SE É A MERA CURIOSIDADE QUE AQUI TE CONDUZ, DESISTE E VOLTA; SE PERSISTIRES EM CONHECER O MISTÉRIO DA EXISTÊNCIA, FAZ O TEU TESTAMENTO E DESPEDE-TE DO MUNDO DOS VIVOS.
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sexta-feira, 19 de fevereiro de 2010

A INICIAÇÃO


Não dormes sob os ciprestes,
Pois não há sono no mundo.
O corpo é a sombra das vestes
Que encobrem teu ser profundo.
Vem a noite, que é a morte,
E a sombra acabou sem ser.
Vais na noite só recorte,
Igual a ti sem querer.
Mas na Estalagem do Assombro
Tiram-te os Anjos a capa.
Segues sem capa no ombro,
Com o pouco que te tapa.
Então Arcanjos da Estrada
Despem-te e deixam-te nu.
Não tens vestes, não tens nada:
Tens só teu corpo, que és tu.
Por fim, na funda caverna,
Os Deuses despem-te mais.
Teu corpo cessa, alma externa,
Mas vês que são teus iguais.
A sombra das tuas vestes
Ficou entre nós na Sorte.
Não estás morto, entre ciprestes.
Neófito, não há morte.
Fernando Pessoa
A Iniciação nos Mistérios supõe uma completa transmutação que terá de se operar gradualmente no adepto, em diversos níveis, durante o caminho para o conhecimento de si mesmo; é uma via gradual na qual se conhecerão, pouco a pouco, os distintos estados do ser.



O termo “iniciação”, derivado do latim initium, significa “começo” e também “entrada”. Por um lado, supõe o início de um processo de conhecimento da realidade Metafísica e, por outro, o ingresso num caminho verdadeiramente espiritual que terá de conduzir a uma real “deificação” daquele que o possa empreender e continuá-lo até o fim.

O iniciado deverá morrer para o mundo profano e ilusório e perder a falsa identidade com seus aspectos puramente individuais, passageiros e mortais, e simultaneamente ressuscitará para um mundo sagrado e verdadeiro que lhe identificará melhor com o real e imutável, com aquela essência pura e imortal que constitui seu verdadeiro Ser. Este percurso supõe uma viagem interior, e irá acompanhado do conhecimento de outros mundos que estão aqui e agora, mas que a mente ordinária nem sequer pode imaginar.
Para que a Iniciação ocorra, será necessário que o adepto permita que os símbolos e ritos sagrados, proporcionados pela doutrina da Tradição Unânime, penetrem em seu interior e operem essa transformação integral, que terá que se produzir quando estes instrumentos despertadores da consciência ordenem a inteligência e toquem as fibras mais sutis e imperceptíveis que se conectam com as verdades eternas. Ela comporta um desenrolar de potencialidades ocultas e misteriosas, que jazem em nossa própria interioridade, e um desenvolvimento das possibilidades verdadeiramente espirituais, que no estado ordinário se encontram adormecidas. O estudo dos códigos simbólicos tradicionais –como aqueles que são proporcionados por nosso Programa–, bem como a meditação e a concentração –e a prática dos rituais iniciáticos–, serão veículos adequados para que esta transmutação e despertar da consciência sejam produzidos e se substituam progressivamente os apegos e as falsas identificações por aquilo que se denomina a Suprema Identidade.
Este processo, simbolizado claramente pela transmutação dos metais que propõe a Alquimia, bem como pelas diversas etapas contempladas no simbolismo construtivo, supõe duas fases: a primeira delas é chamada iniciação virtual e vai desde o começo da Obra até a consecução do estado de “homem verdadeiro”, passando por diversos graus que suporão a superação de provas que terão de determinar se o candidato está qualificado; a segunda –chamada Iniciação real ou efetiva– supõe o conhecimento e a experimentação de estados supra-humanos e atingir o estado de “homem transcendente”.
O candidato à Iniciação é como uma semente que, contendo todas as possibilidades de desenvolvimento e procriação, não as poderá plasmar enquanto não penetrar o interior da terra –a caverna iniciática–, descendo aos infernos e morrer, para nascer de novo. É por isso que o recém iniciado é chamado “neófito”, ou planta nova (neo = nova; fito = planta), pois já venceu a primeira morte e está pronto para empreender seu desenvolvimento vertical e ascendente.
Esta morte comporta uma completa dissolução dos estados anteriores, que deverá ser repetida cíclica e gradualmente –em diversos níveis cada vez mais sutis e elevados– durante o curso do processo iniciático, até que renasça o homem novo, o homem verdadeiro, totalmente regenerado, que terá desenvolvido o leque de suas possibilidades humanas e estará pronto para transcender aos estados supra-individuais e recobrar seu verdadeiro Ser. Terá assim retornado ao estado virginal das origens, à pátria celeste.
Não queremos terminar sem dizer algo muito importante para se ter em conta no processo iniciático ou de conhecimento: o de não confundir o plano psicológico com o espiritual, erro que é muito freqüente hoje em dia. Isto acontece porque o espiritual foi negado ao se fazer uma diferença cortante entre alma e corpo, outorgando-se-lhe então a tudo o que não é material, ou corporal, uma categoria espiritual, ou pseudo-espiritual.


