SE É A MERA CURIOSIDADE QUE AQUI TE CONDUZ, DESISTE E VOLTA; SE PERSISTIRES EM CONHECER O MISTÉRIO DA EXISTÊNCIA, FAZ O TEU TESTAMENTO E DESPEDE-TE DO MUNDO DOS VIVOS.
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quarta-feira, 26 de agosto de 2015

Abismos

"Quão mais alto ergueres tua consciência, mais profundamente adentrarás no Abismo de ti. Não te apresses em possuir a sublime coroa da Divindade se antes não beijastes toda tua obscura Humanidade; não te podes tornar Anjo sem teres bailado com Demônios"
 
Eliphas Levi

sexta-feira, 4 de janeiro de 2013

Um Experimento de Percepção para Explodir sua Cabeça

Assista esses dois vídeos primeiro, e após, leia o exercício. os vídeos irão funcionar como gatilho para algo dentro da mente de vocês, algo mais profundo que quase não usamos de forma direta.






Compartilho com você uma visão para ampliar nossa experiência além de eu e outro, tempo e espaço, dentro e fora. Para funcionar, é preciso que dedique 10 minutos e conduza sua percepção tomando os 22 itens abaixo como guia.
Estou fazendo isso junto com você, em primeira pessoa, mas escrevo em segunda pessoa para facilitar o entendimento, já que se eu descrevesse meu percurso mental em primeira pessoa você teria uma tendência a me observar de longe em vez de guiar sua própria mente para ver o que estou apontando.

quarta-feira, 25 de novembro de 2009

Despertei



Despertei

Muitos me perguntam por que "abandonei" o kendo* e comecei o kenjutsu*.
Não "abandonei" o kendo. Bem como pratico e ensino também a todos os alunos do Niten. Todos passam pelo aprendizado de kendo e depois se aprofundam em técnicas de kenjutsu.
É por isto que vou te contar um episódio interessante:

Devia ter seus 60 anos, média estatura e de porte magro. Parecia um daqueles do filme Os 7 Samurais. O mais magrinho e que falava pouco no filme, não me lembro do nome...
Bem, já fui disparando o meu golpe, indefensável naquela época, o men* veloz como um desses saques de tênis que o adversário não consegue rebater. Também os tsuki* como uma flecha. E nada. Não acertei. Tentei mais uma, duas, parti para outras técnicas e nada. E eu não conseguia "pegar" ele. De jeito nenhum .Nem com uma, nem com duas espadas. O estilo dele era bem diferente em comparação ao que eu já havia conhecido até então. Ele andava. Não ficava só com o pé direito a frente.


A ponta de sua espada não estava voltada para o meu rosto. Estava desviada para o meu lado esquerdo, com a lâmina à vista.
Não levantava os braços frontalmente para se golpear o men, diferente do que se prega no kendo.
Sua atenção não estava focada na estética, na boa postura. Mas no combate.
Enfim, em inúmeros aspectos, era diferente.

Golpeava-me a toda hora em todos os pontos. Se defendia aqui, me acertava ali. Quando eu achava que iria acertar, me devolvia com um contragolpe que eu nunca tinha visto. Foi demais!
Realmente, foi um dos dias que me dei por vencido.
Fiquei sabendo mais tarde, que os jurados não favoreciam a sua aprovação no exame de graduação ao 8° dan de kendo, pela sua forma "diferente" de lutar.
É, e refletindo bem, entendi que ele não treinava para ser aprovado em exames e nem colecionar títulos.
Estou falando nada menos de um sokê* de Kobudô*.
Ele treinava para vencer.
Despertei.



*kendo= esporte que derivou-se do kenjutsu no século passado

*kenjutsu=
arte samurai que tem suas origens desde a era Kamakura
(aproximadamente nos anos 1280) até os dias de hoje e que originou o kendo
.

*men=
crânio

*tsuki=
estocada sobre a garganta

*soke=
grão mestre e representante de um estilo, passado através das gerações

*kobudo;
ko=antigo; bu=samurai; do=caminho, arte


retirado do site NITEN

Missão Sagrada


Fazia tempo que não mandava um texto desse pra vocês darem uma lida. Espero que reflitam sobre, não sou muito fã de correntes ou textos sentimentais. Mas acredito que alguns ainda tragam neles verdades quase esquecidas de esperança, honra e amor verdadeiro. Por isso pra quem quiser ler prossiga, caso contrário pare por aqui:

Era uma vez um jovem que recebeu do rei a tarefa de levar uma mensagem e alguns diamantes a outro rei de uma terra distante. Recebeu também o melhor cavalo do reino para carregá-lo na jornada.

“Cuida do mais importante e cumprirás a missão!” Disse o soberano ao se despedir. Assim, o jovem preparou o seu alforje. Escondeu a mensagem na bainha da calça e colocou as pedras numa bolsa de couro amarrada na cintura, por baixo das vestes.

Pela manhã, bem cedo, sumiu no horizonte. E não pensava sequer em falhar. Queria que todo o reino soubesse que era um nobre e valente rapaz, pronto para desposar a princesa. Aliás, esse era o seu sonho e parecia que a princesa correspondia às suas esperanças.

Para cumprir rapidamente sua tarefa, por vezes deixava a estrada e pegava atalhos que sacrificavam sua montaria. Dessa forma, exigia o máximo do animal. Quando parava em uma estalagem, deixava o cavalo ao relento, não lhe tirava a sela nem a carga, tampouco se preocupava em lhe dar de beber ou comer.

Assim, meu jovem, acabas perdendo o animal, disse alguém. Não me importo, respondeu ele. Tenho dinheiro. Se este morrer, compro outro. Nenhuma falta fará!

Com o passar dos dias e sob tamanho esforço, o pobre animal não suportou mais os maus tratos e caiu morto na estrada. O jovem simplesmente o amaldiçoou e seguiu o caminho a pé. Mas como naquela região havia poucas fazendas e eram muito distantes uma das outras, em poucas horas o moço se deu conta da falta que lhe fazia o animal.

Estava exausto e sedento. Já tinha deixado pelo caminho toda a tralha, com exceção das pedras, pois lembrava da recomendação do rei: “cuida do mais importante!” Seu passo se tornou curto e lento e as paradas, freqüentes e longas.

Como sabia que poderia cair a qualquer momento e temendo ser assaltado, escondeu as pedras no salto de sua bota. Mais tarde, caiu exausto no pó da estrada onde ficou desacordado por longo tempo. No entanto, uma caravana de mercadores que seguia viagem para o seu reino, o encontrou e cuidou dele.

Quando o jovem recobrou os sentidos, estava de volta em sua cidade. Imediatamente foi ter com o rei para contar o que havia acontecido e sem remorso jogou toda a culpa do insucesso no cavalo “fraco e doente” que recebera.

Porém, majestade, conforme me recomendaste, “cuida do mais importante”, aqui estão as pedras que me confiaste. Devolvo-as a ti. Não perdi uma sequer. O rei as recebeu de suas mãos com tristeza e o despediu, mostrando completa frieza diante de seus argumentos.

