SE É A MERA CURIOSIDADE QUE AQUI TE CONDUZ, DESISTE E VOLTA; SE PERSISTIRES EM CONHECER O MISTÉRIO DA EXISTÊNCIA, FAZ O TEU TESTAMENTO E DESPEDE-TE DO MUNDO DOS VIVOS.
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sexta-feira, 8 de junho de 2012

Takemusu Aiki – Escritos de Morihei Ueshiba





Certamente este é o texto mais importante existente sobre o aikido pois explica a sua essencia , o Takemussu Aiki, que é divulgado pelo Instituto Takemussu e pelos Dojos que ensinam o Aikido Tradicional na forma ministrada pelo Fundador Morihei Ueshiba. Estes escritos são muito importantes, pois deixam claro o que era o Aikido para o Fundador. O Aikido moderno por várias razões tende a não dar muita importância para estas bases, que na opinião do prof. Wagner Bull, provoca grande erro, pois sem entender esta forma de pensar do Fundador, as técnicas perdem o sentido em seu significado mais profundo.

Takemusu Aiki – Escritos de Morihei Ueshiba, Fundador do Aikido 
Por Morihei Ueshiba

Fonte Aikido Journal #116 (1999)

O Aikido Journal sente-se gratificado, por publicar a primeira de uma série de escritos de Morihei Ueshiba, o Fundador do Aikido. Essas conversas foram transcritas e editadas por Hideo Takahashi do Byakko Shinkokai e originalmente publicada como Takemusu Aiki em 1976. A importância desses escritos é como uma fonte primária de um valioso material sobre como a visão espiritual de Morihei Ueshiba não pode ser sobrescrita. 

terça-feira, 20 de abril de 2010

O Diabo não é tão feio quanto se pinta – III - Zaratustra, Mithra e Baphomet


Acompanhando esta série “desvendando a origem dos demônios”, será explicado hoje sobre como surgiram os conceitos de Bem Mal, deturpados na Igreja Católica e por conseguinte nas Evangélicas e caça-níqueis afins, para providenciar um campo fértil de “nós versus eles” e permitir que agregassem melhor o gado.
E se existia um deus “do bem”, seria necessário inventar deuses “do mal” para servirem como opositores. Para entender como surgiram os demônios, precisamos entender quem eram os deuses das religiões “adversárias” (Shaitanicas).
E, de quebra, também desvendaremos os mistérios de Baphomet!

Diabo, Diabolos e Daimon
Antes de prosseguir, é necessário fazer um adendo. Muitos religiosos gostam de inventar traduções adaptadas às suas necessidades para certas palavras, normalmente de maneira tosca e grosseira, mas que dependendo da erudição com que são colocadas, acabam enganando os desavisados. Uma das favoritas dos fanáticos religiosos é relacionar DaemonDiabo ou Diabolos com “Acusador” ou “Caluniador”.
Pois bem: Daimon ou Daemon significa “gênio” ou “espírito”. São os Anjos da Guarda da mitologia católica. A palavra em grego para Daimon é “δαίμων”. Já caluniador se escreve “συκοφάντης” e acusador “Κατ’ηγορος”, ou seja, palavras BEM diferentes.

quinta-feira, 25 de fevereiro de 2010

LEMAS DO AIKIDO

TESE PARA NIDAN Faixa preta 2 grau

Auno: Sidney Coldibelli:
Mestre: Wagner Bull


LEMAS DO AIKIDO

Em quase todos os treinos dos quais participamos, ao final deles, relembramos os Lemas do Aikido conforme ensinados no Instituto Takemussu. São 14 “mandamentos” que, em tese, regem o comportamento de todo aikidoísta.

Digo em tese, pois em um recente seminário realizado em São Paulo, durante o almoço em que estávamos sentados vários companheiros de treino em volta de uma mesa, ouvi, de um aluno na época faixa branca, a seguinte pergunta:

“- Você, que é faixa preta, consegue praticar os Lemas do Aikidô no seu dia-a-dia? Eu acho muito difícil por em prática estes ensinamentos, principalmente nos dias de hoje”.
A pergunta dele não me surpreendeu, pois durante alguns anos, no começo de meus treinamentos, eu também pensava assim. Considerava que quem conseguisse por em prática aqueles 14 itens seria um santo. E eu nunca me senti como um. Tampouco tinha vontade de sê-lo.

quinta-feira, 4 de fevereiro de 2010

Aikidô...Depois das 4 Gratidões. As 4 Virtudes primárias

1 - A Virtude da Coragem;

Isso quer dizer "Brava ação'', ''compromisso de coragem'' e ''vida valorosa''. Deve-se enfrntar com bravura todos os desafios que a vida nos coloca, e combater o bom combate até o final. Devemos ser bravos o suficiente para nos engajarmos em nosso próprio sacrifício quando necessário, e admitir os erros  e assumir toda a responsabilidade por esses erros. A virtude da coragem gera a força de vontade e determinação. para se dominar qualquer arte, deve-se ter absoluta determinação a praticá-la. Nós praticamos porque é difícil, não porque é facíl. Mas, se treinarmos com afinco, sairemos triunfantes: ''Treinamento árduo leva a fácil vitória.'' No Aikido, somos ensinados a lutar nos níveis mais altos, chegando até a deixar que um oponente ataque primeiro, e normalmente não atacamos alvos mais fáceis. A pessoa que é valorosa, quer vencer de forma justa e não às custas de outros. Mestre Ueshiba dizia:

A vitória que buscamos é sobressairmos a todos os desafios e lutar até o fim, cumprindo a nossa meta. No Aikido, nunca atacamos. Se você atacar primeiro para ganhar vantagem sobre alguém, isso é prova de que o seu treinamento não foi suficiente e, na verdade, você é quem foi vencido.
A virtude da coragem é simbolizada pelo fogo, uma chama unica que não pode ser extinta.


2 - A virtude da Sabedoria;

Filósofos asiáticos encorajavam seus discípulos a desenvolver um vasto conhecimento sobre o céu e a terra '' lendo dez mil volumes e viajando dez mil milhas''. Um corolário disso é a obrigação de ''nunca parar de aprender''. Mestre Ueshiba dizia:
O universo é o nosso maior professor. Vejam a maneira como uma corrente flui em seu caminho pelo vale da montanha, suavemente transformando-se ao fluir por cima e ao redor das rochas. A sabedoria do mundo está contida em livros e, ao estudá-los. Incontáveis técnicas novas poderão ser criadas. Estude e pratique, e então reflita sobre o seu progresso. O Aikido é a arte do aprender profundo, a arte de conhecer a si mesmo.

Essa virtude é representada pelo céu, um símbolo de sabedoria vasta, que a tudo compreende.

3 - A virtude do Amor;

O termo ''filosofia'' quer dizer ''amor pela sabedoria'', e originariamente não significa descrever sistemas abstratos de pensamento. Pitágoras (que viveu por volta do século VI a.C), pai da filosofia ocidental, definiu  o filósofo como alguém que observa, reverencia e contempla a ordem, a beleza e o propósito do que está acontecendo, e busca pelo filamento dourado de sabedoria essencial que conecta tudo entre si. Quando perguntaram a Pitágoras: ''Você é sábio?'', sua resposta foi: '' Não, mas sou um amante da sabedoria.''
O amor deveria ser dirigido tanto a objetos como a idéias. O filósofo taoísta, alquimista e físico Ko Hung (que viveu por volta dos anos 284 - 364), dizia que o segredo da imortalidade era ''estender o amor a todas as coisas, até as fronteiras do universo, e ver a todos como se vê a si próprio''.
Mestre Ueshiba dizia sobre o amor:
No verdadeiro Budô, não existem inimigos. O verdadeiro Budô é a função do amor. O Caminho do Guerreiro não é a destruição e a morte, mas experimenta a vida, para continuamente criar. O amor é a divindade que pode realmente proteger-nos. Sem o amor nada prospera. Se não existir amor entre os seres humanos, será o fim de nosso mundo. O amor gera o calor e a luz que alimentam o mundo.
Na filosofia do Aikido, ''calor'' é um símbolo para compaixão, e ''luz'' significa sabedoria. A terra simboliza a realidade quente e concreta do amor.