quarta-feira, 25 de novembro de 2009

Missão Sagrada


Fazia tempo que não mandava um texto desse pra vocês darem uma lida. Espero que reflitam sobre, não sou muito fã de correntes ou textos sentimentais. Mas acredito que alguns ainda tragam neles verdades quase esquecidas de esperança, honra e amor verdadeiro. Por isso pra quem quiser ler prossiga, caso contrário pare por aqui:

Era uma vez um jovem que recebeu do rei a tarefa de levar uma mensagem e alguns diamantes a outro rei de uma terra distante. Recebeu também o melhor cavalo do reino para carregá-lo na jornada.

“Cuida do mais importante e cumprirás a missão!” Disse o soberano ao se despedir. Assim, o jovem preparou o seu alforje. Escondeu a mensagem na bainha da calça e colocou as pedras numa bolsa de couro amarrada na cintura, por baixo das vestes.

Pela manhã, bem cedo, sumiu no horizonte. E não pensava sequer em falhar. Queria que todo o reino soubesse que era um nobre e valente rapaz, pronto para desposar a princesa. Aliás, esse era o seu sonho e parecia que a princesa correspondia às suas esperanças.

Para cumprir rapidamente sua tarefa, por vezes deixava a estrada e pegava atalhos que sacrificavam sua montaria. Dessa forma, exigia o máximo do animal. Quando parava em uma estalagem, deixava o cavalo ao relento, não lhe tirava a sela nem a carga, tampouco se preocupava em lhe dar de beber ou comer.

Assim, meu jovem, acabas perdendo o animal, disse alguém. Não me importo, respondeu ele. Tenho dinheiro. Se este morrer, compro outro. Nenhuma falta fará!

Com o passar dos dias e sob tamanho esforço, o pobre animal não suportou mais os maus tratos e caiu morto na estrada. O jovem simplesmente o amaldiçoou e seguiu o caminho a pé. Mas como naquela região havia poucas fazendas e eram muito distantes uma das outras, em poucas horas o moço se deu conta da falta que lhe fazia o animal.

Estava exausto e sedento. Já tinha deixado pelo caminho toda a tralha, com exceção das pedras, pois lembrava da recomendação do rei: “cuida do mais importante!” Seu passo se tornou curto e lento e as paradas, freqüentes e longas.

Como sabia que poderia cair a qualquer momento e temendo ser assaltado, escondeu as pedras no salto de sua bota. Mais tarde, caiu exausto no pó da estrada onde ficou desacordado por longo tempo. No entanto, uma caravana de mercadores que seguia viagem para o seu reino, o encontrou e cuidou dele.

Quando o jovem recobrou os sentidos, estava de volta em sua cidade. Imediatamente foi ter com o rei para contar o que havia acontecido e sem remorso jogou toda a culpa do insucesso no cavalo “fraco e doente” que recebera.

Porém, majestade, conforme me recomendaste, “cuida do mais importante”, aqui estão as pedras que me confiaste. Devolvo-as a ti. Não perdi uma sequer. O rei as recebeu de suas mãos com tristeza e o despediu, mostrando completa frieza diante de seus argumentos.

Abatido, o jovem deixou o palácio arrasado. Em casa, ao tirar a roupa suja, encontrou na bainha da calça a mensagem do rei, que dizia: “Ao meu irmão, rei da terra do norte! O jovem que te envio é candidato a casar com minha filha. Esta jornada é uma prova. Dei a ele alguns diamantes e um bom cavalo.