Abatido, o jovem deixou o palácio arrasado. Em casa, ao tirar a roupa suja, encontrou na bainha da calça a mensagem do rei, que dizia: “Ao meu irmão, rei da terra do norte! O jovem que te envio é candidato a casar com minha filha. Esta jornada é uma prova. Dei a ele alguns diamantes e um bom cavalo.

Recomendei que cuidasse do mais importante. Faz-me, portanto, este grande favor e verifica o estado do cavalo. Se o animal estiver forte e viçoso, saberei que o jovem é fiel e sabe reconhecer quem o auxilia na jornada.

Se, porém, perder o animal e apenas guardar as pedras, não será um bom marido nem rei, pois terá olhos apenas para o tesouro do reino e não dará importância à rainha nem àqueles que o servem”.

Pense nisso!

Saber reconhecer aqueles que verdadeiramente nos auxiliam no dia-a-dia é, sem dúvida, um grande desafio para muitos de nós.

Ser fiel aos amigos sinceros que caminham conosco e até dividem o peso da nossa cruz, para nos aliviar os ombros a fim de que recobremos as forças.

Agindo assim, estaremos realmente cuidando do mais importante, que são esses diamantes raros que não têm preço e que ladrão nenhum tem interesse em nos roubar.

sexta-feira, 6 de novembro de 2009

O Espírito - Parte II FInal



Chegamos na segunda parte da Sétima etapa, a última etapa, nela iremos travar conhecimento das ultimas palavras proferidas pelo mago Merlim com os cavaleiros do rei Arthur da Tavola Redonda do reino de Camelot; Sir. Galahad e Sir. Percival, trata-se da conclusão de toda sua explanação através das etapas que ele inicialmente enunciou: a Inocência, o Nascimento do Ego; O Nascimento do Empreendedor; o Nascimento do Doador; o Nascimento do Buscador; o Nascimento do Observador e finalmente a sétima e última etapa que é o aparecimento do Espírito.

Durante toda essa leitura o Mago nos permitiu com as suas palavras a compreender um pouco da nossa pessoa, dos nossos limites e da nossa capacidade de encontrar o verdadeiro Graal.
A procura do Graal é eterna, infinita, pois sempre estaremos a sua procura.

O que é finalmente o Graal?



Sétima Etapa - O Espírito (Segunda Parte)

“A voz de Merlim ficou mais suave enquanto o círculo de luz ao redor deles praticamente se extinguia”.

- Vocês, mortais, anseiam por milagres, digo eu, e na qualidade de filhos privilegiados do universo, nada lhes será negado. O espírito é o estado do milagroso, que se desenrolará em três estágios:

" Primeiro, vocês vivenciarão milagres no estado chamado consciência cósmica. Cada evento material terá uma causa espiritual. Cada acontecimento local também estará acontecendo no palco do universo. Seu menor desejo fará com que as forças cósmicas o tomem realidade. Por mais maravilhoso que isso possa parecer, esse não é um estado muito adiantado, porque muito antes de alcançarem a consciência cósmica, vocês estarão acostumados a ver seus desejos espontaneamente se tomarem realidade”.

" Segundo, vocês realizarão milagres no estado denominado consciência cósmica. Este é o estado de criatividade pura, no qual vocês se mesclam com o poder de Deus, por meio do qual Ele cria os mundos e tudo que acontece nesses mundos. Esse poder não tem origem em nada que Deus faz, ele é apenas Sua luz de consciência. Como um brilho rico e dourado, vocês verão a consciência divina reluzindo através de tudo que seus olhos contemplam. O mundo ilumina-se a partir do interior, e não existe nenhuma dúvida de que a matéria é simplesmente o espírito manifestado. Na consciência divina, vocês se verão como aquele que cria, não o que é criado, o que dá a vida, não o que recebe”.

" Terceiro, vocês se tornarão o milagre, no estado conhecido como consciência de unidade. Agora, qualquer distinção entre o que cria e o que é criado desapareceu. O espírito dentro de vocês se incorpora ao espírito de tudo o mais. O retorno de vocês à inocência é todo-abrangente, porque, à semelhança do bebê que toca a parede ou o berço e só sente a si mesmo, vocês verão cada ação como o espírito derramando-se sobre o espírito. Vocês viverão num completo conhecimento e confiança. E embora ainda pareçam morar num corpo, ele será apenas um grão de Ser nas praias do oceano infinito de Ser que são vocês mesmos”.

“ Os dois cavaleiros não tinham idéia do tempo que Merlim levara fazendo essa exposição. Eles tinham a impressão de terem sido erguidos num espaço no qual esferas de Ser se abriam uma depois da outra como as pétalas de uma flor. E quando a última se abriu, um diamante quase transparente, que mal podia ser visto, girava no centro”. - O que é isso? Galahad teve vontade de perguntar, mas não ousou fazê-lo”.



- Contemplem o Graal - sussurrou Merlim. - O desabrochar da sua busca conduziu a uma visão da meta, o ponto de pura luz, a essência do diamante que arde dentro da sua alma.

“ Os dois cavaleiros se ajoelharam no chão frio e rezaram em seus corações pedindo para merecer a visão”.



- Vivam em devoção a este momento - disse Merlim. - Eu os trouxe aqui por causa do seu mais íntimo desejo, mas agora vocês mesmos precisam conquistar o verdadeiro Graal, e não apenas a visão dele.

- O verdadeiro Graal? - murmurou Percival. - O que devemos procurar, esta mesma imagem?

- Não esperem nem antevejam - advertiu Merlim enquanto a visão do Graal começava a desaparecer. O homem vai a busca de símbolos, e os símbolos mudam a cada época. Mas o que lhes mostrei não foi um símbolo, e sim a verdade. O Graal é a partícula de cristal do Ser no coração de vocês. Ela reflete sutilmente a luz em suas facetas, e desses reflexos sutis surgem todas as faculdades da mente e do corpo que vocês percebem com seus sentidos. Como reflexos, eles são reais, mas muito mais real é esse diamante transparente de puro Ser.

“ Inesperadamente, Merlim bocejou, inclinando a cabeça para trás como se esse fosse o ato mais agradável do mundo. Ele estendeu os braços bem abertos e se levantou - Estava agora quase escuro como breu, o fogo havia se apagado completamente, mas Percival e Galahad podiam sentir o olhar de Merlim fixo sobre eles. Ele disse”:

- Um dia vocês olharão para trás, para esta noite, e perguntarão: "Quem é você, Merlim?” Além da esfera do tempo, assim responderei: Sou aquele que não precisa de milagres. Sou um mago, e o fato de eu estar aqui é um milagre suficiente, o que poderia ser mais milagroso do que a própria vida?

“ Com a luz que se extinguia, o velho desapareceu. Percival e Galahad permaneceram imóveis, sem emitir um som. O fascínio da fala de Merlim ainda tomava conta deles, e quando ele começou a diminuir, ambos tremeram, lamentando terem que voltar a terra. Ao amanhecer, iniciaram o retorno ao Castelo. À luz dourada do sol, Percival avistou o rei Arthur de pé, na janela de seus aposentos reais; ele estava olhando diretamente para eles”.

- Você acha que devemos falar com ele sobre o que aconteceu? - perguntou Percival, fazendo um gesto em direção ao castelo.