4 - A virtude da Empatia;

Essa é a dimensão social do Aikido. A filosofia nunca existirá no vácueo, e devemos sempre nos perguntar. ''Como nossas ações afetam ao mundo em geral e a outros em particular?''. Se os ideais do Aikido não forem aplicados na esfera da relações humanas, da ecologia, da economia e na política, elas serão de pouco valor. Mestre Ueshiba dizia:
Primeiro de tudo você deve pôr a sua vida em ordem. em seguida, você deve aprender como manter um relacionamento ideal dentro de sua própria família. Depois disso, você deve lutar para melhorar as condições no seu próprio país e, finalmente, viver em harmonia com o mundo como um todo.
Madre Teresa (1910-1998) dizia sobre seus atos de compaixão: ''Nós não fazemos grandes coisas, mas pequenas coisas com grande amor.'' Quando perguntaram a ela o que deveria ser feito para se ter um progresso melhor no mundo, ela simplesmente disse: '' Cumprimente a todos com um sorriso.'' A virtude da empatia é simbolizada pela água, o elemento que constantemente nutre o mundo.
Para efeito de comparação as virtudes cardeais da filosofia grega são: A Justiça, A Prudência, A Força de Vontade  e a Moderação.
Virtudes Taoístas: Compaixão, a Frugalidade e a Modéstia.
Virtudes Budistas: a Generosidade, a Disciplina, a Perseverança, a Sabedoria, a Paciência, a Meditação, a Adaptação, a Força, a Amabilidade e a Equanimidade.
Virtudes Tântricas: o Amor, a Compaixão, a Alegria pelo sucesso dos outros e a equanimidade em relação ao seres conscientes.
Virtudes Gnósticas: os Relacionamentos pacíficos, a Reciprocidade, a Afeição e a Simpatia.
Virtude Sufista: Sinceridade para com Deus, a Severidade consigo prórpio, a Justiça para todos, a Ajuda aos idosos, a Gentileza para com os mais jovens, a Generosidade para com os pobres, dar bons conselhos aos amigos, ser tolerante com os inimigos, ser indiferente aos tolos e o respeito aos mais sábios.
Virtudes primárias das tribos indígenas norte-americanas: Altruísmo, a Paciência e o perdão.
Virtudes Cristãs: A Fé, a Esperança e a Caridade.

As ''quatro virtudes'' do Aikido nos ajudam a lidar com os ''quatro desafios'': idade avançada, doenças, morte, e estar separados das pessoas que amamos. A vida não é perfeita, não é justa, e todos nós sofremos com os efeitos da velhice, da doenças, da morte e, pior de tudo, da perda das pessoas a quem amamos. isso é uma constante universal.  Mestre Ueshiba dizia:
Todos os dias da vida humana contém alegria e ódio, dor e prazer, escuridão e luz, crescimento e decadência. A cada momento é delineado o grande plano da natureza - não se negue nem se oponha à ordem cósmica das coisas. Aguarde alegremente por cada dia e aceite o que ele lhe oferecer.
Fonte: Livro A filosofia do Aikidô

terça-feira, 2 de fevereiro de 2010

MÚSICA, DANÇA, AIKIDÔ, ASCENÇÃO

Passeando pelo blog da minha amada deusa e esposa.


E mais tarde conversando sobre, música, dança, toque feminino e demais coisas, ela me passou esse vídeo para assistir.



Graças a ela ganhei a tarde com a percepção de que a dança, música e arte marcial se confundem ou misturam para ser mais exato. Os passos no ritmo crescente da música, movimentos firmes e alinhados.


Postura, firmeza, disciplina, olhares, conduta, tudo isso dá para sentir... o crescimento e a energia de cada giro, de cada passo, uma energia forte e vibrante... tudo se encaixa, tem seu motivo ou lugar pré-definido.


A música suave é um contraste com tanta firmeza e as posturas alinhadas das dançarinas. Suas faces delicadas e ao mesmo tempo tão secas e duras se concentram em um adversário ou touro, não se perdendo aos admiradores ou platéia. As dançarinas em seus vestidos negros cortam a luz ao fundo, mostrando como podem crescer tão rapidamente em um movimento só, como um giro ou um passo. Suas mãos em meio círculos e círculos inteiros empurram e giram não só o corpo, em um balé dançante e perfeito mas, suas consciências em profunda concentração e harmonia.


No Aikidô, você sente a mesma coisa, sua consciência se liga Ao Todo, você sente e escuta a música perfeita, e seu corpo e alma entram em harmonia e sincronia com tudo a sua volta.
Cada respiração, cada pulsar, cada giro, cada movimento, cada pensamento, o mundo está transpassando você e você a ele.

HAI!!!

Obrigado Nega!

domingo, 31 de janeiro de 2010

Aikidô - Filosofia - As 4 Gratidões



Como em qualquer sistema filosófico, o Aikidô é definido por um sistema de princípios essenciais.Primeiro de tudo, o Aikidô enfatiza a importância das ''quatro gratidões'':

1- Gratidão para com o Universo;

Essa é a gratidão pelo dom da vida, um modo de ser muito preciosos e dificil de se alcançar. De acordo com as crenças budistas, a possibilidade de uma alma que transmigra achar uma vida humana é a mesma de uma tartaruga cega no grande oceano, que vem à superfície uma vez a cada cem anos, enfiar sua cabeça num buraco de um tronco de madeira que esteja passando no momento em que ela vier à superfície do mar. E, mesmo que os deuses tenham maiores chances, sua fácil existência coloca-os num estado de torpor, e somente os seres humanos podem torna-se Buda - precisa-se de um corpo para se sentir a dor de Samsara, praticar o Dharma e experimentar o Nirvana. A Gratidão por se estar vivo é supremamente importante, porque nos dá esperança. Como dizia o Mestre Ueshiba:

Santos e sábios sempre reverenciaram o que há de sagrado no céu, na terra, nas montanhas, rios, árvores e campos. Sempre existiu a consciência das grandes bençãos d natureza. Eles entenderam que é o propósito da vida tornar o mundo continuamente novo, fazer de cada dia um novo dia. Se você entende os princípios do Aikido você também agradecerá por estar vivo, e receberá cada dia como grande alegria.

Quando você reverencia o Universo, ele o reverencia de volta.
Quando você chama pelo nome de Deus, ele ecoa dentro de você.

Um escritor índio Assinibon descreveu desta maneira o ritual de gratidão particular de seu avô:

Ele nunca deixou de agradecer de manhã cedo ao sol nascente.
Ele chamava o Sol de Olho do grande Espírito. Ao meio-dia, ele parava por alguns segundos para agradecer e ser abençoado. Quando o Sol se punha, ele o observava em reverência até ele desaparecer.

2 - Gratidão para com nossos ancestrais e predecessores;

Isso significa ser grato para com as matriarcas e os patriarcas do nosso clã [família] particular, e para com todos os grandes líderes, professores, inovadores, artistas e exploradores que vieram antes de nós e criaram a cultura humana. Mesmo se nossos pais foram contra ou obstruírem nossos caminhos em nossa busca, ainda assim nós devemos agradecê-los pela dádiva do nosso corpo físico.

3 - Gratidão para com o próximo;

Não podemos viver sem a ajuda de outras pessoas. Pessoas que constroem casas, cidades e estradas; pessoas que fazem as coisas funcionarem ; pessoas que cultivam e preparam a nossa comida; pessoas que pagam nossos salários; pessoas que amam, criam e nos apóiam ; pessoas com quem brincamos e treinamos. Mestre Ueshiba disse uma vez aos seus alunos:

Na verdade - eu não tenho alunos - vocês são meus amigos, e eu aprendo com vocês. Devido ao seu treinamento vigoroso, eu cheguei até onde me encontro hoje. Serei sempre grato pelos seus esforços e cooperação. Por definição, Aikido significa cooperar com todos, cooperando com os deuses e deusas de cada religião.

4 - Gratidão para com as plantas e animais que sacrificam sua vidas por nós.