Recomendei que cuidasse do mais importante. Faz-me, portanto, este grande favor e verifica o estado do cavalo. Se o animal estiver forte e viçoso, saberei que o jovem é fiel e sabe reconhecer quem o auxilia na jornada.

Se, porém, perder o animal e apenas guardar as pedras, não será um bom marido nem rei, pois terá olhos apenas para o tesouro do reino e não dará importância à rainha nem àqueles que o servem”.

Pense nisso!

Saber reconhecer aqueles que verdadeiramente nos auxiliam no dia-a-dia é, sem dúvida, um grande desafio para muitos de nós.

Ser fiel aos amigos sinceros que caminham conosco e até dividem o peso da nossa cruz, para nos aliviar os ombros a fim de que recobremos as forças.

Agindo assim, estaremos realmente cuidando do mais importante, que são esses diamantes raros que não têm preço e que ladrão nenhum tem interesse em nos roubar.

segunda-feira, 9 de novembro de 2009

Graal - Taça - Final

Anteriormente estávamos abordando o “Graal”, representado por uma Taça ou um Cálice, falamos de como se iniciou a sua história, seu mito ou lenda, falamos do papel do rei Arthur da Tavola Redonda e de seus cavaleiros, nesse capítulo traremos para os nossos leitores a finalização do assunto com referencia do Graal representando uma Taça ou Cálice.

Taça ou Cálice – (terceira parte – final)

Uma história foi escrita há mais de 800 anos. Ela faz parte do livro “Le Conte du Graal” (O Conto do Graal), de Chrétien de Troyes (1135-1183), um dos maiores escritores franceses da Idade média, o mesmo, deixando de lado a antiguidade clássica e aproveitando-se das lendas célticas e das ricas fontes folclóricas européias, passou a se dedicar ao ciclo arturiano e ao tema do amor cortês, duas fontes inesgotáveis da literatura ocidental, (posteriormente no capítulo intitulado de Troyes, falaremos a respeito do mesmo), no seu livro ele dizia:



“O jovem Sir. Percival estava exausto depois de cavalgar o dia inteiro. Meses antes ele tinha partido da corte do rei Arthur em busca de fama e aventuras, mas naquela noite tudo que ele queria era dormir. Foi quando avistou um castelo. Os portões estavam abertos e Percival entrou. Lá no seu interior foi recebido por um certo “Rei Pescador”, um velho nobre que o convidou para a ceia. Antes de o banquete começar, duas crianças atravessaram a sala. Primeiro um menino passou trazendo nas mãos uma longa lança de uma brancura deslumbrante, cuja ponta sangrava como se estivesse viva. Em seguida apareceram dois homens muito belos carregando cada um em sua mão um lustro de ouro niquelado, em cada lustro brilhavam ao menos dez círios. Logo depois surgiu uma menina em roupas majestosas, carregando um recipiente de ouro puro, incrustado pelas jóias mais preciosas da Terra ou do Mar, nenhuma gema podia comparar-se com o Graal.


Quando a mesma entrou com o Graal, se expandiu pela sala um clarão tão grande e intenso, que os círios do castelo perderam o brilho como as estrelas ou a lua quando sai o sol. Atrás dessa donzela vinham outras levando um ábaco de prata”.



Conta-se nas lendas arturianas que todo aquele que saia a procura do Santo Graal, após ter encontrado o castelo do Graal, tinha de passar por uma certa prova, se conseguisse realizar a mesma com êxito, o Rei Pescador seria curado e as terras desoladas tornar-se-iam férteis. A referida prova nada mais era do que perguntar o significado do que via, quando os objetos sagrados eram expostos, e a quem o cálice do Graal servia. No caso de não efetuar o seu questionamento, o castelo, o rei, o Graal, tudo mais se dissolveria como em um sonho e as terras permaneceriam estéreis, até que ele ou uma outra pessoa pudesse alcançar o castelo novamente, quando teria uma segunda chance de efetuar as perguntas.



Sir. Percival ficou deslumbrado e dominado de admiração causada pela misteriosa procissão do Graal, mas, por timidez, não perguntou o significado daquilo. No dia seguinte, o cavaleiro seguiu viagem. Aquela cena nunca mais sairia de sua cabeça. Um dia decidiu reencontrar os tesouros e desvendar seus segredos, ainda que a aventura lhe custasse à vida. Naquela oportunidade a busca pelo Graal acabava de começar. Sir. Gawain, da mesma forma, foi dominado pelo sono no momento crítico, de maneira que também não perguntou sobre o seu significado.

