamente causado por seu Fluido correspondente, mas não são puramente um ou outro Fluido – eles são compostos dos quatro Elementos com uma predominância correspondente polarizada do Fogo ou da Água.
É impossível descrever, para mim, como se sente ao acumular e projetar os Fluidos. A única maneira de conseguir esse sentimento é através da experiência direta, a chave para a qual é preciso tomar notas cuidadosas, em sua vida diária, das qualidades que eu descrevi acima e procurar por elas, especialmente ao trabalhar com os Elementos.

O “OD”

Bardon menciona “Od” rapidamente, mas não explica realmente o que ele quer dizer. Eu já ouvi várias definições do Od, mas, do que eu pressuponho pela definição de Bardon, ele se refere ao caráter do individual ou, em outras palavras, a expressão individual de sua composição Elemental particular.
O Od é primariamente Elétrico em sua natureza. Em resumo, é a energia que cada um de nós expressa através de nossos pensamentos e emoções acumulados. Num nível mental, é a nossa atitude e a qualidade / quantidade de nossas idéias, vistas por quanto elas influenciam os outros – em outras palavras, sua emanação. Em termos astrais, o Od é nosso caráter astral ou composição emocional, de novo em sua fase que emana, influenciando o que há ao nosso redor. Bem como para nosso corpo físico, o Od é a vitalidade que trazemos para a vida e expressamos através de nossas ações. Dessa forma, uma pessoa com um forte Od é geralmente extrovertida, sociável e ativa, e uma com um fraco Od é passiva e tímida.
Esses três aspectos do Od trabalham em união para produzir o Od completo.
Um lugar onde Bardon fala do Od é no livrinho Perguntas e Respostas, sob a seção Astral (página 50, questão 21). Essa questão diz respeito a métodos de cura astrais e dá uma dica importante sobre o que Bardon quer dizer por Od:
“Manipulamos essa energia vital diretamente do universo e a direcionamos no corpo astral da pessoa enferma sem passá-la pelo nosso próprio corpo. Através disso, prevenimos o enfraquecimento de nossa próxima vitalidade e ao mesmo tempo prevenimos a mistura de nosso Od (caráter) com o Od da pessoa enferma; do contrário podemos nos infectar com os atributos negativos do paciente.”
Quando Bardon fala aqui só do Od em relação à cura astral, o mesmo se aplica ao Od mental na cura mental e ao Od físico na cura física.