Nós existimos às custas de outros serem, no reino vegetal e animal, e devemos ser gratos por cada bocado de comida que comemos.
Em tempos passados, os índios norte-americanos caçadores nunca se esqueciam de agradecer aos animais que generosamente se deixavam matar.
Eles [os índios] se referiam às suas presas como ''amigos'', e se dirigiam a elas respeitosamente.

As quatro gratidões também podem ser entendidas como se fossem quatro dívidas: (1) nós estamos em débito com o universo pela dádiva de seu grade propósito; (2) estamos em débito com nosso ancestrais pela dádiva de nossa existência física; (3) estamos em débito com os homens e mulheres sábios do passado, pela dádiva de toda cultura humana; (4) estamos em débito com todos os seres animados pela dádiva de proporcionar o nosso sustento.
Gratidão é um antídoto poderosos contra o ressentimento que sentimos em relação aos outros e pelo mau temperamento que possuímos por guardarmos rancor. (Buda definiu uma pessoa fraca como ''alguém que não é grato e que, em sua própria mente, não tem noção de tudo de bom que lhe é proporcionado''). Pessoas agradecidas evitam a autopiedade e relutam em reclamar sobre o tamanho de seu fardo na vida. Outro aspecto da gratidão é o respeito.

Os índios norte-americanos sempre enfatizaram muito o princípio do respeito: respeito por Wakan Tanka, o Grande Espírito; respeito pela Mãe Terra; respeito pelos outros seres humanos; e respeito pela liberdade individual. No budismo, existe um ser conhecido como o ''Sempre Respeitoso Bodhisattva'', cuja única ação é curvar-se e reverenciar em gratidão a todos os que encontra , oferecendo a cada indivíduo todo o respeito simplesmente por estar vivo.


Fonte: Livro A Filosofia do Aikido

segunda-feira, 18 de janeiro de 2010

ENTREVISTA COM O PROF. WAGNER BULL

Entrevista com Prof. Wagner Bull

Por Horacio Verdur (Centro de Difusion del AIkido-Buenos Ayres).

CONVERSA COM O SENSEI WAGNER BULL

1. - O sentido da prática
2. - As Técnicas físicas e a realização pessoal
3. - As razoes que levam à praticar Aikido
4. - A Transmissão
5. - A Marcialidade e o desenvolvimento espiritual
6. - A difusão
7. - Uma Mensagem

Além disso, falamos sobre:
8. - A iluminação.
9. - A prática da meditação
10. - Aikido: o caminho do meio

O SENTIDO DA PRATICA

HV: Sensei, qual seria, segundo sua visão, a grande razão para a prática de Aikido?

S: Creio que uma forma de expressa-lo seria a seguinte: desde a antiguidade o ser humano adquiriu a racionalidade, infelizmente, essa grande conquista o desligou de sua capacidade de perceber a realidade tal como é, ou ao menos o desligou na maior parte. Sem dúvida e felizmente sempre houve entre nós pessoas nas quais essa obstrução da qual falamos não foi tão grande – esse homens às vezes são chamados de iluminados ou profetas ou budas ou santos, de acordo com a cultura na qual se desenvolveram - e eles criaram caminhos, métodos e sistemas como instrumentos para ajudar às outras pessoas a retornar a sua condição original de perceber a realidade diretamente, saindo das limitações do pensamento. O’Sensei foi uma dessas pessoas, como também Buda, Jesus Cristo, o profeta Maomé e tantos outros mestres.

Estes sistemas, por assim dizer, buscam não somente ajudar a perceber a realidade tal como existe no universo, mas também ensinam a viver de acordo com ela.

Este termo “realidade”, que estou utilizando, pode talvez ser melhor compreendido se usarmos como referencia o termo japonês “kanagara”, que significa ainda a idéia de algo que flui e se move constantemente. Se o imaginamos como um riacho ou um rio que flui enquanto lhe tiramos uma foto, então teríamos que o aqui e agora, o momento em que estamos vivendo, como uma parte da realidade que se move constantemente.

Este termo, kanagara, que reflete então um mundo (de energias ou vibrações) em constante movimento, às vezes é denominado O riacho ou rio de Deus... Kanagara.

Isso dito, tenha-se em mente o seguinte, o pensamento fundamentalmente obstrui e dificulta que o homem perceba a realidade, o que significa percebê-la tal como é, diretamente, como um rio que flui por onde passa, sem estar separado. O pensamento faz com que o homem se perceba a si mesmo como separado, fora do rio de Deus.

Então pode-se dizer que o Aikido é um desses métodos que ajudam as pessoas a perceberem diretamente a realidade, mas, e isso também é muito importante,ele também ajuda a utilizar o pensamento de tal forma que também esteja envolvido pela realidade e não fora dela, unido seria a palavra.

Quando se usa no Aikido o termo “entrar em harmonia com a natureza”, se está dizendo isso, unir-se a esse rio abraçando-o com o coração e compreendendo-o com o pensamento.

Este conceito transcende as palavras ou as idéias que se possa ter sobre ele, esta é apenas uma maneira de expressá-lo. Não há forma de abarcar este conceito em sua totalidade com palavras, por isso se diz “entrar em harmonia com a natureza” como uma forma de expressá-lo, mas ela é necessariamente incompleta.

Uma coisa interessante sobre o Aikido e que o torna atraente para mim é que não descarta nem o pensamento, nem o ego, nem a razão, e sim os inclui. Mas não como são agora, agora estas funções não estão suficientemente refinadas.

Com a prática se desenvolve uma forma muito especializada de pensamento, que é a intuição. Hoje, com qualquer um de nós, o pensamento puro e a intuição pura estão sempre em tensão, estão se chocando, e é necessário que esta tensão seja afastada para que a percepção se faça plena, por isso digo, o pensamento, agora, tal como está, não está suficientemente refinado. O pensamento comum, por si mesmo, não pode abranger nem perceber a realidade porque esta, a realidade, é sempre paradoxal, pois abarca todos os aspectos de uma coisa ou de um acontecimento ao mesmo tempo, inclusive aqueles aspectos que são ou que parecem ser opostos.

EROS E ERIS - AMOR OU GUERRA?

AMOR OU GUERRA?

Por Alfredo Tucci, Traduzido por Fernando Sanchez – Instituto Takemussu – Michi Dojo/São José dos Campos/SP

Artes Internas ou Artes Externas? Eros e Eris.

Se existe uma divisão essencial e externa nas Artes Marciais, esta vem marcada pelo seu próprio nome. De um lado o Artístico e de outro Marte. A Arte como paradigma de Eros e Marte como perfeito exemplo de Eris. Eros, o antigo Deus do Amor nasce do Caos, enquanto seu irmão Eris nasce da Guerra. Como vês, nas raízes de nossas culturas também existia em suas origens o conceito dos opostos complementares de Yin e de Yang, do mesmo modo que as tradições do oriente.

Amor e Guerra são duas forças opostas e complementares e todas as culturas participam de ambas, se bem que em determinados períodos da história dos povos a tendência tenha sido destacar mais uma que a outra.

Como forças indiferenciadas, Eros é tão necessário como Eris. Um cria, o outro destrói, para renovar assim o ciclo da vida, a evolução e a mudança seguem seu curso eternamente.

Povos como Esparta puseram maior ênfase em Eris, enquanto Athenas colocou-o em Eros, entretanto, daquela dialética surgiu uma grande cultura, da qual todos no ocidente somos devedores. A guerra tal e como diz o grande estrategista chinês Sun Tsu é um assunto de vital importância, constitue a base que determina a vida ou a morte, o caminho em direção a sobrevivência ou a aniquilação.

A guerra não é um assunto muito popular em nossos tempos nos quais o valor da vida do indivíduo cresceu muito, especialmente se olharmos para trás na história e o compararmos com o que era atribuído a ele em tempos pretéritos.

Por empatia, mais do que qualquer outra razão, nenhum de nós ama a idéia da guerra. Nem sequer o princípio que representa possuí-la, digamos assim, o que se diz uma boa impressão. Isto eventualmente deveria deixar a Eros passeando pelo Planeta, e o corno da abundância, a cultura do vinho e o mel, seriam o pão nosso de cada dia... mas, todos sabemos que não é assim.