Chrétien faleceu antes de concluir o seu livro, no entanto no mesmo, nenhuma explicação deixou, o que seria aquele recipiente portador daquele brilho, e o que ele continha? Quem era o rei Pescador? Qual o significado daquela lança que sangrava? Essa série de perguntas deixou de serem respondidas pelo escritor.

O cálice segundo as lendas, tem certos poderes associados tais como:

- Habilidades de cura e restauração física do corpo humano;
- Comunicação com Deus ou conhecimento de Deus;
- Invisibilidade para o mal ou olhos desmerecedores;
- Habilidade para “alimentar” os presentes;
- Imortalidade. “Habilidade para chamar aqueles que eram merecedores”.

O simbolismo sexual do Graal é indiscutível: é uma taça e, como tal, é a imagem do seio da mulher que dispensa alimento. Por analogia, é um continente, e seu conteúdo, na versão cristianizada, poderíamos dizer é o sangue de Jesus. Por isso é fácil deduzirmos que o Graal, mais do que a imagem do seio representa o útero da Deusa Mãe, que dá vida a todas as criaturas do mundo, a condição de ser fecundada. Sabemos que o país do Graal é estéril, está devastado e que esperam o cavaleiro eleito que deve devolver a fertilidade perdida. Como o Rei Pescador tem um ferimento que afetou suas partes viris, portanto, a taça do Graal como útero materno, só poderá ser fecundado por um homem eleito (futuramente iremos abordar a figura do Graal como sendo – o sangue). Por analogia, Jesus seria esse eleito, mas qual foi o útero que Ele fecundou? [Maria Madalena!!!!]

A procura do Graal em forma de um cálice despertou inclusive a curiosidade dos nazistas. A idéia central do filme “Indiana Jones e a Última cruzada”, de Steven Spielberg – que mostra nazistas à procura do Santo Graal – não é tão absurda quanto parece. Segundo os autores Stephen O´Shea e M. Sabbehedin, o Terceiro Reich teria de fato patrocinado uma busca pelo Cálice antes da Segunda Guerra. Tudo teria começado com as pesquisas do místico nazista Otto Rahn. Para ele, o Graal era uma relíquia do paganismo, símbolo da resistência germânica contra o cristianismo. Para Rahn, os guardiões do Graal teriam sido os cátaros, perseguidos e exterminados pela Igreja nos séculos XI e XII, e o Cálice estaria escondido nas ruínas de Montségur, antiga fortaleza dos cátaros, no sul da França.

As teorias de Rahn chegaram aos ouvidos de Heinrich Himmler, comandante da SS e entusiasta das ciências ocultas. Himmler convidou Rahn a unir-se à divisão de pesquisas arqueológicas da SS e ordenou que fossem efetuadas escavações em Montségur. Alguns afirmam que posteriormente Rahn enviou a Himmler um grande cristal de quartzo, que se assemelhava à descrição do Graal efetuada por Wolfram Von Eschenbach. O mais provável, no entanto, é que isso também não passe de lenda (Em um capítulo à parte falaremos sobre as teorias do místico Otto Rahn).

Eu: seria legal colocar aqui as relações do falo masculino sendo uma peça fundamental para relação de um rito com a taça sagrada feminina.hã hã


Texto de: Walter Jorge
Adaptações: Renis R.

sexta-feira, 6 de novembro de 2009

Graal - Taça


No capitulo anterior abordamos o tema do “Graal” ser uma Taça ou um Cálice, escrevemos sobre as possibilidades do referido cálice ser, ou servir como uma referência ao utilizado na última ceia, nesse capítulo traremos para os leitores a continuação do referido assunto.

Taça ou Cálice (segunda parte)



Segundo a tradição do cristianismo, o Graal teria sido o cálice que Jesus Cristo utilizou na última ceia, instituindo a eucaristia, no qual o vinho era bebido como símbolo do sangue de Jesus. José de Arimatéia teria pegado o cálice e nele depositado o sangue que corria das feridas de Cristo crucificado quando estavam preparando o corpo dele para o enterro, enquanto os seus seguidores eram perseguidos em Jerusalém (42 d.C.), levando em seguida o Graal para as ilhas britânicas. Um dos relatos afirma que ele transportou duas galhetas contendo o sangue e o suor de Jesus para Glastonbury, no sudeste da Inglaterra, com um bordão de pilriteiro que brotou e se desenvolveu quando foi plantado em solo britânico. Daí a sua representação em vitrais portando duas galhetas.