Galahad sacudiu negativamente a cabeça.

- Estou certo de que o rei sabe o que aconteceu; deve ter acontecido a ele, ou porque outro motivo ele estaria tão relutante em falar sobre o Graal? Mas quero lhe dizer uma coisa, Irmão Cavaleiro. Eu gostaria que Arthur compreendesse que estamos com ele e Merlim nessa busca. Vamos chamar esta noite de noite da gruta de cristal. O rei saberá ao que estamos nos referindo.

E embora eles não tivessem estado numa gruta e sim debaixo do dossel de um céu estrelado, Percival concordou instantaneamente com a sugestão de Galahad.

Essa é apenas uma pequena parte de um todo que reservamos para os nossos leitores sobre a compreensão e o real significado do que seja o “Santo Graal”.
Continuemos com a nossa leitura sobre o Graal.
Vamos, na intimidade do nosso pensamento perguntar: o que é realmente o Graal?


Texto de: Walter Jorge - www.caminhodesantiago.com/walter_jorge.htm
Adaptações: Renis R.

O Espírito - Parte I

Inicialmente tomamos conhecimento através do Mago Merlim quando em conversa com Sir. Percival e Sir. Galahad da seguinte frase – “A alquimia é a arte da transformação, e quando suas sete etapas forem concluídas, somente então vocês serão capazes de reclamar o Graal”.

Nos capítulos anteriores, tivemos a oportunidade de conhecermos seis das etapas mencionadas pelo Mago, faltando apenas a Sétima e última etapa.

Na etapa anterior, a Sexta etapa, o Mago nos informa sobre o Nascimento do Observador na nossa vida, nascimento esse que extingue o nosso Ego o que permitirá uma melhor observação dos nossos procedimentos, pois, sem essa percepção, não poderemos analisar, sentir, ou mesmo compreender o que é o Graal. Através de suas informações, nos deixa a antever algo mais, nos deixa a antever a existência do Espírito, o que motivou a observação de Sir. Percival:
- Isso parece muito misterioso.



Para facilitar a nossa leitura e permitir uma boa reflexão, pois já estamos em um final e prontos para entramos no verdadeiro conhecimento do que seja o Graal, dividimos essa etapa em duas partes.

Sétima Etapa - O Espírito (Primeira Parte)

- É difícil imaginar que pudesse haver um estágio mais elevado na vida - comentou Galahad após um momento, profundamente tocado pela descrição do observador.

- Tenha cuidado com a expressão mais elevado - advertiu Merlim. - É o ego que deve se preocupar com o superior e o inferior. A meta da sua vida é a liberdade e a realização. A realização só é alcançada quando você passa a conhecer Deus tão completamente quanto Ele conhece a Ele mesmo. Vocês, mortais, estão sempre ansiosos por milagres, e eu lhes digo que o maior milagre são vocês mesmos, pois Deus lhes concedeu essa habilidade única de se identificarem com a natureza Dele. Uma rosa perfeita não sente que é uma rosa; um ser humano realizado sabe o que significa ser divino.

- Esse estado pode ser descrito? - indagou Percival.

- Ele é a sétima e última etapa da alquimia, o espírito puro. Quando ele surge, o observador descobre que os que parece ser a alegria e realização totais ainda podem se expandir. Veja bem, chegar à presença de Deus não é o final da sua busca e sim o início. Você começou na inocência, e nela você irá terminar. Mas dessa vez a inocência é diferente, porque você obteve o conhecimento completo, ao passo que o bebê só tem sentimento.

" Quando vocês forem capazes de se verem como espírito, sua identificação com o corpo e a mente deixará de existir. Ao mesmo tempo, o conceito de nascimento e morte também cessará. Vocês serão uma célula no corpo do universo, e esse corpo cósmico será tão íntimo de vocês quanto seu corpo o é para vocês agora. Isso é o mais próximo que eu consigo chegar de como um mago sente, pois mago é apenas uma outra palavra para o sétimo estágio”.

" Entendam o seguinte: para o mago, o nascimento é meramente a idéia de que 'eu tenho este corpo', e a morte é apenas a idéia de que 'eu não tenho mais este corpo'. Como os magos não estão sujeitos à ilusão do nascimento, qualquer corpo que eles assumam é visto apenas como um padrão de energia, qualquer mente como um padrão de informação. Esses padrões estão em eterna transformação; eles vêm e vão. Mas o mago está além da mudança. A mente e o corpo são como quartos nos quais a pessoa escolhe viver, mas não o tempo todo”.

" Nenhuma quantidade de pensamento ou sentimento pode aproximar ou trazer a vocês esse estado. O espírito nasce do silêncio puro. O diálogo interno da mente precisa terminar e nunca mais recomeçar, porque aquilo que deu origem ao diálogo interior, a fragmentação do eu, não está mais presente. Seu eu será unificado, e à semelhança do bebê que foi seu início, vocês não sentirão nenhuma dúvida, vergonha ou culpa. A necessidade de dualidade do ego gerou um mundo de bem e mal, certo e errado, luz e sombra. Agora vocês verão que esses opostos se mesclam. Essa é a perspectiva de Deus, porque onde quer que Ele olhe, tudo que Ele vê é Ele mesmo”.

" Se vocês sentirem que esta meta é excessivamente grandiosa ou distante, eis um segredo. Embora vocês tenham a impressão de que passam pelas sete etapas da alquimia, cada uma delas esteve presente desde o início. Na inocência estava a totalidade de Deus, como ela está no ego, na realização, na doação ou na busca. Tudo que realmente mudou foi o foco da sua atenção. Em seu ser encontra-se cada aspecto do universo, tão completo e eterno quanto o próprio universo. Mas mesmo assim o nascimento no espírito é um acontecimento tremendo. À medida que a unidade for amadurecendo, vocês se tornarão cada vez mais familiarizados com o divino, até que finalmente vivenciarão Deus como um ser infinito que se desloca a uma velocidade infinita através de dimensões infinitas. Quando essa impressionante experiência tiver lugar, ela parecerá tão simples e natural quanto se sentar aqui debaixo das estrelas, só que cada estrela dançante será vocês mesmos."

“ Como freqüentemente acontece quando os magos falam, os dois cavaleiros se sentiram transportados para o estado que ele estava descrevendo. Galaad ergueu a vista para o céu noturno e teve de repente a impressão de que podia tocar nas estrelas. Uma sensação de verdadeiramente pertencer ao mundo inundou seu coração”.

- Estamos em casa - Percival sussurrou para si mesmo.

- Não se impressionem demais - murmurou Merlim. Esses sentimentos possuem essa intensidade porque são novos para vocês. Na verdade, este é o estado natural de vocês. Estarem unidos ao cosmo, serem íntimos de todas as formas de vida, e finalmente alcançarem a união com seu próprio Ser, este é seu destino, o final da sua busca.

- No final voltaremos ao início - murmurou Galahad.

- Sim, disse Merlim. - Cada um de vocês começa com amor, passa pela luta, paixão e sofrimento, terminando novamente no amor.

“ A voz de Merlim ficou mais suave enquanto o círculo de luz ao redor deles praticamente se extinguia”.


Novamente a palavra “amor” toma parte preponderante da conversa.