O MAGNETO QUADRIPOLAR

Bardon fala do magneto quadripolar nos seus livros mas, ainda, muitos leitores têm dificuldade com o conceito básico, especialmente aqueles que não são familiares com um diagrama hermético conhecido como a “Cruz das Forças Equacionadas” (CFE). O diagrama CFE é uma figura simplificada do magneto quadripolar e ajuda imensamente em sua compreensão. Por favor, leve um momento para desenhar um para seu próprio estudo (ou pelo menos o visualize com a minha descrição).
Comece desenhando um círculo com mais ou menos 7,5 cm de diâmetro. Desenhe uma linha vertical, de lado a lado, através do ponto central do círculo. Então desenhe uma linha horizontal correspondente através do ponto central. Isso deveria originar um círculo enquadrado, isto é, uma cruz dentro de um círculo.
Agora classifique os polos da cruz. Escrevendo fora do círculo, ponha “Fogo” na direita, “Água” na esquerda, “Ar” no topo e “Terra” embaixo. Dentro do círculo escreva o seguinte: em cima da linha do Fogo coloque “Quente” e, embaixo, ponha “Seco”. Em cima da linha da Água, ponha “Molhado” e, abaixo, “Frio”. Na esquerda da linha do Ar, coloque “Úmido” e, na direita, ponha “Quente”. Na esquerda da linha da Terra, coloque “Frio” e à direita “Seco”. No centro do círculo, onde suas duas linhas se cruzam, faça um grande ponto e o classifique como “Ponto de Profundidade” ou “Aethyr”.
Se quiser colorir seu CFE, você precisará de, novamente, dividir seu círculo, dessa vez, em oito partes. Reproduza seu trabalho de criar a cruz mas, dessa vez, coloque-a torta, de modo que divida cada um das quatro seções exatamente no meio. Como você verá, isso estabelece quadrantes para cada um dos elementos ao invés de só polos para eles – os quatro polos dos Elementos encontram a margem do círculo no centro de cada quadrante Elemental. Colora o quadrante da direita num vermelho brilhante para o Fogo. Colora o quadrante esquerdo na cor azul-ciano para a Água. O quadrante de cima deveria ser amarelo brilhante para o Ar, e o quadrante de baixo deveria ser ou dum marrom escuro ou dum verde-oliva escuro. [Alternativamente, você pode usar as associações de cores que Bardon lista: vermelho-Fogo; verde-azulado-Água, azul pálido e claro-Ar; e, castanho escuro, cinza, ou preto para a Terra.]
E agora, para um toque final, você pode dividir o círculo em duas metades (ao longo da linha vertical Ar-Terra), aumentando a linha central para o papel inteiro – o Fluido Elétrico na direita e o Fluido Magnético na esquerda. No lado direito de sua página, você deveria pintar a área – fora do círculo – de um vermelho brilhante (ligeiramente mais azul do que a cor que você usou para o Fogo). Similarmente, colora o lado esquerdo de sua página (de novo, fora do círculo) com uma rica cor azul (não tão brilhante ou tão verde como a que você usou para a Água).
Você pode, com o tempo, adicionar quaisquer correspondências que deseje a esse diagrama. O que ele executa admiravelmente é clarificar os modos com os quais os Elementos interagem.
A razão principal que Bardon usou para a analogia do magneto especificamente, foi para enfatizar a interação não apenas dos Elementos, mas mais importante, dos Fluidos. Como com um ímã físico, esses dois polos opostos coexistem. Eles se atraem por suas similaridades e se repelem através de suas diferenças. Essa é a mesma situação com o magneto quadripolar mas numa escala diferente.
O magneto quadripolar é composto de quarto polos ao invés de dois. Três desses polos (o predominante Elemento Fogo Elétrico, o predominante Elemento Água Magnético e o igualmente balaceado Eletromagnetismo do Elemento Ar) combinam e sua interação causa o Elemento Terra.
Alguns dizem que o Elemento Terra não é um Elemento verdadeiro por si só,mas é a interação dos três “verdadeiros” Elementos do Fogo, do Ar e da Água. Isso é só parcialmente verdade. Ele É a interação desses três Elementos, mas o fato de que esses Elementos são dinâmicos e, portanto, interagem quando combinados, resulta na criação de um fator inteiramente novo – a combinação termina resultado mais do que a soma das partes. É esse produto único da interação do Fogo, da Água e do Ar que chamamos Terra. Portanto, a Terra se manifesta como um dos polos do magneto quadripolar.
Pelos mesmos modos do pensamento filosófico, o magneto quadripolar, igual ao magneto comum bipolar, é mais do que seus polos. É também a interação acumulativa de seus polos.
No centro do magneto quadripolar se encontra o “Ponto de Profundidade” do qual Bardon fala em CVA, no Grau V e CVQ. Não é nada além que o Akasha ou Aethyr, do qual tudo se ramifica. O universo hermético é infinito e um dos mistérios concebidos pelo magneto quadripolar é o de que esse ponto central ocorre em cada “onde”, “quando”, “por que”, “o que” e “quem”, dentro desse infinito.

OS SERES DOS ELEMENTOS

No fórum de discussão online, uma questão recentemente surgiu sobre se os seres dos Elementos são metafóricos e contidos na Psique, ou se eles são entidades independentes. Essa é uma questão comum, considerando-se o quão similares aos contos de fadas os escritos sobre esses seres soam.


A verdade sobre esse assunto é que os seres dos Elementos são, em si, entidades independentes da psique humana. As suas FORMAS, porém, não são independentes da psique humana. Soa confuso?


Os seres dos Elementos existem dentro do reino astral, e, como tal, eles são vistos como tendo uma certa forma. A sua forma é simbólica, como ocorre com toda forma astral. Dessa maneira, a forma pela qual eles são percebidos varia de cultura para cultura. As culturas europeias geralmente os veem como salamandras, silfos, ondinas e gnomos, mas, por exemplo, uma cultura africana aborígine pode percebê-los como pertencentes a uma forma inteiramente diferente.