Por que teria José de Arimatéia levado o cálice para uma terra tão distante, numa época em que a navegação não era bem desenvolvida? Uma hipótese é que ele era um mercador da Judéia, muito rico, que conheceu Jesus e dele ficou amigo. Após sua morte foi para a Britânia, onde provavelmente mantinha relações comerciais, e por lá ficou para pregar a fé cristã. Em Glastonbury, fundou a primeira igreja da Inglaterra cujas ruínas ainda existem.

Na Grã-Bretanha as atividades de José de Arimatéia eram mantidas por um circulo fechado de doze anacoretas celibatários. Quando um deles morria, era substituído por outro. Nas histórias do Graal, esses anacoretas eram chamados de “os irmãos de Alain” que era um dos membros. Nessa condição, eles eram filhos simbólicos de Brân, o patriarca (o pai na antiga ordem, ao contrario da nova intitulação de bispo de Roma). Por isso, em uma parte da literatura, Alain é definido como filho de Brân (Bron). Entretanto, após a morte de José de Arimatéia em 82 d.C., o grupo se desintegrou – principalmente porque o controle romano tinha mudado para sempre o caráter da Inglaterra.

Essa versão é uma das mais conhecidas, porém não é muito divulgada pela Igreja Católica. Por que? Porque, antes mesmo do surgimento do cristianismo, já existia nas lendas dos povos celtas, referências a cálices sagrados. Ou seja, contestaria toda a história da Igreja Cristã, além de que nas lendas celtas, o cálice era intimamente ligado à imagem feminina, contrariamente a doutrina cristã que inferioriza as mulheres. Na mitologia céltica, o “caldeirão”, era um símbolo sagrado, representava a fertilidade feminina, o grande útero, de onde todas as coisas vinham e para onde retornariam. Talvez daí nascesse à crença em cálices sagrados, dotados de capacidade mágica, dando a imortalidade a quem deles bebesse.

Alguns tomam o cálice de ágata que está na Igreja de Valência, na Espanha, como aquele que teria servido Cristo, mas, aparentemente, a peça é datada do século XIV. Independente da veneração popular, esta referência é fundamental para o entendimento do simbolismo do Santo Graal já que, como explica a própria Igreja em relação à ferida causada por Longino, “do peito de Cristo adormecido na cruz, sai à água viva do batismo e o sangue vivo da Eucaristia; deste modo, Ele é o cordeiro Pascal imolado”.

Depois da primeira Inquisição Católica realizada pelo papa Gregório IX, em 1231, as histórias do Graal foram condenadas pela Igreja. Não chegaram a ser denunciada como heresia, mas todo o material relacionado ao Graal foi suprimido.

Posteriormente a Igreja na verdade declarou, no Concílio de Trenton (norte da Itália), em 1547, que a sabedoria do Graal era heresia não-oficial. Nesse mesmo Concílio, a escolha dos livros para o Novo Testamento aprovado foi finalmente confirmada a partir de uma seleção original feita antes, no Concílio de Cartago, no ano de 397.

Sobre o referido assunto, veja o que nos diz o escritor e historiador Laurence Gardner em seu livro intitulado “Os Segredos Perdidos da Arca Sagrada”:

“Quando olhamos o legado do Graal da antiga Mesopotâmia, fica óbvia que o simbolismo do Cálice e do Pão era parte da cultura semítica dos dias de Abraão e Melquidezeque (como mostrado em Gênesis 14:18), por volta de 1960 a.C. A maior anomalia é que a igreja se volte oficialmente contra o Graal, usurpando ao mesmo tempo, como seu, o mais pertinente símbolo do legado. O Sacramento da Eucaristia (ou Sagrada Comunhão) é ostensivo o uso do cálice de vinho, representando o sangue messiânico, junto com obréias de pai que representam o corpo. Apologistas desse costume se agarram à idéia de que a cerimônia deriva do ocorrido na Última Ceia, quando Jesus ofereceu vinho e pão a seus apóstolos, sem considerar que ele próprio realizava um ritual antiqüíssimo”.

