SE É A MERA CURIOSIDADE QUE AQUI TE CONDUZ, DESISTE E VOLTA; SE PERSISTIRES EM CONHECER O MISTÉRIO DA EXISTÊNCIA, FAZ O TEU TESTAMENTO E DESPEDE-TE DO MUNDO DOS VIVOS.

quinta-feira, 15 de abril de 2010

O MENOR É O MAIS PODEROSO


Na via de realização pessoal que este manual propõe, a afirmação do título nos indica pôr especial atendimento a tudo aquilo que passa despercebido, mas que no entanto tem uma enorme importância quando se trata de conhecer a causa e a origem das coisas. Numerosas expressões tradicionais fincam pé na superioridade do poder do pequeno, sutil e invisível, sobre o visível, grosseiro e grande. “Semelhante é o Reino dos Céus a um grão de mostarda, que tomando-o um homem o semeou em seu campo (em si mesmo), o qual é a menor de todas as sementes, mas quando se desenvolveu é maior de todas as hortaliças e se faz uma árvore, de maneira que vêm as aves do céu (símbolo dos estados superiores) e aninham em seus ramos” (Mateus, XIII, 31-32).

Igualmente todos nossos gestos, o que somos e seremos, estavam já contidos, em potência, na célula seminal que nos engendrou e nos deu a vida. Estas proporções entre o pequeno e o grande não são só quantitativas, senão qualitativas, e obedecem às leis da analogia, que nos faz conhecer a idéia do Todo por uma de suas partes. Mas aqui falamos melhor das relações hierárquicas entre o Princípio e sua manifestação, que aparecem invertidas quando passamos da ordem celeste, ou espiritual, ao terrestre ou corporal, tendo sempre presente que o primeiro é causa do segundo. O maior no Céu é o menor na Terra, e o maior na Terra é o menor no Céu.

O Cosmo é o desdobramento do “Ovo do Mundo”, que alberga os germes de tudo o que existe e se manifesta ciclicamente. Desta forma, o Espírito, quando se quer dar a conhecer, não o faz através do pomposo e cerimonial, nem de nada que venha do exterior, senão que o realiza por meio do silêncio interno e do inominável, como uma força que brota do mais profundo e se expande por todo nosso ser, alumiando-o interiormente e ordenando-o conforme a seu arquétipo eterno. O verdadeiramente universal, o supremo, não tem dimensões, nem está sujeito a nenhum tipo de lei terrestre e humana. Aninha oculto e secreto no coração dos seres, que sem ele careceriam de toda realidade, da mesma forma que a circunferência não existiria sem o ponto, nem a série numérica sem a Unidade aritmética. Assim, quanto mais identificados estejamos com as coisas “deste mundo” menos participaremos da comunhão salvífica no Ser. “Faz que teu ‘eu’ seja menor e limita teus desejos”. “Renuncia ao conhecimento (quantitativo e profano) e não sofrerás” (Tao Te King, XIX). “Os últimos serão os primeiros e os primeiros os últimos” (Mateus XX, 16). “O menor entre todos vocês, esse será o maior” (Lucas, IX, 48). “Se algum quer ser o primeiro, que seja o último de todos e o servidor de todos” (Marcos, IX, 35).
Interessante isso tudo, por que li esses dias no livroA PIRÂMIDE INICIÁTICA de JOAN LLARCH - ... Isto indica que o ser humano deve, a todo custo, viver na simplicidade que é fonte de bem-estar e de pureza de costumes.  Tudo que se afasta da singeleza da vida quotidiana é perigoso, porque, com seus atrativos, tenta o homem e o distancia de seus objetivos naturais. Pensa, filho da terra, que a vida se reduz à satisfação de breves exigências, como são as primordiais da subsistência. Portanto, a frugalidade no comer, segundo as exigências da vida, é uma obrigação. Ao contrário, as comilanças, os ágapes em excesso acabam castigando a natureza, e o corpo protesta com avisos que, não atendidos, significam enfermidades. Por ai se percebe que a própria natureza, em defesa do homem, mais obriga-o à abstinência do que o prejudica. O abrigo também pouco representa, pois basta uma peça de roupa adequada para proteger dos rigores do frio, ao invés de muitas e caras vestimentas, como exibem tantos, em sua vaidade e abundância, mais pelo gosto de mostrar suas riquezas do que pela necessidade do corpo. O que seria dos tesouros se fossem invisíveis e, por isso mesmo, o próximo ficasse impossibilitado de ver o que com eles foi adquirido? Ninguém se deixaria levar pela tentação da riqueza, se não pudesse fazer exibição de seu desfrute. Tampouco outros seriam vítimas da inveja, quando imaginam que a felicidade dos ricos está em sua riqueza. 
'' Por tudo quanto falei sobre o décimo nono Arcano maior, acentuo o seguinte: ele é o emblema da felicidade e da alegria, mas a fim de que tais dons enfeitem a existência do homem, este deve saber organizar-se, de maneira a conseguir o contentamento relativo e assumível nesta existência. Da mesma forma, deve ser moderado em seus desejos e permanecer sereno, tanto no êxito como no que, com frequencia e erroneamente, se considera um fracasso. Deve sentir devoção pela paz e harmonia, assim conseguindo que uma aura de amor o circunde e proteja. Não te esqueças, filho da terra, de que ninguém pode ferir-te, senão tu mesmo.

Saber a verdade, Querer o bem, Amar o belo e Fazer o que é Justo. Porque a verdade, o bem, o belo e o justo são inseparaveis, de tal forma que aquele que sabe a verdade não pode deixar de querer o bem, amá-lo porque é belo e 
fazê-lo porque é justo.

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