Nós, humanos, percebemos os seres astrais diferentemente, porque cada um de nós processa nossas percepções através de mentes diferentes. Contudo, isso não nega a realidade dos elementais como seres que possuem uma existência separada de nossas mentes individuais. São apenas as suas FORMAS astrais que pertencem à psique humana, não sua existência.

KARMA / CAUSA E EFEITO

É prudente para o estudante contemplar bastante e por muito tempo o tópico de causa e efeito. Essa lei é uma amiga do mago, sendo o funcionamento dessa lei o que os magos usam para moldar a sua ascensão. Por exemplo, na medida em que você trabalha para melhorar o seu caráter, você seguirá algumas práticas que farão com que suas características negativas sejam substituídas por outras mais positivas. Causa e efeito é a razão pela qual a prática torna “perfeito”.


Ainda assim, o mago enfrentará situações nas quais a causa e efeito não podem ser usados em sua vantagem. Um bom exemplo é o trabalho de cura, seja em si mesmo ou em outra pessoa. Existem algumas doenças que possuem uma raiz kármica profunda e o mago pode descobrir que não existe nada que ele/ela possa fazer para melhorar a condição de um paciente. Da mesma forma, existem certos eventos inevitáveis (obstáculos) que o mago não pode divergir devido ao fato de que eles estão profundamente enraizados no karma da pessoa. Raramente é o mago permitido a interferir no débito kármico de outros.


Leva certa quantidade de sabedoria para o mago acuradamente discernir quando ela/ele deveria se abster de agir. Isso se ganha apenas com a experiência.

PLANOS MATERIAL, ASTRAL E MENTAL

Esses planos, como a filosofia dos Elementos, são uma construção humana que busca descrever fenômenos universais. Sua maior falha, em minha opinião, é que implica reinos separados, claramente definidos. A verdade da questão é que, entretanto, o universo é um todo unificado. Não existe um ponto exato em que o plano físico cessa e o plano astral se inicia. Da mesma maneira, não existe ponto exato onde o reino astral termina e o reino mental se inicia. Os planos se inserem, com seus níveis de densidade, um dentro do outro, e todos os três se interpenetram.


Dividimos o universo entre essas três partes simplesmente porque é um modo mais fácil e mais conveniente para se compreender a sua inteireza. Como todas as construções desse tipo, é apenas uma ferramenta – ela nos dá a habilidade prática para manipularmos essas forças universais.


Uma simples regra de ouro para da qual se lembrar é que, para que uma coisa material exista, deve possuir também existência num nível astral e mental.


O reino astral existe devido à queda do reino mental na (ou em direção a) o reino material. Ele é, em sua maioria, uma fase intermediária. A substância astral se transforma rapidamente em manifestação física e é facilmente manipulada pela mente.


Em termos de nosso ser humano, nosso corpo mental corresponde a nossa consciência e ele penetra não só a nossa forma astral, mas também a material. Quando percebemos nosso corpo mental, sua forma e cor reflete nosso estado mental. Ele toma uma forma similar a nossas dimensões físicas apenas quando espalhamos nossa consciência igualmente pelo nosso corpo material.


Nosso corpo mental não sente o ambiente ao nosso redor de uma maneira similar às percepções dos nossos sentidos materiais. Os sentidos do corpo mental são meramente análogos aos sentidos materiais. Por exemplo, existe um sentido mental que compartilha algumas das características da visão física, mas a visão mental revela um universo muito diferente daquele da visão física.


Nosso corpo astral corresponde a nosso ser emocional ou personalidade e penetra nosso ser material. Quando percebemos nosso corpo astral, sua forma é muito similar ao nosso corpo físico e sua cor reflete o estado de nossa personalidade e emoções.


Os sentidos do nosso corpo astral são muito similares àqueles do nosso corpo físico, ainda que também similares àqueles do nosso corpo mental. Os sentidos astrais mediam aqueles dos corpos mental e físico.