Porém há outras histórias muito mais interessantes – e ousadas – para explicar isto. Diz-se que durante sua permanência na Cornualha, Jesus havia recebido em dádiva um cálice de um druida convertido ao cristianismo (isto entendido como “o que era pregado por Cristo”), e por aquele objeto Jesus tinha um carinho especial. Após a crucificação, José de Arimatéia quis levá-lo, santificado pelo sangue de Jesus, ao seu antigo dono, o druida, que nada era do que o Mago Merlim, traço de união entre a religião Celta e a Cristã.

Como não podia de ser, a história do ”Santo Graal” também se encontra ligada com os povos muçulmanos, conta-se da existência de um rei chamado de Evelake que era um governador sarraceno convertido por José de Arimatéia e trazido por ele para a Britãnia. Em seu entusiasmo de convertido, ele tentou a busca do cálice sagrado, mas não lhe permitiram ter êxito. Como consolo, porém, foi divinamente prometido que não morreria até que visse um cavaleiro do seu próprio sangue no novo grau que deveria conquistar. Isto foi realizado por Sir. Percival, o rei Evelake contava na oportunidade então trezentos anos de idade.

José de Arimatéia foi, portanto segundo se depreende da história, o primeiro a custodiar o Graal. O segundo teria sido seu genro, Bron. Algumas seitas sustentam que o ciclo do Graal não estará fechado enquanto não aparecer o terceiro custódio. Esta resposta parece vir com a Demanda do Graal, de autor desconhecido, que coloca Sir. Galahad como único entre os cavaleiros merecedores de se tornar guardião do Graal.

No próximo artigo daremos continuação do que seja o Graal em forma de uma Taça ou Cálice.


Texto de: Walter Jorge
Adaptações: Renis R.

Graal - Definição



Vamos agora entrarmos no reino das Lendas, dos Mitos e das Histórias, pois nos é bastante difícil e de sobremaneira impossível, informar para os nossos leitores o que é realmente o Santo Graal, ou como universalmente é chamado de o “Graal”.

Centenas de livros foram escritos no mundo inteiro, bem como milhares de artigos foram publicados nos meios de comunicações. Vamos aqui apenas tentarmos sintetizar ao máximo as informações colhidas apenas sobre uma determinada interpretação do que seja o Graal, escolhemos no momento o símbolo da - “TAÇA OU CÁLICE”.

Taça ou Cálice (primeira parte)

Não podemos falar sobre o Graal sendo “Taça” ou “Cálice”, sem antes voltarmos um pouco para a história do rei Arthur, pois foi onde nasceu o mito da taça sagrada, lembramo-nos de Cavaleiros em suas reluzentes armaduras como Sir Lancelot ou Sir Galahad. As atuais histórias do rei Arthur incluem a lenda do Cálice de Cristo, porém não foi sempre assim, o Graal já seria bastante conhecido nas Histórias Arturianas, porém depois que estas histórias foram cristianizadas é que o Graal foi associado ao Cálice de Cristo.

Arthur era o rei da Britânia, que se reunia com seus cavaleiros ao redor de uma mesa denominada de “Távola Redonda” devido ao seu formato. Havia sempre, porém, um lugar vazio na mesa. Este era reservado ao cavaleiro de grandes virtudes, que seria aquele que encontraria o cálice sagrado. O cavaleiro era Sir Lancelot, que segundo consta chegou a encontrar o Graal, mas pôde apenas contemplá-lo com os olhos, não poderia tocá-lo, pois sua pureza fora manchada pelo adultério que cometera com a rainha Guinevere.



A história nos informa que estando o Rei Arthur agonizante e vendo o declínio do seu reino tem uma visão, Arthur acredita que só o Graal poderia curá-lo e tirar a Bretanha das trevas. Manda então seus cavaleiros em busca do cálice por toda a Europa, fato esse que geraria todas as histórias em torno da Busca do Graal.

Nessa incessante busca, muitos morreram e segundo a história, quem encontrou finalmente o cálice foi Sir. Galahad, filho de Sir. Lancelot, um cavaleiro de grandes virtudes e pureza. Porém, tocar no cálice foi mortal, e Sir. Galahad foi levado aos céus pelos anjos. Outros dizem que foi Sir. Guglielmo um Cruzado de Gênova que em 1099 d.C., afirmou ter descoberto o Cálice (de Jade) em Cesaréia.