O fiel da balança nos corações e nas mentes humanas (ao menos formalmente) se inclinam, hoje em dia, em direção à “irmã suave” antes que em direção ao irmão destruidor. Esta preferência de fato tem criado um desequilíbrio em nossas sociedades modernas. Tudo aquilo que representa a Eris, a força de repulsão, o guerreiro, é visto com desagrado e tem sido colocado de lado: a violência, a guerra, a morte... Se até o próprio inverno tem uma má impressão! O ideal humano, o paradigma do paraíso é Eros e logo se assemelha muito mais a uma ilha paradisíaca cheia de jovens felizes fazendo amor e, claro..., o verão!

As Artes Marciais devem, como um todo completo, representar em si mesmas ambos os princípios, e assim tem sido feito durante séculos, se bem e dado que tudo existe em graus, existiu com maior ou menor predominância de ambas as forças, à medida que os estilos foram se especializando.

AS ARTES SUAVES, AS ARTES DURAS.

Um hipotético cenário de origem comum (uma imagem sempre idealizada) nos falaria do mítico princípio puro no qual um perfeito equilíbrio existiria entre ambas. Uma Arte Marcial onde tanto a Arte como o Marcial tivessem sua justa parte, em que tanto os aspectos marciais representando Eris, como os artísticos em representação a Eros se expressarão e formarão parte de sua filosofia e prática.

Entretanto, com o passar do tempo se desenvolveu uma especialização diferencial, que existe, como bem sabes, entre os estilos. Existem os mais propensos enquanto a forma aos movimentos suaves e lentos; e existem os duros e rápidos. Quanto ao conteúdo: existem estilos que fixam a atenção do praticante predominantemente ao interior, enquanto outros só existem em função do oponente externo. Assim, até para o maior dos profanos existem dois tipos de Artes Marciais: as suaves ou internas e as duras e externas.

Bem é certo que tal divisão, como todas, é antes uma gama de matizes do que uma linha traçada com um pau no chão. Os diversos estilos, felizmente, e muito especialmente aqueles mais antigos, incidem em ambas partes dessa linha, ainda que a lei da predominância está implícita em cada forma de entender a Arte Marcial.





Mas permita-me aprofundar mais nesta característica diferencial para ver até onde nos podem levar e, deslocando em direção à realidade, poder compreendê-la um pouco mais. Às vezes só colocando as coisas nos extremos podemos perceber mais profundamente o que está oculto por trás dela, não é mesmo? Ninguém se sinta ofendido por uma caricatura que só nos oferecerá uma possibilidade de olhar o conjunto de nossas práticas com perspectiva.

OS ESTILOS INTERNOS E SUAS PREFERÊNCIAS. DANÇAS OU LUTAS?

Os estilos internos, tal como seus irmãos do lado oposto, atraem decididamente como praticantes aqueles que lhe são afins, que vibram em seu mesmo tom. Da mesma forma, os dos estilos predominantemente internos não teriam nenhum empecilho em declarar-se abertamente e sem nenhum pudor como amantes de “Eros”.

Os sinuosos e suaves movimentos do Tai Chi são o “queijo na ratoeira” desse homem esguio, intelectual, interessado nas Artes, amante da Paz e do silêncio, preocupado com a saúde, com as boas maneiras e pelo estado da Camada de Ozônio.

O praticante de Tai Chi (entendendo que estamos usando o Tai Chi como exemplo e descobrindo um personagem estereotipado e em certa medida falso), se sente atraído de forma inconsciente em direção a sua Arte, pois esta sem dúvida mostra sua cara mais "erótica" (Eros) num primeiro contato. Logo a prática, se bem ensinada, surpreende o adepto com suas formas de combate, o contrasta com o esforço destas posições que para serem corretas e naturalmente adotadas requerem um enorme trabalho e uma perseverança a toda prova, algo muito mais "Erítico"! Mas, não seria o primeiro caso de um mestre de Tai Chi, nem possivelmente o último que se aproximara de mim para queixar-se do muito que custa em imbuir em seus alunos o adequado espírito marcial nas suas práticas.

Faz uns dias e por mudar de estilo (não seja que se dê o caso de que eu preferi algum), gravamos um vídeo com um grupo de praticantes de Esgrima, entendendo esta no sentido amplo, quer dizer, não só Esgrima de Espada, mas também Esgrima Filipina e luta com todo tipo de armas. Sua peculiaridade reside em que suas práticas se enriqueceram pelo estudo de um material interessantíssimo vinculado a história de seu país, Itália, desde a Idade Média e especialmente durante o Renascimento onde esta Arte era amplamente praticada por todo mundo. “Nova Esgrima”, assim é chamado este grupo que tão diligentemente é dirigido por Graciano Galvani o qual sem dúvida ouvireis falar muito no futuro. Escreveu vários e interessantes tratados sobre a matéria despertando a atenção de muitos jovens universitários. O D’Artagnan que habita em cada um de nós despertou neles suas fantasias românticas. Galvani descobriu que o preciso momento em que nas suas aulas apertava o acelerador do marcial (algo por outro lado essencial em seu trabalho cotidiano) seus ilustres pupilos desertavam apavorados. É então que Galvani trabalha sua Arte de tal forma e como deve ser feito... mas, o suor, o esforço e os golpes não são românticos...

Algumas escolas de Aikido, felizmente não todas, e cada dia menos, seguem dançando em volta do Nague ao invés de aprender a desferir um ataque verdadeiro; alguns aikidokas não amam nada de Eris! Entretanto, o verdadeiro Aikido é impossível sem ele, pois tal como descreveu seu fundador, o Aikido é a unificação dos dois princípios.

OS ESTILOS EXTERNOS: A VIA DO ROBOCOP

A eficácia no combate está, sem dúvida, na origem de todas as Artes Marciais como uma básica aspiração de justa utilidade. Entretanto, o reducionismo das atuais modas no setor estão relegando muitos estilos a uma coleção de técnicas para desportivamente ou sem regra alguma, conseguir reduzir o inimigo a um pedaço de carne tal e como o expressou Groucho Marx “desprezado até nos açougues mexicanos” (e que me perdoem os amigos do México! Onde existem carnes magníficas) quase completamente entregues nos braços de Eris, as formas profissionais de combate focalizam um aspecto que, não por ser importante, deve ser excludente da pratica das Artes Marciais. As formas policiais e militares de combate poderiam confessar abertamente amantes de “Eris”, como não poderia ser de outra maneira. Entretanto, nos estilos nascidos ou recriados ao calor dos “Vale tudo” tem transformado o combatente numa patética imitação do guerreiro e inclusive da milícia. Levado ao paroxismo, esta tendência leva muitos indivíduos a entregar-se, como é bem sabido nestes círculos, ao consumo de esteróides anabolizantes que os convertem verdadeiramente em massas espetaculares de carne, tremendos “robocops” cuja função não parece ser outra que conseguir destruir a outra enorme massa de carne em um ringue.



Como pode haver desenvolvimento pessoal naqueles que se destroem a si mesmos? Onde ficou Eros nesse caminho?

É certo que há entre os amantes da eficácia todo tipo de pessoas. Muitas delas, felizmente, magníficos esportistas e lutadores que cultivam seu corpo de forma sadia e expandem seu ardoroso espírito combativo, fazendo-nos correr rios de adrenalina e entusiasmo pela sua valentia, pudor e bravura; indivíduos, alguns deles, que ademais cultivam seu lado feminino, seu intelecto e sua sensibilidade. Mas estes são sem dúvida a minoria, não nos enganemos.

Assim, se és mais gordo do que alto, gosta mais da ação ao invés da reflexão é gosta do heavy metal, é mais fácil que acabeis fazendo boxe antes que Aikido, luta-livre antes que Tai Chi, que treines pesos e não alongues adequadamente e que adores a tensão no lugar do relaxamento.