Continua - Espirito II

Texto de: Walter Jorge - www.caminhodesantiago.com/walter_jorge.htm
Adaptações: Renis R.

O Nascimento do Observador

Nasceu o Buscador, o Ego que não estava acostumado alguém a ditar normas, sente o seu poder e tenta lutar, procura por todos os meios não perder o que conquistou até aquela data, no entanto o Buscador pensa diferente, ele é um ser altruísta, ele dá sem desejar nada em troca e o Ego não estava percebendo. É como a humanidade que muitas vezes encontra-se cega para determinados atos de Amor e Sabedoria.

O leitor nesse ponto deve parar para refletir e perguntar:

- O que é o Graal? Qual a sua forma?

- Onde o mesmo se encontra?

- Como poderemos alcançá-lo?



Sexta Etapa - O Nascimento do Observador

- Eu lhes disse - prosseguiu Merlim - que a motivação do buscador era ser capaz de ver, e isso logo emerge. A sexta etapa, o nascimento do observador, está logo abaixo da superfície de qualquer buscador. A busca por si só não encerra nenhuma realização; a vida seria seca e frustrante se vocês buscassem e nada encontrassem. Afortunadamente, no plano divino, todas as perguntas trazem consigo suas respostas, todas as metas vêm a serem encontradas na origem. Tão logo você verdadeiramente pergunte. Onde está Deus? Você verá a resposta.

“ Não quero iludi-los aqui. O nascimento do observador é tão revolucionário quanto qualquer um dos anteriores. Ele significa a extinção do ego, a extinção de toda identificação externa”.

“ Imaginem que sua vida é um filme projetado sobre uma tela em branco. Enquanto estiverem dominados pelo ego, vocês se concentrarão nas imagens que se movem e as considerarão reais. Quando o observador entra em cena, vocês começam aperceber a irrealidade delas. Mas com o nascimento do observador, vocês se voltam e olham para a luz. A auto-imagem agora é vista pelo que ela é, uma insignificante projeção transformada em realidade pela necessidade desesperada do ego de atribuir importância à mente e ao corpo restringidos pelo tempo”.

" O observador enxerga através dessa motivação e não mais se deixa influenciar por ela. Em vez de verem a si mesmos como carne e osso abrigando um espírito, um fantasma dentro de uma máquina, vocês compreendem que tudo é espírito. O corpo é espírito amalgamado numa forma que os sentidos podem sentir, ver e cheirar; a mente é o espírito numa forma que pode ser ouvida e compreendida. O espírito, em sua forma pura, não é nenhuma dessas coisas e só pode ser percebido pela intuição refinada. Certamente vocês já ouviram a frase: 'Aqueles que O conhecem não falam Dele; aqueles que falam Dele não O conhecem.' Esse é o mistério do espírito”.

- Mas você não está falando Dele neste exato momento? -perguntou Galahad, parecendo confuso.

- Não da maneira que você possa pensar. Quando falo sobre uma rocha, você pode vê-la e tocá-la. Quando falo do espírito, estou apontando em direção a um mundo invisível. Setas de luz voam desse mundo em direção a nós para inflamar nossas almas, mas não podemos mandar de volta setas de pensamento.

- Isso parece muito misterioso - murmurou Percival.

- A rosa seria misteriosa se você só pudesse pensar nela e nunca experimentá-la. O espírito é uma experiência direta, mas ele transcende este mundo. Ele é o silêncio puro combinando-se ao potencial infinito. Quando você obtém o conhecimento de qualquer outra coisa, você obtém o conhecimento de alguma coisa; quando você obtém o conhecimento do espírito, você se toma o próprio conhecimento. Todas as perguntas cessam porque você dá consigo no útero da realidade, onde tudo simplesmente é. Quando o olhar do observador cai sobre alguma coisa, esta é simplesmente aceita pelo que ela é, sem ser julgada.

“ Não existe uma necessidade do ego de tomar, possuir ou destruir. Na ausência do medo, essas motivações não se manifestam, porque a necessidade de possuir nasce da falta. Quando você não tem nenhuma carência a preencher, simplesmente estar aqui neste mundo, em seu corpo, é a mais elevada meta espiritual que você possivelmente poderia alcançar”.

“ Percival e Galahad ficaram muito impressionados com essa parte do discurso de Merlim. Eles haviam seguido as primeiras etapas com atenção, mas o ego, o empreendedor e o doador já lhes eram familiares. Quando o mago falou sobre o buscador, os dois cavaleiros viram a si mesmos como eram naquele momento. O observador, contudo, encheu-os de admiração, como se fossem exploradores chegando ao topo de uma montanha e examinando um novo e vasto horizonte há muito esperado, porém ainda não experimentado”.

- Eu quero ser esse observador do qual você fala - declarou ardentemente Galahad.

Merlim concordou com a cabeça.

- O que significa que você está pronto para isso. Para o mago só existem três tipos de pessoas: aquelas que ainda não vivificaram o Ser puro, aquelas que o experimentaram, e aquelas que o exploraram completamente. Você o experimentou e agora deseja explorá-lo. Para você este mundo começará a desaparecer como uma coisa sólida e a retroceder na luz esmagadora do Ser. Numa terra distante chamada Índia, as pessoas dizem que a vida comum se torna pálida diante de Deus, como a vela que parecia brilhar num quarto escuro mas se torna invisível quando trazida para o sol do meio-dia. - Ele se voltou para Percival.

- E eu o estou incluindo também neste estágio, não importa como você possa imaginar que eu o julguei.

Percival ficou vermelho e depois gaguejou:

- Como será essa nova vida?

- Como sempre, ela parecerá um novo nascimento. O observador difere do buscador por não mais ter que selecionar e escolher. O buscador ainda está envolvido numa ilusão quando sai por aí dizendo: "Deus está aqui, Deus não está aqui". O observador, por outro lado, vê Deus na própria vida. A longa guerra interior finalmente terminou, e o descanso chega para o guerreiro. Em lugar da luta, você vivência todos seus desejos se tomarem realidade naturalmente e sem esforço. Não existem sinais externos que definam quem são os observadores entre nós, mas interiormente eles se sentem abertos e satisfeitos, eles permitem que os outros sejam quem querem ser, que é a forma mais elevada de amor, não colocam empecilhos às outras pessoas e aos acontecimentos, e abandonaram totalmente o senso egoísta do "eu".


Nasceu o Observador, o Ego extinguiu-se.
Quem virá agora? Qual a surpresa que o Mago nos reservou?

Continua - O Espirito I

Texto de: Walter Jorge - www.caminhodesantiago.com/walter_jorge.htm
Adaptações: Renis R.

O nascimento do Buscador - Parte II

Mais um nascimento, no capítulo anterior o leitor trava conhecimento com o “Nascimento do Buscador”, o homem anseia por experiências espirituais, o amor por mais intenso e profundo que seja por uma outra pessoa não o satisfaz, ele deseja algo divino como que se encontrar frente a frente com DEUS, como se isso fosse possível, os bens materiais ficam relegados em um segundo plano.

Sir Galahad tentando captar os pensamento do Mago chega a dizer:

- Eu acho que é nesse estágio que a busca do Graal começa.