Uma boa forma de se saber a diferença entre uma viagem astral e uma viagem mental é se qualificar o grau ao qual nossas percepções do que existe ao nosso redor equivalem àquelas da percepção física normal. Durante uma viagem astral, é possível sentir textura, calor e frio etc., e ser capaz de sentir sons, odores, e experimentar sabores. Durante uma jornada mental, porém, não existirão sensações parecidas com as físicas.


Nosso corpo físico é temporário. Ele vive por certa quantidade de tempo e então se dissolve de volta no universo e seus constituintes se dispersam. Nosso corpo astral é também temporário, mesmo que de duração mais longa daquela do nosso corpo material. Com o tempo, ele também se dissolve. Apenas o nosso corpo mental, ou espírito, é eterno. Ele descende em uma longa sucessão de formas temporárias astrais e mentais, mas não se dissolve.


Os três corpos do ser humano servem como uma analogia útil para se compreender a interação dos três reinos correspondentes. Uma das vantagens do sistema de Bardon é que ele relaciona diretamente os três reinos aos três corpos do estudante. Dessa maneira, o aspirante aprende a experimentar cada reino, primeiro sentindo o seu impacto em sua experiência pessoal. O caminho leva do intimamente pessoal ao universal.

RELIGIÃO

A questão da religião é frequentemente difícil para o estudante iniciante. Encara-se a decisão de como se combinar o ponto de vista religioso (se o estudante até tiver uma religião à qual ele/ela adere) com aquele da magia. Cada estudante deve, é claro, descobrir isso por si mesmo.


O único conselho que posso oferecer é que você mantenha uma mente aberta. Em verdade, a magia pode coincidir com qualquer religião. A magia tem, certamente, tomado muitas formas com o passar dos séculos e pode ser encontrada dentro de cada religião conhecida pela humanidade, se o indivíduo olhar com olhos educados nos rudimentos da magia.


Para o mago, a parte mais importante da religião é a sensação de devoção que ela instila no praticante. A devoção, especialmente do modo em que ela se manifesta através do ato de adoração, é uma força muito poderosa que o mago pode empregar em seu processo de ascensão espiritual.

ASCETICISMO E SEXUALIDADE


Bardon é muito claro sobre o que ele quer dizer sobre asceticismo. Basicamente, ele está falando de autodisciplina e autocontrole. Ele sempre recomenda uma abordagem equilibrada, que não entra em extremismos de qualquer espécie. No entanto, a questão sobre a abstenção de todas as formas de sexo frequentemente surge.
Enquanto muitos sistemas diferentes aconselham a abstinência do sexo como um modo de se alcançar a pureza ou de se aumentar a força de vontade etc., esse não é o caso com o sistema de Bardon. Para o mago, é evidente que uma abstinência total de algo que é inerente e natural à fisiologia humana, como o sexo, é uma forma de extremismo que produz um pouco mais do que o desequilíbrio. Podem existir ocasiões na vida do mago em que uma abstinência temporária da prática sexual é produtiva, mas isso é raro e apenas para tarefas muito específicas.


Em geral, uma sexualidade saudável é uma parte vital ao se levar uma vida saudável e bem equilibrada. Não apenas é uma função essencial do corpo, mas também uma parte essencial do bem-estar emocional do indivíduo.


Muitos magos homens praticam o que é chamado de “retenção do esperma” e reportam que isso é benéfico em muitos níveis. Essa é uma técnica simples de se colocar pressão nos tubos que carregam o sêmen e, consequentemente, bloquear a ejaculação. Isso normalmente não afeta de forma prejudicial o orgasmo masculino e, de fato, frequentemente eleva o efeito energético que o orgasmo tem sobre o corpo masculino.


Há vários anos atrás, um colega me disse que a homossexualidade se deve a um desequilíbrio do Elemento Água e que era algo que o mago deveria superar. Depois de alguma discussão, tornou-se claro que os sentimentos dele sobre a homossexualidade não tinham nada a ver com a magia, per se. O preconceito dele era devido à forma de como foi criado e aos seus próprios princípios morais e não era verdadeiramente fundamentada na filosofia dos Elementos.