VERDADEIRAS “ARTES MARCIAIS”

Todas as mitologias nos falam do princípio Único, do indiferenciado e logo da dualidade. Nosso mundo esconde atrás dela sua essência primordial única e à medida que nos distanciamos desse princípio único as infinitas combinações binárias dão lugar ao Universo em todas as suas formas e possibilidades. Das formas unicelulares às multicelulares, do inanimado até a vida; a evolução é sempre complexidade, multiplicidade, diferenciação. As Artes Marciais não poderiam seguir outro critério. Desde suas origens os estilos mais diversos têm sido estilos completos onde o adepto era iniciado em formas de combate que implicavam um conhecimento de si mesmos e dos demais cada vez mais sofisticados.

Precisava atender tanto o interno quanto o externo. Tinha que ser capaz de escutar a Natureza e seus signos, curar ao invés de ferir, matar ao invés de dar a vida, pois o guerreiro era por sua vez xaman, defensor da tribo e guardião dos conhecimentos. A especialização veio depois, muito depois e, sem dúvida, trouxe muitas coisas boas: nossa habilidade cresceu, nossos arsenais melhoraram, nosso conhecimento também, mas algo se perdeu, talvez no caminho... algo muito especial que alguns grandes Mestres se empenham em não esquecer.

As Artes Marciais são Marciais, mas também Artes. Internas, mas externas. Como todo o grande, as Artes Marciais são paradóxicas e sua adequada compreensão e prática implicam nosso ser total: mente, emoção e corpo, num trabalho transformador e evolutivo que atende a pessoa de um modo completo e não apenas parcial.

O TEMPO DOS EXTERNOS

Hoje em dia as sociedades modernas olham para outro lado quando quem aparece em cena é o indócil Eris. Suas virtudes têm sido denostadas, seus propósitos mais belos desvirtuados, sua presença apartada. Eris dá a vida ao destruí-la, renova como o inverno a terra quando com seus gelos rompem a fibra vegetal caída ao solo no outono, permitindo assim que a primavera a apodreça para criar o fértil fundamento de um novo ciclo de vida.

A morte se afasta de nossas vidas, os cemitérios ficam longe do cotidiano; a velhice não é mais algo respeitável senão defeituoso; as crianças já não aprendem dela, pois não convivem com seus avós e, o militar e a policia, não os consideram senão como um mal necessário, ao qual há que acudir para que nos tirem as castanhas do fogo.

Nossas sociedades só querem ouvir falar de Eros, mas está claro que isto não é possível e acabam encontrando (assim parece indicar a silenciosa lei não escrita) aquilo do qual fogem.

As Artes Marciais de hoje em dia vivem tempos de extremismos, como os do próprio planeta. Os estilos internos cada dia se distanciam mais dos aspectos duros, pois os próprios alunos que chegam a eles atraídos pelo seu encanto buscam só este aspecto e muitos professores, que não querem ver como suas classes se esvaziam, cedem à pressão.

Os estilos externos mais extremos cultivam cada vez de forma mais impetuosa e selvagem a destruição do oponente, esquecendo que existe a Arte, a suavidade, a luta com si mesmo e por sua vez outro modo de resolver os conflitos do que esmagando o próximo.

A VIA DA HARMONIZAÇÃO

A harmonia sempre surge dos opostos e as Artes Marciais, se não querem no seu sentido mais exato deixar de sê-las, devem combinar ambos os princípios para alcançar a harmonia e o equilíbrio que os alunos demandam no fundo para si mesmos.

Talvez hoje, neste marasmo de milhares de estilos sem as referências de autoridade de antigamente, quando qualquer um opina, mesmo sem saber, não nos resta outro remédio que olhar ao nosso redor e vermos nós mesmos para responder-nos sinceramente se o nosso é um trabalho verdadeiramente equilibrado. Para saber se é Eros quem nos domina em excesso ou talvez Eris quem gosta de possuir-nos.

Sabemos que não se pode simplificar. Que as coisas não são brancas ou pretas, mas, com este artigo somente aspiramos iniciar uma reflexão antes que abrir um debate. É o típico texto com o qual é difícil “fazer amigos” pois é crítico, mas nós não queremos “olhar o outro lado” e por isso o publicamos. Então, que cada um faça “DE SU CAPA UM SAIO” pois sempre haverá diversidade e não somente a aceitamos (veja o conteúdo de nossas páginas) senão que, além disso, somos da opinião de que esta nos enriquece a todos.

De um extremo ao outro do mapa marcial tudo é possível, mas também não é menos verdade que existe um justo meio. Como na flecha da evolução o justo meio é a forma mais incisiva de avançar, a aguçada vanguarda da evolução e a mudança pelo qual passarão descuidadamente sempre os caminhos do futuro.

Para todos, seja qual for vosso estilo, aí vai nosso sincero conselho, cada um deve seguir sua natureza, mas sem descuidar-se de trabalhar o oposto: como artista marcial, mas também, e, sobretudo, como pessoas.


Nota do prof. Wagner Bull:
Na essencia do Aikido existe um Budo autêntico, espiritual, o Takemussu Aiki, não podemos como aikidoistas esquecer de que as técnicas devem tambem serem eficientes como defesa pessoal para que sejam realmente autênticas e que tenham por fim a iluminação espiritual. Quem pesquizar o Aikido vai encontrar nele grande arte marcial, mas também um Caminho de vida excepcional que ele nos abre. Algumas escolas de Aikido atualmente , estão se esquecendo deste aspecto importante, e praticam esta arte como uma ginastica para a saude liberando a energia "Ki" , e tambem envolvendo seus aspectos estéticos. Isto está muito bom e válido também , mas é algo limitante. Deve-se compreender que o Aikido tem um escopo muito mais amplo, que é o de um Budo espiritual "Shin no Budo", que não pode deixar de ser cultivado sob pena de se perder talvez sua parte mais importante. No Takemussu Aiki este aspecto mais amplo é praticado e cultivado de forma a preservar as tradições completas destas caminho ,que tende a ser simplificado na abordagem destas escolas , algumas se denominando: "modernas" .

Informações sobre o Takemussu Aiki:

www.aikikai.org.br

sexta-feira, 15 de janeiro de 2010

AIKIDO E A PERCEPÇÃO DO KI UNIVERSAL

AIKIDO E A PERCEPÇÃO DO KI UNIVERSAL
Prof. Wagner Bull

Meu conhecimento até este momento indica que o treinamento do Aikido é um estudo dos poderes da Natureza, e é um exercício para desenvolver a percepção do Ki universal e individual para que o homem possa reverberar com a Energia Criativa, ou seja, a meta final do AIkido é o Takemussu Aiki.

Ele não pode ser ensinado, e sim alcançado pela intuição através do treinamento e da busca contínua, pois isso depende da percepção de cada pessoa. É mais uma questão de percepção do que de métodos de treinamento. Diferentes pessoas terão sempre um Aikido diferente por terem compreendido diferentes aspectos e pontos de vista em seus treinamentos.

O bom mestre é aquele que consegue estimular seus alunos a treinarem firme e de forma disciplinada e continua buscando a essência da arte, mas ele mesmo deve ser um buscador dando o bom exemplo. O Aikido é o que é principalmente porque 4 homens importantes compartilharam suas percepções dos poderes da Natureza com a humanidade e as colocaram em prática: Sokaku Takeda, Onisaburu Deguchi, Morihei Ueshiba e Kishomaru Ueshiba.

Cada um deles fez bem seu trabalho. É claro que algumas pessoas treinam Aikido e desenvolvem níveis mais altos de percepções e outras não o conseguem. É o mesmo que estudar música. Algumas pessoas jamais serão “virtuosos” não importa o quanto pratiquem pois não conseguem eliminar totalmente os obstáculos que impedem a sua conexão com o divino. A Perfeita Iluminação e a demonstração efetiva do verdadeiro poder do kokyu, ao nível de Takeda Sokaku, ou de Morihei Ueshiba, assim como ser um grande músico, consequentemente, não é para qualquer pessoa. Não é apenas uma questão de método de treinamento e de experiência, mas do meu ponto de vista, isso se deve principalmente ao DNA, ou em outras palavras, a uma dádiva individual da Natureza para cada individuo.