A história é bastante controversa, envolve muitos nomes, entre eles Sir. Percival, Sir. Tristão, Sir. Lancelot do Lago, o mago Merlim... Mas, com certeza é uma história fascinante! Ainda, relacionando às lendas Arthurianas, segundo os livros de Marion Zimmer Bradley – As Brumas de Avalon, o cálice teria sido levado por José de Arimatéia para a ilha de Avalon (que muitos julgam como sendo a atual Glastonbury), e escondido no poço sagrado, pois deveria ser guardado por uma mulher. O Graal era um dos tesouros de Avalon, e tinha como guardiã uma das sacerdotisas da ilha. Aqui, nota-se o cruzamento de tradições cristãs e pagãs, ligadas à lenda do cálice sagrado.

É interessante notar que a água é uma constante na história do rei Arthur. É na água que a vida começa, tanto a física como a espiritual. Arthur teria sido concebido ao som das marés, em Tintagel, que fica sob o castelo do Duque da Cornualha; tirou a Bretanha das mãos dos bárbaros em doze batalhas, cinco das quais às margens de um rio; entregou sua espada, Excalibur, ao espírito das águas e, ao final de sua saga, foi carregado pelas águas para nunca mais morrer.



Certo de que sua hora havia chegado, o rei Arthur pede a Bedivere que o leve à praia, onde três fadas o aguardam em uma barca. “Consola-te e faz quanto possas porque em mim já não existe confiança para confiar. Devo ir ao vale de Avalon para curar a minha grave ferida”, diz o rei. Avalon é a mística ilha das macieiras onde vivem os heróis e deuses celtas e onde teria sido forjada a primeira espada de Arthur – Caliburnius. Na Cornualha, o nome Avalon – que em Galês refere-se à maçã – é relacionado com a festa das maçãs celebrada durante o equinócio do outono. Acreditam alguns que Avalon é Glastonbury, local onde tanto Arthur quanto Guinevere teriam sido enterrados. A abadia de Glastonbury, onde repousaria o casal, é tida também como o lugar de conservação do Graal.

É na obra do poeta francês Robert de Boron, “Roman de L´Estoire du Graal” (Romance da História do Graal), escrito entre os anos 1200 e 1210 que o Santo Graal ganhou uma versão bastante popular, conta que o mito retrocede no tempo até chegar a Cristo e á última Ceia, o Graal seria o cálice ou vaso no qual Jesus bebeu o vinho com seus discípulos e que mais tarde seu discípulo José de Arimatéia recolheu o sangue de Cristo na Cruz. José de Arimatéia era um judeu muito rico, membro do supremo tribunal hebreu – o Sinédrio. É ele que, como visto nos evangelhos, pede a Pilatos o corpo de Jesus para ser colocado em um sepulcro em suas terras, (“Depois disso, José de Arimathéia, discípulo de Jesus, embora em segredo por medo dos Judeus, pediu a Pilatos que lhe permitisse retirar o corpo de Jesus e Pilatos lhe concedeu. Veio, pois e retirou o corpo”. – João 19:38).

Boron conta que certa noite, José de Arimatéia é ferido na coxa por uma lança (perceba também, sempre presente, as referências às lanças e espadas, símbolos do fogo, tanto nas histórias de Jesus como de Arthur). Em outra versão, a ferida é nos genitais e a razão seria a quebra do voto de castidade. Este fato está totalmente relacionado à traição de Sir. Lancelot que seduz Guinevere, esposa de Arthur. Após a batalha entre os dois, a espada de Arthur, Caliburnius, é quebrada – pois é usada para fins mesquinhos – e jogada em um lago onde é recolhida pela Dama do Lago antes que afunde, Depois lhe é oferecida outra espada, esta sim, é a Excalibur.



Somente uma única vez Boron chama a taça de Graal. Em um inciso, ele deduz que o artefato já tinha uma história e um nome antes de ser usado por Jesus: “eu não ouso contar, nem referir, nem poderia fazê-lo (...) as coisas ditas e feitas pelos grandes sábios. Naquele tempo foram escritas as razões secretas pelas quais o Graal foi designado por este nome”.

No próximo número daremos continuidade ao Santo Graal representando como símbolo, a Taça ou Cálice.


Texto de: Walter Jorge
Adaptações: Renis R.
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