Na verdade, esse aspecto da sexualidade não tem nada a ver com o equilíbrio dos elementos. A homo-, bi- e heterossexualidade são todas naturais e nenhuma não é mais ou menos saudável que a outra. Eu espero que nenhum estudante tema que a sua sexualidade específica os incapacitem de seguirem um caminho mágico.


As únicas partes importantes da sexualidade que afetam o crescimento espiritual e o avanço na magia são os seus próprios sentimentos sobre a sua própria orientação sexual e como os outros com os quais se está tendo um relacionamento sexual são tratados. Em outras palavras, são os aspectos emocional e moral da sexualidade – aquelas partes que o mago pode mudar e melhorar – que são de preocupação para a ascensão espiritual.


Voltando ao tópico principal; outras formas de asceticismo, como inanição, autoflagelação, autoprivação, e por aí vai, não são aconselháveis. Essas práticas apenas produzem o desequilíbrio. O equilíbrio é alcançado através de moderação e de controle disciplinado, e esse é o caminho recomendado por Franz Bardon.

O TEMPO

O tempo não é um assunto que Bardon discutiu na seção de “Teoria” de CVA. Mesmo assim, eu penso que é de tal importância ao estudante da magia que eu decidi dizer algumas coisas sobre ele aqui.


É difícil separar a realidade objetiva do tempo de nossa percepção subjetiva e humana dele. Ambas são de importância para o mago.


Como seres humanos materiais, vivenciamos o tempo como uma coisa que se alarga para trás e à frente de nós. Para nós, o tempo ou parece se mover à frente, ou nós parecemos nos mover adiante através do tempo. De qualquer uma das duas maneiras, percebemos o tempo como tendo um movimento de avanço.


Para manter registro desse avanço, construímos métodos elaborados de medição da passagem do tempo. Dividimos o tempo em segundos, minutos, horas, dias, semanas, meses, anos etc.


No momento em que estou escrevendo isto, são 13:10, Pacific Standard Time, no dia 3 de março de 2001. Esse fato tem relevância para a minha existência mundana porque me ajuda a me colocar em contexto quanto a minha rotina, mas, como um mago, ele tem pouca relevância pra mim.


Na magia, existe apenas um aspecto do tempo que tem verdadeira relevância, e esse é o momento presente ou o agora. As exceções a isso são quando o mago precisa separar uma duração para certo ato mágico (como quando se mantém uma cura mágica efetiva até um paciente estiver bem) ou quando se alinha certo ritual com eventos astrológicos favoráveis etc.


A essência do tempo é a mudança sequencial. O número de mudanças que ocorrem dentro de cada momento é, verdadeiramente, infinito. Não existe estase – não existe um momento em que as mudanças cessam e tudo permanece o mesmo. Esse é o ponto crucial do que diferencia a nossa percepção subjetiva do tempo da realidade objetiva do tempo.


Como seres humanos materiais, não somos capazes de percebermos o número infinito de mudanças que ocorre a cada momento. Tudo que podemos fazer é nos apercebermos de uma pequena quantidade de mudanças em um momento. Os mecanismos da percepção humana são tais que tiramos o equivalente a uma fotografia do momento presente – alterando-a para uma figura estática, imutável dos eventos – e então decodificamos a sua significância para nós. Isso acontece muito rapidamente e desenvolvemos uma cadeia dessas imagens de ação imóvel, e desse processo obtemos a impressão de movimento para frente similar àquele derivado quando assistimos a um filme feito de 24 imagens estáticas por segundo.


Isso tem o efeito de colocar-nos sempre ligeiramente fora da sincronia temporal e emocional com o tempo real ou tempo objetivo. No tempo objetivo, existe apenas uma parte – o momento presente ou o agora. Objetivamente, o Agora é eterno e num estado de mudanças que nunca cessa. Ele não tem movimento – ele apenas É.


O presente momento tem três componentes: 1) Mudança Infinita, 2) Continuidade Infinita. Isso é o que torna um momento tão similar ao que precede e ao que o segue. 3) “Agorismo”. Essa é a sensação de imediatismo inerente à nossa experiência do momento presente.