Vou dar um exemplo: m ilhões de pessoas, no Brasil, treinaram e praticaram futebol, mas só o Pelé foi capaz de fazer o que fez. É exatamente a mesma coisa com o Aikido. Apesar das técnicas sobre como chutar, tocar a bola é a mesma coisa para todos.A boa noticia é que o treinamento do futebol traz benefícios para todas as pessoas, e é por isso que é tão popular, e é exatamente por esta razão que nós brasileiros continuamos a praticar o futebol, não importando se conseguimos ficar parecidos com Pele ou não. Da mesma forma, praticar Aikido é bom para qualquer pessoa pois ela evolui se torna um ser mais harmonico, mais saudável, e mais alerta às Leis do Universo.Tenho grandes alunos em meu dojo, pessoas com grande potencial e se eles prosseguirem se tornarão fantásticos aikidoistas, e é claro que outros têm um Aikido muito pobre, relativamente falando, e são praticantes há muito tempo, usando os mesmos métodos de treinamento. Mas o que é importante é que eles treinam juntos comigo e nos divertimos juntos, e nos desenvolvemos cada um em um ritmo diferente, de acordo com nossas naturezas.

Não se deve fazer comparações, pois o resultado é sempre relativo, e neste sentido, palavras como “pobre Aikido” ou “fantástico Aikido” não tem sentido, em termos absolutos, e no fundo é o que interessa para cada um. Não precisamos ser Takeda, ou Ueshiba, ou Kishomaru… é suficiente que sejamos nós mesmos, e o treinamento do Aikido certamente nos ajudará a realizar nossas metas individuais e vitais.Não é fácil tocar o corpo de um bom artista marcial que venha nos atacar com toda a sua força, levantá-lo e fazê-lo cair como um saco de batatas, como parece que Takeda Sokaku podia fazer, ou como se acredita que ele fazia. Isso requer “virtuosismo”.Devemos todo o nosso respeito às pessoas que nos deixaram o Aikido como um instrumento para o aperfeiçoamento, não importa a que velocidade possamos usá-lo. Se quisermos melhorar, só há um caminho, treinar duro para desenvolver uma maior percepção de como o KI funciona, mas não devemos cair na armadilha de que temos 100% de chances de nos tornarmos como Ueshiba ou Takeda ou Kishomaru. Cada um tem um nível que atingirá em sua vida, cada um tem uma missão que o universo espera que realizemos.

É muito importante compreender isso, e assim nos tornaremos muito mais tolerantes e viveremos melhor. Embora as comparações com outras pessoas podem nos ajudar a percebermos nossas falhas, jamais devemos diminuir nossa auto estima ou elevá-la como resultado da comparação. O importante é sermos hoje melhor do que ontem e amanhã, melhor do que hoje. Não receiemos o progresso lento, o importante é não ficarmos parados. Com este espírito treinamos diariamente no Instituto Takemussu e procurarmos transmitir a nossos alunos e admiradores.

VÁ TREINAR

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Por isso... VÁ TREINAR

COMPAIXÃO


Compaixão é a verdadeira essência de uma vida espiritual e a prática central daqueles que devotaram suas vidas para alcançar a iluminação. É a raiz das Três Jóias Supremas – Buda, Darma e Sanga.

É a raiz de Buda, porque todos os Budas nascem da compaixão. É a raiz do Darma, porque os Budas dão ensinamentos motivados unicamente por compaixão. É a raiz da Sanga, porque é ouvindo e praticando os ensinamentos de Darma, os quais são dados por compaixão, que nos tornaremos membros da Sanga, ou Seres Superiores.

O que é exatamente compaixão? Compaixão é uma mente que, com a motivação de apreciar todos os seres vivos, deseja libertá-los do seu sofrimento.


Às vezes, desejamos que alguém se livre do sofrimento por razões egoístas; isso é bastante comum nas relações que se fundamentam principalmente no apego. Se nosso amigo estiver doente ou deprimido, poderemos desejar que se recupere depressa para desfrutarmos novamente da sua companhia; mas esse desejo é basicamente autocentrado, não é verdadeira compaixão. A verdadeira compaixão baseia-se, necessariamente, na motivação de apreciar os outros.

Embora já tenhamos algum grau de compaixão, no momento, ela é bastante parcial e limitada. Quando nossos familiares e amigos estão sofrendo, facilmente geramos compaixão por eles, mas é bem mais difícil sentirmos solidariedade por estranhos ou por pessoas que achamos desagradáveis.

Além do mais, sentimos compaixão por aqueles que estão sofrendo dor manifesta, mas não por aqueles que estão desfrutando de boas condições e menos ainda pelos indivíduos que estão cometendo ações nocivas.

Se realmente quisermos realizar nosso potencial alcançando a plena iluminação, temos que aumentar o escopo da nossa compaixão até que ela consiga abranger todos os seres vivos sem exceção, como faria uma mãe amorosa que sente compaixão por todos os seus filhos, independente de estarem agindo bem ou mal.

Essa compaixão universal é o coração do budismo mahayana. Ao contrário da nossa compaixão atual, limitada, que já surge ocasionalmente de modo natural, a compaixão universal precisa ser cultivada por meio de treino durante um longo período.

Entrei hoje pela manhã, no portal do Instituto Niten, na coluna CAFÉ COM O SENSEI, e lá assisti um vídeo sobre uma aluna, codinome SOL.

A evolução descrita sobre a aluna e o treinamento dela fizeram sentir algo muito forte dentro de mim...mas quando a vi treinado e por trás a palavra COMPAIXÃO, MEU DIA GANHOU BRILHO!!!, não porque, não sinta ou não soubesse o significado da palavra e da emoção, mas sim por que o mundo precisa mais e mais disso. Senti que deveria falar, fazer, sentir, expressar... E pena não achar uma definição ou com palavras descrever a força que essa palavra tem através de gestos um para com o outro.

Sol treinando - NITEN

AS SETE VIRTUDES PRESENTES NO USO DO HAKAMA


AS SETE VIRTUDES PRESENTES NO USO DO HAKAMA

Tese para exame de faixa preta nidan
Ilidio Lazarieviez Antonio
Shugyo Dojo - Escola: Instituto Takemussu.


Histórico

O hakama começou a ser utilizado pelos samurais-cavaleiros como uma proteção ao externa adicional para guarnecer as pernas dos arbustos ou de outros elementos. A função desta calça pregueada é similar a dos protetores de couro utilizados pelos vaqueiros, porém, como no Japão o couro bovino não fosse particularmente acessível, o hakama era confeccionado com panos grossos.
Originalmente o hakama era um artigo totalmente funcional, entretanto este se converteu em um símbolo de status social, ou seja, em uma vestimenta que permita distinguir rapidamente a um samurai, o que era vital naquelas épocas.
Atualmente, o hakama é utilizado no Japão homens e mulheres, tanto para eventos especiais como na vida diária e, embora não existam mais os samurais como uma classe social, agora são os praticantes de certas artes marciais (tais como o Aikido, o Iaido ou o Kendo) que continuam com o seu uso tradicional como um símbolo de posição. Em geral, dentro das artes marciais que utilizam o hakama como parte do conjunto de vestimentas, o uso desta geralmente se reserva para aqueles que já se graduaram como yudancha (ou faixa preta 1º Dan), porém existem exceções.
Ainda que o hakama de uso general pode ser de várias cores ou inclusive estampado, nas artes marciais geralmente é de cor preta, índigo, cinza ou branco. No Aikido o branco tende a ser utilizado unicamente por mestres de graduação muito elevada.
A forma de amarrar as faixas do hakama pode variar dependendo da arte marcial praticada. No caso do Aikido o nó final é deixado na frente enquanto que no Kendo o mesmo nó é deixado nas costas. No caso do Aikido há uma razão muito prática para este procedimento, uma vez que se o nó fosse deixado para trás, seria muito problemático no momento de se realizar as quedas para trás.

Partes que compõe o Hakama

Como pode ser observado na figura abaixo o hakama é composto de três partes principais sendo estas:

Koshiita - painel de madeira da cintura: é o reforço posterior para a espádua. Geralmente é de um material firme, porém flexível.

Himo - são as cintas ou faixas, sendo subdivididas em:
Ushirohimo, as cintas curtas posteriores;
Maehimo, as cintas compridas frontais.