É o momento propício para uma pausa, para uma meditação, temos que olharmos para dentro de nós e sondarmos o nossa eu: O QUE BUSCAMOS?

Estamos satisfeitos com nós próprios?



Quinta Etapa - O Nascimento do Buscador (Segunda Parte)

- Os buscadores alcançam automaticamente as visões e experiências que desejam? - indagou Galahad.

- Todo mundo obtém a versão do divino que concebe na mente. Alguns vêem Deus em visões, outros numa flor. Existem muitos tipos de buscadores. Alguns exigem atos de intervenção e redenção milagrosos, outros seguem uma força invisível que se manifesta nas mais mundanas ocorrências. O buscador é simplesmente motivado pela sede de uma realidade superior. Isso não significa que o estágio anterior de dar desapareça. Mas o dar agora é realizado sem uma motivação egoísta, ele é feito com compaixão.

" Pela primeira vez a exigência do ego de ser onisciente e todo-poderoso é questionada. Por conseguinte, o nascimento do buscador pode ser extremamente turbulento. Imagine-se como uma carruagem conduzida por uma estrada por uma parelha de cavalos. Durante um longo período de tempo, não existe um cocheiro, e os cavalos vieram a acreditar que são os donos da carruagem. Então, um dia, uma voz suave, vinda de dentro da carruagem, sussurra: 'Parem'. No início, os cavalos não escutam a voz, mas ela repete: 'Parem'. Incapazes de acreditar no que estão ouvindo, os cavalos avançam ainda mais impetuosamente, apenas para provar que não têm um amo. A voz interior não emprega a força; ela não protesta. Apenas continua a repetir: 'Parem'”.

"É isso que acontece dentro de vocês. A carruagem é seu eu total, os cavalos o ego, a voz dentro da carruagem o espírito. Quando este último proclama sua entrada em cena, o ego inicialmente não escuta, porque está certo de que seu poder é absoluto. Mas o espírito não utiliza o tipo de poder ao qual o ego está acostumado. O ego está habituado a rejeitar as coisas; está acostumado a julgar, separar e tomar o que ele acha que lhe pertence. O espírito é simplesmente a voz mais tranqüila do Ser, asseverando o que é. Com o nascimento do buscador, essa é a voz que vocês começam a ouvir, mas vocês precisam estar preparados para uma violenta reação do ego, que, afinal de contas, não vai entregar o poder sem lutar."
- Como essa luta chega ao fim se o espírito não tem poder? - perguntou Percival.

- Eu disse que o espírito não utiliza o poder da maneira como o ego está habituado. Com o tempo, vocês aprenderão que o espírito é apenas poder, um poder de alcance infinito. Ele é um poder organizador que mantém cada átomo no universo em perfeito equilíbrio. Comparado com ele, o poder do ego é absurdamente limitado e insignificante. Não obstante, vocês só compreenderão isso depois de terem renunciado à necessidade do ego de controlar, predizer e defender. O poder do ego se limita a essas três coisas. Se o ego pudesse renunciar às três ao mesmo tempo, não haveria necessidade de outras etapas de crescimento; o nascimento do buscador seria suficiente.

“ Entretanto, este não é o caso. A voz do espírito anuncia que existe uma realidade mais elevada. Ascender a essa realidade é outra questão”.

- Isso me faz pensar que os buscadores devem ser raros, considerando-se como é árdua a luta - declarou Galahad. -Muitos devem fracassar e perder a esperança. É por isso que tão poucos nascem para alcançar o Graal?

- Todos nascem para alcançar o Graal - lembrou-lhe Merlim. - O motivo pelo qual os buscadores parecem raros é basicamente uma questão de aparências sociais. A busca é uma experiência completamente interior. É impossível dizer, a partir de indícios externos, quem está buscando e quem não está. A sociedade não oferece distinções ou recompensas especiais para o buscador, que poderá inclusive se retirar ao total isolamento, deixando a sociedade para trás, ou, por outro lado, continuar a viver a vida numa posição elevada.

- Como a pessoa saberá que é um buscador? - indagou Percival.

- As marcas internas do buscador são as seguintes: o dar passa a ser motivado pelo amor altruísta e pela compaixão, sem desejar nada em troca, nem mesmo gratidão; a intuição torna-se um guia fidedigno para a ação, substituindo a rígida racionalidade; a pessoa vislumbra lampejos de um mundo invisível como a realidade superior; surgem sugestões de Deus e da imortalidade. Esses indícios se farão acompanhar de um crescente gosto pela solidão, da autoconfiança em vez da necessidade de aprovação social, da atividade do Ser e de uma disposição para confiar. Os padrões de hábito começarão a desaparecer. A meditação e a prece tomam-se parte da vida cotidiana. E, no entanto, ao mesmo tempo em que todas essas manifestações espirituais os afastam do mundo material, vocês sentirão, paradoxalmente, uma maior ligação com a natureza, mais conforto no corpo e uma maior aceitação das outras pessoas. Isso acontece porque o espírito não é o oposto da matéria. O espírito é tudo, e o surgimento dele na sua vida tornará as coisas melhores, até mesmo coisas que parecem ser opostas.

O Buscador acaba de nascer, e com ele determinadas mudanças no nosso comportamento.

Continua _ O Nascimento do Observador

Texto de: Walter Jorge - www.caminhodesantiago.com/walter_jorge.htm
Adaptações: Renis R.

O nascimento do Buscador - Parte I

Chegamos na Quinta Etapa, para que a mesma não se torne cansativa, e para que possamos ler e refletir com a devida tranqüilidade dividimos a mesma em duas partes. Continuemos a ler o que Deepak Chopra através do Mago Merlim nos procura ensinar.

Anteriormente na Quarta Etapa ou fase, assistimos o “Nascimento do Doador”. O Mago explica a felicidade com base no dar e no receber, fala do amor nesse sublime ato de DAR, e explica a diferença entre o amor e o prazer.

A uma pergunta de Sir. Percival, Merlim informa: “O plano de Deus é que vocês encontrem a si mesmos”.

O que o Mago quis dizer com essas palavras?



Quinta Etapa - O Nascimento do Buscador (Primeira Parte)

- Durante um longo tempo, o ego teve tudo à sua maneira - continuou Merlim. A pergunta: o que é bom para mim? Dominou todas as considerações; o ponto de vista limitado do indivíduo foi o único que pareceu real. Isso é apenas natural. Como eu disse, este mundo relativo tem um objetivo, ensiná-los a se tonarem indivíduos. Mas a individualidade acaba por se abrir e ampliar seus horizontes. Vocês poderiam prever que em virtude do livre-arbítrio, os seres humanos se tornariam cada vez mais egoístas. Se o ego indiferente e controlador tivesse a última palavra, talvez esse fosse seu destino, mas a alquimia trabalha de forma invisível, nas passagens estreitas da alma”.

" No devido tempo, o doador dá o passo seguinte e avança em direção ao buscador. Nesta fase, os interesses antigos e familiares do ego são postos de lado. O senso do 'eu' começa a se expandir. Agora a pessoa começa a ansiar por experiências espirituais, sentindo uma fonte de amor e realização que mesmo o mais intenso amor de outra pessoa não é capaz de proporcionar. Uma vez mais, essa reviravolta acontece como um choque”.