Processado pelo cérebro humano, o momento presente infinito é percebido como uma sequência de momentos finitos. Dessa forma sentimos que não existem momentos passados, momentos presentes e momentos futuros. Mas o mago deveria compreender claramente que, no nível físico de nossa existência, o passado é apenas uma função da memória, e o futuro é apenas uma função de nossa imaginação criativa. Nem o passado nem o futuro podem ser atribuídos como existentes presentemente.


Em aparente contradição a isso, falamos de uma eternidade que engloba o todo da passagem do tempo e nos preocupamos com minúcias sobre se temos ou não livre arbítrio. Digo para você que não existe contradição, ou melhor, as contradições coexistem de modo bastante confortável. Enquanto o presente momento é tudo que verdadeiramente existe dentro do reino físico, onde o tempo se envolve tão intimamente com o espaço, nas partes mais efêmeras do reino não físico, onde reina a eternidade, todo o tempo (passado, presente e futuro, igualmente) existe simultaneamente e inteiramente.


O tempo é multidimensionalmente infinito. Quando se vivencia a eternidade, a inteira infinidade multidimensional do tempo é percebida como um Agora unificado. Dessa perspectiva, o problema do livre arbítrio é irrelevante devido ao fato de que a infinidade implica a existência de opções suficientes para acomodarem o número infinito de cursos disponíveis que se podem escolher. Em outras palavras, é necessário o livre arbítrio para criar e seguir o número infinito de escolhas que preenchem a eternidade. Do ponto de vista mágico, essa é a verdade essencial por trás de muitas das teorias dos físicos sobre a ideia de que existe um número infinito de universos seguindo um número infinito de linhas temporais. A eternidade não é preenchida com possibilidade infinita; em vez disso, é preenchida com infinita realidade. Em outras palavras, todas as possibilidades são realizadas – se elas não o fossem, então a eternidade não seria verdadeiramente infinita.


O que nos impede de constantemente percebermos a eternidade através de nossa consciência normal é o fato de que, como seres humanos, somos intimamente presos à sequência. Em todos os aspectos, uma coisa se segue à outra. Uma ideia leva a outra, um efeito acompanha uma ação etc. Perceber a eternidade (ou qualquer infinidade em seu inteiro, no que diz a seu respeito) requer que se remova o seu ser para uma perspectiva não sequencial. Essa perspectiva é tão estranha à nossa existência do dia-a-dia que raramente consideramos as suas implicações, o que se diga de sua possibilidade.


O reino material é governado pelo espaço e pelo tempo. Devo dizer, porém, que é difícil separar o espaço do tempo, porque, sem o fator do tempo, o espaço não existiria.


O reino astral é a mediação entre o reino físico densamente sequencial e o aspecto não sequencial do reino mental. Dessa maneira, o reino astral não é completamente preso à substância, e, por essa razão, diz-se que o espaço não impera no astral. Isso é apenas parcialmente verdadeiro. Para o mago, isso é especialmente verdadeiro ao que se diz respeito à viagem astral e à comunicação astral com outros seres. Em outras palavras, o mago bem treinado pode viajar para qualquer espaço físico através do reino astral e comunicar-se com outro ser, não importando de onde, espacialmente, ele possa residir. O tempo (isto é, a sequência), porém, mantém rédeas curtas sobre o reino astral e, para se verdadeiramente viajar pelo tempo, o mago deve trabalhar dentro do reino mental.


O reino mental engloba não só o reino da sequência (o tempo) e o reino não sequencial (eternidade). Dentro dos alcances mais elevados do reino mental, não existe sequência e é como se pisasse fora do tempo, e se visse coisas de uma perspectiva eterna. Nos níveis inferiores do reino mental (aqueles de pensamento sequencial e de matéria física) o tempo é um fator. Apenas no nível em que o reino mental apresenta uma interseção com o reino físico o espaço se torna um fator, mas essa é uma pequena parte do reino mental geral e, dessa forma, podemos dizer que nem o tempo nem o espaço restringe a substância mental.


O estudante da magia se beneficiará muito ao analisar a natureza da percepção humana e do próprio tempo. Meditações frequentes sobre esse assunto, experimentação e leitura da literatura disponível melhorarão a compreensão do estudante.


E não se preocupe, existe muito tempo à frente...


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