Hida - so as pregas ou dobras:
Ôhida - a grande prega, ou seja, a prega posterior.
Yosehida: as pregas frontais.


Virtudes que existem e devem ser desenvolvidas no uso do Hakama

O uso do Hakama no Aikido nos remete aos temos de O-Sensei, que disse uma vez: "O Hakama nos faz refletir sobre a verdadeira natureza do bushido (código dos samurais). Vesti-lo simboliza que as tradiçôes foram passadas de geração para geração. O Aikido nasceu do espírito do bushido japones, e através de sua prática devemos aprimorar as virtudes dos sete significados."
Seja uma pessoa leiga ou um artista marcial, há sempre quem diga sobre a beleza estética que o Hakama proporciona ao uniforme de Escolas tradicionais. Contudo, nem todos compreendem a beleza histórica que esta vestimenta japonesa carrega.
O Hakama é assemelha-se a uma saia, mas é na verdade um tipo de calça pre-gueada, usada por cima do dogui. Ele é usado hoje em ocasiões formais e, também na prática de artes marciais tradicionais.
Segundo a história que é repassada oralmente, as dobras ou vincos do Hakama são uma característica visual marcante. Esta vestimenta, além de servir para esconder os pés do lutador e impedir que o inimigo conhecesse seus movimentos, possui ao todo cinco dobras externas e duas internas, que simbolizam as sete virtudes que um samurai deveria ter, as quais são as seguintes:

Yuki : coragem e bravura;
Jin : benevolencia;
Gi : justiça e integridade;
Rei : etiqueta e cortesia;
Makoto : sinceridade e honestidade;
Chugi : lealdade, devoção e
Meiyo : honra, prestigio.

É importante salientar que as virtudes são cuidadosamente transmitidas quando somos crianças. E quando bem zelados, somos fontes inesgotáveis de virtudes quando adultos.
A alma da criança que cresce sem cuidados básicos por parte dos adultos, geralmente se torna campo tomado pelas ervas más dos vícios de toda ordem. E, de todas essas ervas más, as mais perigosas sâo o orgulho e o egoísmo, pois sâo as que dão origem às demais. Por isso a importância dos cuidados desde cedo. Os jardins da alma são férteis e receptivos aos ensinamentos que percebem nas açães dos adultos. Por essa razão vale a pena dedicar tempo no cultivo das virtudes, antes que as sementes de ervas-daninhas sejam ali jogadas, nasçam e abafem a boa semente.
E para se ter Êxito nessa missão de jardineiro de almas, é preciso atenção, dedicação, persistencia e determinação.

Simbolismo

Na tradição japonesa cada uma das dobras ou vincos do hakama representa uma virtude primordial. Existem várias interpretações a respeito destas que vão desde dar-lhe um significado particular a cada uma destas dobras, até definir se a parte posterior deve ser considerada uma o duas dobras.
Uma vez que esta vestimenta foi utilizada tanto pelos samurais, ou seja, a classe guerreira e, posteriormente pela sociedade em geral, as virtudes que caracterizam as prégas dependem precisamente do enfoque particular de cada grupo.

Segundo a sociedade japonesa
Segundo o ponto de vista da sociedade tradicional japonesa, as cinco pregas frontais simbolizam as cinco virtudes fundamentais:

kanji virtude
1 仁 じん: Jin benevolencia, humanidade e caridade.
2 義 ぎ: Gi justiça, moralidade, honra, lealdade.
3. 礼 れい: Rei: gratidão (cortesia e respeito).
4. 忠 ちゅう Chi : Lealdade, fidelidade.
5. 公平 こうへい Kôhei: imparcialidade

A dobra posterior representa as cinco virtudes consolidadas em uma única grande virtude que e a de se tornar um ser humano integral. O kanji para expressar "cinco virtudes" (gotoku 五徳), também se utiliza para representar a base da roda de ferro utilizada nas casas japonesas antigas para esquentar a água, e com isso pode-se dizer que as cinco virtudes são como uma base para o individuo transformar-se.

Segundo o O-Sensei

De acordo com as palavras do O-Sensei, as sete pregas simbolizam as sete virtudes do Budo, as quais são:

kanji virtude
1. 仁 じん Jin : Benevolencia, compaixão, amor universal.
2. 義 ぎ Gi: Justiça
3. 礼 れい Rei: Cortesia e etiqueta.
4. 智 ち Chi: Sabedoria.
5. 信 しん Shin: Sinceridade, confiança, devoção.
6. 忠 ちゅう Chi: Lealdade e fidelidade.
7. 公平 こうへい Kôhei: imparcialidade.

Nota: as cinco primeiras virtudes foram estabelecidas por Confúcio.

Segundo o Bushido

Do ponto de vista dos samurais, as dobras representam os sete códigos do bushido, os quais são as seguintes:

kanji virtude

1. 仁 じん Jin : amor universal, benevolencia, caridade, compaixão, representando o quão generoso ou benevolente é o seu portador.

2. 義 ぎ Gi correção, integridade, justiça,
Representando o valor próprio do portador, sua moral, integridade ou capacidade de tomar decisões corretas.

3. 礼 れい Rei: cortesia, etiqueta, obediencia
Representando o aspecto social ou o comportamento do portador.

4. 勇【気】 ゆう【き】 (ki) coragem, valor, heroísmo
Representando o valor, espírito ou entrega de seu portador.

5. 誠 まこと Makoto: Honestidade, sinceridade, veracidade
Representando que seu portador é digno de confiança.

6. 忠義 ちゅうぎ Chi , gi Devoção, lealdade, fidelidade,
Representando a lealdade do portador ante seu Senhor, mestre ou aliados.

7. 名誉 めいよ Meiyo: Dignidade, honra e prestigio,
Representando a posição honorífica que foi outorgada ao portador.


Um cuidado importante: o Hakama deve ser dobrado corretamente ao final de cada treino para que se preservem as dobras, e com elas suas virtudes. A pressa do dia-a-dia leva muitos alunos a não dobrarem seus Hakamas, o que se torna um grande erro.

Agradecimentos e consideraçõess finais:
Renovo meus agradecimentos, inicialmente a Deus, essa energia infinita que rege silenciosamente o universo.
Agradeço a minha família (pai, mãe, irmão e irma), parentes e amigos cuja soma de suas influencias transformaram-me no que sou nesse momento.
Agradeço ao meu Sensei Wagner Bull pela paciência em tentar me ensinar a relaxar e com isso aprender Aikido, uma vez que meu corpo custa a entender certas coisa básicas.
Agradeço também aos meus instrutores diretos Ney Tamotsu Kubo e Osmar Batista Cunha pela paciência, perseverança e dedicaçâo neste meu aprendizado, pois sei no meu intimo o quanto é difícil fazer uma pedra se mexer.
Agradeço também aos meus dois sempais imediatos Fred e Rodrigo, uma vez que é impossível neste momento entender como poderia ser minha vida sem a influencia desses dois outros irmâos.
Agradeço a todos os instrutores do Instituto Takemussu ou do Brazil Aikikai (Alexandre, Miura, Coronel, Matsuda, Claudinha, entre outros) que, mesmo que por instantes, estiveram dispostos a compartilhar seu conhecimento comigo e com os demais aikidocas.
N?o poderia deixar também deixar de agradecer também a todos os ukes e alunos do Shugyo Dojo, que tantos esforços fizeram no sentido de transformar esse exame em realidade.

Finalizando essa monografia novamente cito o O-Sensei, em dois trechos retirados de seu livro Budo:
"Os nossos iluminados antepassados desenvolveram o verdadeiro Budo baseado na humanidade, no amor e na sinceridade; o seu coração consiste na bravura sincera, na sabedoria sincera, no amor sincero, e na empatia sincera. Estas quatro virtudes espirituais deveriam ser incorporadas no único sabre do treino diligente. Forja constantemente o teu espírito e o teu corpo, e deixa com que o brilho do sabre transformante, permeie todo o teu ser ."
"O treino no Budo, desenvolve coragem, sinceridade, fidelidade, bondade e beleza, e também faz um corpo forte e saudável. O caminho é extremamente vasto. Desde tempos antigos até ao presente, mesmo os maiores sábios foram incapazes de perceber e compreender a verdade na sua totalidade; as explicaçôes e ensinamentos dos mestres e santos, só expressam uma parte do Todo. Não é possível para alguém falar destas coisas na sua totalidade. Simplesmente caminha para a luz e para o calor, aprende dos deuses, e através da virtude da prática devota, une-te ao divino. Procura a iluminação através disto."