“ Em sua melhor expressão, o doador é um filantropo. Ele começou dando apenas para a família e para os amigos, depois para obras de caridade ou para a comunidade, mas no final o espírito de dar só consegue se satisfazer quando todos os seres humanos são beneficiados”.

" Mas é realmente possível vocês se darem para todas as outras pessoas do mundo? Esta pergunta os leva ao limite da individualidade; é a pergunta que só um santo pode responder. É natural, portanto, que o estágio de dar levante questões que ele não pode responder, preparando assim o caminho para um novo nascimento. O doador que queria abraçar o mundo agora descobre que o mundo não é mais uma fonte de realização. As coisas que antes lhe proporcionavam prazer começam a parecer monótonas; em particular, a necessidade de aprovação e importância pessoal do ego não mais conferem satisfação. Surge a sede de ver o rosto de Deus, de viver na luz, de explorar o silêncio da consciência pura: o impulso do buscador pode assumir muitas formas.

" E, contudo, todos os buscadores compartilham o sentimento de que o mundo material não parece ser o lugar no qual seus desejos podem ser realizados. Por quê? Deus não está em toda parte, o espírito não se encontra no mais minúsculo grão de areia? Sim e não. Deus pode estar em toda parte, mas este fato não lhes traz nenhum beneficio se vocês não puderem ver onde Ele está. O buscador procura para poder ver”.

- Eu acho que é nesse estágio que a busca do Graal começa - declarou Galahad.

- Para alguns mortais, de fato, é então que o Graal se torna um símbolo para uma profunda necessidade interior, replicou Merlim - mas cada estágio foi uma busca, até mesmo a perda da inocência. Vocês, mortais, são obcecados por dividir a realidade em bem e mal, santo e pecador, sublime e não sublime, quando na verdade a vida é um fluxo divino. Um único impulso, o impulso de possuir o completo conhecimento e a completa realização, é que o que faz a vida seguir adiante.

" E, contudo, sob um certo aspecto você está certo. Com o nascimento do buscador, podemos, pela primeira vez, nomear um desejo que até agora não tinha nome. Não importa que o nome seja Deus, o Graal, o Ser divino ou espírito. Todos apontam em direção a uma vida universal. O mundo parece ser limitado pelo tempo e espaço, mas isso é apenas uma aparência”.

- Por que temos que ser enganados pelas aparências? - perguntou Percival.

- O universo não está escondendo nada de nós – respondeu Merlim. - Você não está sendo iludido. A aparência de limitações surge porque este mundo é uma escola, ou campo de treinamento. E a regra básica que existe nele é que você verá o mundo como vê a si mesmo. Se você se vê como carente ou indigno, é esse julgamento que manterá Deus afastado de você. Você poderá dizer que quer Deus, mas ao mesmo tempo deseja conservar dentro de si todas essas críticas que você faz a si mesmo.

- Então Deus permanece afastado - lamentou-se Galahad. - E a busca do Graal torna-se eterna.

Merlim lançou lhe um olhar complacente.

- O espírito não poderia ficar afastado de você mesmo que ele quisesse, porque tudo é espírito. Não existem lugares secretos onde ele não viva. Deus, na verdade, não vê nada errado em você.

" Quero falar mais a respeito do buscador, pois este é o estágio da alquimia que atrai o mago para vocês, e também é o estágio para o qual os mortais estão menos preparados. Desde que eram bebês, vocês sempre desejaram cada vez mais. O buscador é simplesmente aquele cujos desejos se expandiram tanto que só serão satisfeitos se encontrarem Deus frente a frente. Esse não é um desejo 'mais elevado' do que querer brinquedos, dinheiro, fama ou amor. Os brinquedos, o dinheiro, a fama e o amor eram a face de Deus quando eram as coisas mais importantes para vocês. Qualquer coisa que vocês acreditem que irá lhes conferir a paz e realização finais é sua versão de Deus. À medida que avançam de uma fase para outra, contudo, vocês se aproximam da verdadeira meta; sua imagem de Deus torna-se mais verdadeira, mais próxima da natureza Dele como espírito puro. No entanto, cada etapa é divina”.

- Você está dizendo que alguém que queira roubar ou cometer um assassinato está seguindo um impulso divino? Afinal de contas, esses também são desejos - disse Percival.

- O amor é universal, e, por conseguinte, não toma partido - replicou Merlim. - O ego pode não gostar desse fato. Ele pode dizer: "Eu mereço o amor de Deus, mas aquela pessoa não merece". Esta não é a perspectiva de Deus. O ladrão inflige a perda da propriedade; o assassino, a perda da vida. Enquanto essas perdas forem reais para você, é claro que você condenará a pessoa que as causou. Mas o tempo também não irá roubar sua propriedade e, no final, sua vida? O tempo também é um criminoso? Existe uma perspectiva que encara o pecado como uma ilusão. Nada que você chame de pecado pode macular, mesmo que infimamente, o amor de Deus.

- Os buscadores alcançam automaticamente as visões e experiências que desejam? - indagou Galahad.

Continua - nascimento do buscador II

Texto de: Walter Jorge - www.caminhodesantiago.com/walter_jorge.htm
Adaptações: Renis R.

quinta-feira, 5 de novembro de 2009

O Nascimento do Doador - Quarta Etapa



No capítulo anterior tomamos conhecimento com o “Nascimento do Empreendedor” e com ele a nossa consciência, o nosso livre arbítrio, o nosso ego se avoluma. A sede da fama e da fortuna sobrepuja o verdadeiro objetivo da busca, o apetite do empreendedor não tem limites. Nesse ponto perguntamos: Onde está a felicidade? E ele conclui perguntando baixinho: Onde está o amor? Onde está o ser?

É um momento de reflexão para todos nós, pois a existência do Criador foi esquecida.

A sede pelo conhecimento está presente em nosso ser, à leitura entra em um terreno escorregadio, não podemos parar, continuemos com a mesma.

O que o Mago nos reserva?

Quarta Etapa - O Nascimento do Doador

- Com o tempo o ego descobre uma nova noção - acrescentou Merlim. -, ou seja, que a felicidade não repousa apenas em dar, mas também em receber. Esta é uma descoberta importantíssima, pois liberta o ego de muitos tipos de medo. Existe o medo do isolamento, ao qual o completo egoísmo necessariamente conduz. Existe o medo da perda, que surge porque vocês não podem se agarrar a tudo para sempre. Existe o medo dos inimigos, aqueles que querem tomar de você.

“ Ao tornar-se um doador, o ego não precisa conviver com esses medos, pelo menos não tanto quanto antes. Um problema insistente foi resolvido. Mas também existe algo mais profundo em funcionamento. O ato de dar une duas pessoas, a que dá e a que recebe. Esta união dá origem a uma nova sensação de pertencer; não o pertencer passivo do bebê que automaticamente pertence à mãe, mas o pertencer ativo de alguém que aprendeu a criar a felicidade”.

" Dar é criativo, e também vira a perspectiva do ego de cabeça para baixo. Antes de o doador nascer, a proteção contra a perda era extremamente importante. Isso significava a perda de dinheiro e posses, mas também a perda da auto-imagem, a perda da importância. Agora a pessoa abre livremente mão de alguma coisa, mas não sente que perdeu alguma coisa. Em vez disso, o ego sente prazer. Isso é impressionante, porque o prazer de tomar nunca foi assim”.

Galahad parecia pensativo.

- O amor entrou no coração. Essa é a diferença.

- É verdade - disse Merlim. - Enquanto o ego persegue o interesse pessoal, ele não sente amor. Ele pode sentir um intenso prazer, auto-satisfação ou apego. Esses sentimentos são às vezes chamados de amor, mas na natureza o amor é altruísta, e é preciso um ato altruísta para suscitar o amor. Dar não está limitado a dar dinheiro ou coisas para uma outra pessoa. Existe também o serviço, o dar de si mesmo, e a devoção, a mais pura forma de dar amor.

" Por todos esses motivos, o nascimento do doador transmite uma sensação nova e libertadora. Embora o ego ainda esteja no comando, ele começou a olhar para fora de si mesmo. Quase todas as pessoas aprendem o prazer de dar quando bem pequenas; a maioria dos pais ensina os filhos a dividir as coisas com outras crianças. No entanto, o verdadeiro nascimento do doador pode acontecer somente muito mais tarde. Enquanto você estiver dando porque lhe disseram para fazê-lo, ou porque você acha que dar é a coisa correta a ser feita, você não sentirá o profundo prazer de dar. Dar precisa ser espontâneo, nascer do sentimento 'É isso que eu quero fazer', e não 'É isso que eu devo fazer' “.

- Quando a pessoa começa a dar, isso é um indício de que o ego está morrendo? - perguntou Percival.

Merlim franziu as sobrancelhas.

- Na alquimia não existe a morte. Nada precisa perecer para alcançar o Graal. Essa antiga noção da morte do ego pressupõe que existam coisas a respeito de vocês que Deus condena.

- Mas você acabou de dizer que o ego é controlador e indiferente - objetou Percival. - Isso faz parte do plano de Deus para nós?

- O plano de Deus é que vocês encontrem a si mesmos - disse Merlim. - Vocês não estão simplesmente destinados a atingir uma meta predeterminada. Se vocês quiserem explorar como é ser egoístas, ignorantes, homicidas ou totalmente destituídos de fé, Deus permite todas essas experiências. Por que não deveria Ele permitir? Como vocês não são julgadas, nenhumas das suas ações é boa ou má aos olhos de Deus.




- Mas isso é chocante - declarou Galahad. - Você está querendo dizer que um assassino e um santo são iguais?

- Eles são iguais se o pecador e o santo forem apenas máscaras que você veste - retrucou Merlim. - O santo nesta vida pode ser o pecador em outra, e o pecador de hoje pode estar aprendendo a ser o santo de amanhã. Todos esses papeis são ilusões aos olhos de Deus. Não estou dizendo que vocês precisam se obrigar a adotar essa perspectiva. Mas vocês me pediram orientação, e preciso lhes mostrar o que está adiante no caminho.

O Nascimento do Doador merece de nossa parte uma reflexão.

Continua - Nascimento do Buscador I

Texto de: Walter Jorge - www.caminhodesantiago.com/walter_jorge.htm
Adaptações: Renis R.

O Nascimento do Empreendedor - Terceira etapa



O Mago continua a falar, no capítulo anterior aborda a Segunda Etapa a fase do “Nascimento do Ego”, explica que nessa fase ou etapa, o bebê passa a tomar conhecimento das coisas que o cerca, nasce o ego, aparece o “eu” e aí ele toma conhecimento do medo pelo abandono, sente necessidade da aprovação dos seus atos, a possessividade aparece bem como a ansiedade da separação. Aparece à preocupação consigo e a auto comiseração, o bebê passa a conhecer a dor.

Os cavaleiros ouvem atentamente as palavras do Mago, nesse ponto da leitura temos de parar e pensarmos um pouco sobre esse nascimento, o nascimento do nosso EGO.

Continuemos com essa fascinante leitura.



Terceira Etapa - O Nascimento Do Empreendedor

- Quando surge o ego - prosseguiu Merlim - você passa a ter um mundo “lá fora”, e uma nova tendência emerge, o anseio de sair pelo mundo e fazer realizações. Os primeiros indícios dessa mudança são primitivos. O bebê quer agarrar as coisas e segurá-las; ele quer fazer sozinho suas explorações, sempre certificando-se de que a mãe está por perto. Logo ele quer andar e protesta se sua mãe não permite que ele o faça. Esse desejo de escapar e perambular são tímidos no início. Mas com o tempo, o mesmo bebê que ansiava para que o segurassem e o protegessem grita para que o soltem. Trata-se de um instinto saudável, pois o ego sabe que o desconhecido é a fonte do medo. Se o bebê não saísse para conquistar o mundo, ele passaria a temê-lo cada vez mais.

“ Estamos agora nos afastando cada vez mais da sensação de paz, unidade e confiança com a qual vocês nasceram. O ego começa a dominar o espírito. Quando o bebê se volta para dentro de si para sentir o que existe ali, ele já não mais encontra a consciência pura; em vez disso, encontra um turbilhão de memória. As experiências se tornam pessoais, e nunca serão de novo completamente compartilhadas”.

- Outra história triste - lamentou-se Percival.

- Se ela parasse aqui, sem dúvida - disse Merlim - Mas o nascimento do empreendedor lhe conferiu confiança e a sensação de que você é único. Este mundo de objetos e eventos diz respeito a uma única coisa: a individualização. O ego é necessário para que isso aconteça, pelo menos no caminho que vocês, mortais, escolheram.

- Nem todo mundo é um empreendedor. Essa etapa é realmente necessária? - perguntou Galahad.

- Nem todas as pessoas valorizam o sucesso acima de tudo ou se identificam com o dinheiro, o trabalho e o status - disse Merlim. - Mas o anseio do empreendedor é mais simples, mais básico do que isso. É a marca do ego em ação, provando a si mesmo que a separação é suportável. De fato, o nascimento do empreendedor torna este mundo onde estamos um lugar alegre, cheio de coisas para fazer e aprender. Em algumas pessoas o empreendedor perdura um tempo extremamente longo. A sede da fama e da fortuna sobrepuja o verdadeiro objetivo da busca. Mas Deus permite o total livre-arbítrio, e se a pessoa chega à conclusão que o mundo "lá fora" é mais importante do que ela, o anseio pela fama e pela fortuna segue-se necessariamente.

" O ego, na visão do mago, não oferece nenhuma possibilidade de realização. Ele é controlador e indiferente. 'Escute-me', diz ele, 'e agarre tudo que você puder para você mesmo. Isso é que é felicidade.' Todos vocês, mortais, seguem esse conselho durante algum tempo. Tampouco existe nele qualquer prejuízo do ponto de vista de Deus, porque a confiança Dele no livre arbítrio vem a ser o caminho mais sábio”.