Santos, 2 de agosto de 2.008.

Ilidio Lazarieviez Antonio
Iniciado em Aikido pelo Instituto Takemussu site www.aikikai.org.br

Faixa preta reconhecido pela Confederação Brasileria de Aikido- Brazil Aikikai
Site www.aikikai.com.br

quarta-feira, 13 de janeiro de 2010

AIKIDO E A LEI NATURAL

AIKIDO E A LEI NATURAL


(Tese apresentada por ocasião de exame de sandan no Instituto Takemussu).





Mestre: Wagner José Bull
Aluno: Cristiano Lobo
São Paulo, 11 de agosto de 2007




Em março de 1995 tive o primeiro contato com o Aikido, e fiquei fascinado com essa arte marcial tão refinada. E o que me chamou a atenção primeiramente foi a imagem do fundador do Aikido, um homem místico com poderes fantásticos, um verdadeiro budoka !! Também me atraiu o fato dessa arte não ser competitiva, e sim, algo com uma dimensão muito maior onde o propósito é estudar os diferentes níveis de energias existentes na natureza para tornar-nos unos com ela.

Tudo começou no ano de 1883, na cidade de Tanabe, província de Wakayama, onde nasceu Moritaka Ueshiba, um dos homens mais brilhantes da história do Budo. Quando criança ele estudou o Budismo Shingon, uma escola esotérica. Mais tarde Morihei, como passou a ser chamado, estudou algumas formas de Kenjutsu e Taijutsu até encontrar o mestre Sokaku Takeda em 1912 do qual aprendeu a base técnica do que viria a ser o Aikido, sua genial criação. Mas ainda faltava algo para dar sustentação a esse caminho marcial. Foi então que Ueshiba encontrou-se em 1919 com Onisaburo Deguchi, seu tutor espiritual. Após alguns anos de treinamento intensivo e com uma visão mais ampla do que seria um caminho não apenas para o treino do corpo e mente, mas também para o aperfeiçoamento do espírito, Ueshiba formulou um caminho marcial para a purificação do ser humano, onde o objetivo da prática é a união do ser com o Universo.

Ao meu ver, essa união se dá através da limpeza do corpo pelo treinamento constante, da mente pela meditação e do espírito pela intenção do amor verdadeiro, um amor de proteção e de união.

Quando nascemos somos puros, pois, estamos próximos à fonte da energia criativa, mas assim que entramos em contato direto com o mundo, nos sujeitamos às impurezas que nele existem. O acúmulo dessas impurezas, ou tsumi, como é chamado no Xintoísmo, formam os seres como são. Isso nos afasta da fonte universal de energia criativa e ofusca nossa compreensão da Lei Natural do Universo.

A Lei Universal a qual me refiro é a Lei Natural, ou Kannagara, ou ainda a Lei de Deus como alguns preferem chamar. É a única verdadeira Lei para a felicidade do homem; ela nos indica o que devemos e o que não devemos fazer. A Lei Universal existe desde sempre sendo eterna e imutável e só é infeliz quem se afasta dela.

Assim, vejo o caminho do Aiki como um caminho de purificação e ajuste na busca pela unidade com o universo. A palavra Aiki por si só define-se como sendo a combinação das energias, ou seja, Aikido é um caminho da conciliação e harmonia, verificados na natureza.

Quando treino intensivamente sinto que minha percepção do Universo aumenta e posso sentir mais de perto o seu funcionamento, mas, quando o treino cessa volto a ser exposto às impurezas. Por isso os estudantes do caminho devem cultivar a mente alerta, o Zanshin !!

A mente humana funciona fragmentando tudo de acordo com os opostos, o Yin e o Yang, o negativo e o positivo, e, por isso, puro e impuro fazem parte desse mundo. Atingir a unidade é conectar-se com o Ki primordial; portanto, a Lei Natural é a ordem proposta pelo Ki do Universo, o cosmos, onde tudo está contido, inclusive nós seres humanos.

Na natureza, nenhum organismo vive isolado. Os processos de manutenção da vida de cada organismo individualmente, e da natureza como um todo, são interconectados e ajustados uns aos outros, sendo assim, não devemos julgar com a mente dualista, mas sim perceber o fluxo da existência.

A Lei Natural une todas as coisas nesse universo, portanto não há produtos e subprodutos nesse sistema, muito menos lixo, tudo é reciclado continuamente. Todos os fatores podem ser o começo ou o fim de um processo, como na técnica do Aikido. Assim devemos treinar, buscando sempre a combinação perfeita dos fatores, ou seja, devemos imitar a natureza, seguir essa Lei Natural que reina no Universo.

No estágio em que estou, entendo que o Aikido é o estudo e a incorporação da Lei Natural e isso nos é lembrado nos treinos com a vocalização: Kannagara Tamashii Haemase !!

Em meu curso de Engenharia Florestal tenho tido bastante contato com estudos de genética evolutiva dos organismos, e, graficamente o que melhor explica o contínuo processo de evolução é uma espiral e não uma linha do tempo como seria mais fácil imaginar. Essa espiral é a manifestação da Lei Natural em fluxo permanente.

Se analisarmos qualquer fenômeno na natureza, encontraremos a espiral, ascendente e descendente, e, portanto o Aikido não é diferente, Céu, Terra, Fogo e Água formam a espiral!!
E, nossa própria alma também é assim, sendo que, o céu representa a sabedoria, ou Kushimitama, a terra representa o amor, ou Sachimitama, o fogo representa a bravura e coragem, ou Aramitama, e, a água representa a virtude social, as boas relações, ou Niguimitama. Toda a existência, manifesta e oculta, pode ser entendida pela espiral.

A Lei Natural é a espiral !! e para que possamos percebê-la é necessário o treinamento constante com o coração sincero e aberto aos grandes ensinamentos do grande mestre, que é o próprio Universo.


Ao longo do treinamento, o corpo se purifica e conseqüentemente atinge-se um estado mental de clareza e tranqüilidade. Intensificam-se os sentidos e, a partir de então se pode aperfeiçoar o espírito. Na filosofia do Aikido, essa trilogia mente-espírito-corpo denomina-se Ki Shin Tai. Mais uma vez observa-se a mente pensante dividindo o todo para o entendimento racional.

De certa forma quando produzimos pensamentos nos desconectamos do centro e focamos apenas as partes do todo. Para percebermos a Lei Natural temos que limpar a mente de pensamentos e apenas sentir o fluxo da energia Ki.

Incorporando a forma, podemos nos livrar da forma, pois, não é mais necessário pensar, mas sim, agir de acordo com as vibrações do Universo onde tempo e espaço são relativos. Assim o caminho do Aikido é um veículo para aprendermos a Lei que age na Natureza, e através do Misogi, ou purificação podemos chegar mais perto de atingir esse objetivo.

Como disse Morihei Ueshiba: O Coração do Aikido é Misogi !!

Quero terminar com um ensinamento japonês:
''MITAMA MIGAKI E CHITSUJO MIGAKI''
Polir o espírito leva a polir a nossa percepção quanto a verdadeira ordem natural das coisas!



Agradecimentos:

Agradeço primeiramente o Daishizen que possibilitou a existência desse momento !
Agradeço meus Pais por me gerarem e me darem sustento com carinho e amor !
Agradeço minha mulher Liliane por estar presente em minha vida!
Agradeço meu Sensei Wagner Bull por ter me ensinado as bases de um Aikido verdadeiro !
Sou muito grato ao Universo por me dar um filho tão lindo e que me dá forças pra perseverar em todas as situações !!!!
Agradeço ainda meus irmãos e amigos que estiveram comigo todo esse tempo!
Agradeço também meus alunos, pois sem eles não haveria o Marubashi Dojo, meu projeto de vida !!













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