" Dificilmente preciso lhes dizer que essa terceira etapa permanece com vocês, porque enquanto o ego estiver presente, o empreendedor também estará. O empreendedor nunca satisfaz seus apetites. Afinal de contas, não existem limites para as experiências que vocês podem acumular; o mundo é infinito em sua diversidade. Mas à medida que se desenvolve, o ego abafa o espírito com diferentes camadas, de riqueza, poder, auto imagem, até que uma voz começa a perguntar baixinho: ‘Onde está o amor? Onde está o ser?’ A quarta etapa, outro nascimento vem a seguir”.
Quem será que irá nascer?

Continua - O Nascimento do Doador

Texto de: Walter Jorge - www.caminhodesantiago.com/walter_jorge.htm
Adaptações: Renis R.

O Nascimento do Ego - Segunda Etapa




Com os ouvidos atentos, os dois cavaleiros ouviram o Mago Merlim discorrer sobre a primeira etapa – “A Inocência”. Fala daquele bebê que vem ao mundo desconhecendo o seu passado e o seu futuro, ele vive o presente, são completamente inocentes.

Será que possuímos um pouco dessa inocência no nosso interior? Vamos procurar.

A leitura está fascinando, vamos continuar desvendando os mistérios do Graal através das palavras do Mago. Passamos pela primeira e vamos à segunda etapa.

O que será que o Mago irá nos trazer? Continuemos com a nossa leitura.

Segunda Etapa - O Nascimento do Ego

- A etapa seguinte - continuou Merlim - anuncia a entrada em cena do ego, o senso do "eu". Para ter o "eu", você também precisa ter o "você" ou o "ele". O nascimento do ego é o nascimento da dualidade. Ele marca o início dos opostos e, por conseguinte, o início da oposição. Cada nova etapa na alquimia derruba a anterior, virando seu velho mundo de cabeça para baixo, mas esta revolução é talvez a mais chocante. Você não é mais um Deus!

" Imagine um ser que se sente onipotente neste mundo. Em todos os lugares para onde olha, ele só vê um reflexo de si mesmo. De repente, as pessoas e as coisas começam a ser vistas como criações separadas. Nenhum de vocês se recorda desse evento dilacerador porque ele aconteceu quando vocês ainda eram bem pequenos. No entanto foi uma mudança fundamental, que importou num novo nascimento. Vocês eram felizes como deuses, e agora vocês nascem na mortalidade."

- Foi também um nascimento para a dor - disse Percival. - Esta etapa era absolutamente necessária?

- Oh, sem dúvida. Sementes e tendências, eu lhes disse. Quando a curiosidade do bebê atrai sua atenção para fora de si, o que ele vê? Primeiro o rosto da mãe. No plano da natureza, o bebê reagirá automaticamente à mãe como uma fonte de amor e carinho. Mas é uma fonte externa ao bebê em si. Aí está a armadilha, pois por mais perfeito que seja o amor materno, ele não é o amor por si mesmo, e durante muitos anos vocês irão suspirar a perda do amor perfeito, para um dia compreender que estão com saudades do seu próprio eu antes de qualquer outra pessoa entrar em cena.

" No início não havia separação. Quando o bebê tocava o seio da mãe, o berço ou a parede, todas essas coisas pareciam fazer parte de uma única sensação fluente, indivisa. Logo, contudo, todo bebê passa a perceber que existe outra coisa além dele mesmo, o mundo exterior. O ego diz: Isso sou eu, aquilo não sou eu. Depois, aos poucos, certas coisas passam a se identificar com o ”eu”: minha mamãe, meus brinquedos, minha fome, minha dor, minha cama. Assim que surgem as preferências, passa a existir todo um mundo que não sou eu, nem minha mamãe, nem meus brinquedos, e assim por diante."

- Não consigo me lembrar desse nascimento, como você o chama - disse Percival. - Mas se o que você diz é correto, então deve ser aqui que a busca do Graal começou. Onde mais ela poderia começar a não ser na separação?

- E verdade. Enquanto você se sentia divino, não havia necessidade de uma busca para recuperar a bênção de Deus - Merlim concordou. - Na separação, você começou a procurar a si mesmo nos objetos e eventos. Você perdeu a habilidade de ver a si mesmo como a verdadeira fonte de tudo que existe, porque o bebê não estava errado ao se ver como a verdadeira fonte da vida. Quando você começou a explorar o mundo exterior e seus objetos se tomaram fascinantes, você ligou sua felicidade a eles. Isso se chama referência do objeto, que veio substituir a referência a si mesmo do bebê.

- E essa etapa também não foi perdida quando a criança continuou a seguir em frente? - indagou Galahad.

Nada jamais é perdido. O nascimento do ego deu origem a aspectos que você ainda pode sentir em si mesmo: o medo do abandono, a necessidade de aprovação, a possessividade, a ansiedade da separação, a preocupação consigo mesmo, a autocomiseração. Você se viciou no mundo, e continua viciado até hoje, porque você deixou de ser satisfeito da maneira simples como o bebê o é. Mas não se desespere, porque uma força mais profunda estava em funcionamento debaixo dessas mudanças.

O nosso EGO acaba de nascer o que o Mago estará reservando para nos contar?

Continua - O nascimento do Ego - Terceira Etapa

Texto de: Walter Jorge - www.caminhodesantiago.com/walter_jorge.htm
Adaptações: Renis R.

Inocência

A despeito do comportamento de Sir Percival para com o Mago no capítulo anterior, o diálogo continuou. O Mago Merlim começa a falar sobre o Graal despertando ainda mais o interesse dos cavaleiros sobre o assunto. Eles bebem as suas palavras, quando, de repente, o mago exclama: “o caminho em direção à liberdade e à realização encerra sete etapas de alquimia”. O silencio paira entre eles. O que o Mago quis dizer com a referida frase?

Continuemos com a nossa leitura, vamos agora tomar contato com as sete etapas mencionadas pelo Mago Merlim.



Primeira Etapa - A Inocência

- Vocês nasceram num estado de inocência. De todos os ingredientes utilizados pelo alquimista, este é o mais importante. O bebê recém-nascido não questiona sua existência; ele vive na auto-aceitação, na confiança e no amor. A voz insistente da dúvida ainda não é ouvida.

" Quando você olha nos olhos de um bebê, você enxerga muito pouca individualidade. A pergunta Quem sou eu? É inexpressiva para um bebê. Em vez disso, o que brilha através dele é a própria consciência, a fonte de toda sabedoria. O bebê vem ao mundo a partir da fonte da vida, e se desliga gradualmente dessa fonte. Durante algum tempo o bebê permanece banhado pelo intemporal. Ele não tem nenhum conceito de passado ou futuro, somente de um presente que se desenrola. É esse o significado de viver na eternidade, pois o que é o eterno senão o momento presente que está sempre se renovando? A própria promessa do Graal, a vida imortal, já é desfrutada pelo bebê, visto que viver no intemporal é o segredo da imortalidade."

- Se isso é verdade - comentou Galahad gravemente então por que não somos todos imortais desde que nascemos?

- Sementes e tendências - respondeu Merlim. - Todo bebê tem a tendência de se deslocar do mundo intemporal para o mundo das horas, dias e anos; do silêncio do mundo interior para a atividade do mundo exterior; do envolvimento consigo mesmo para o envolvimento com todas as coisas fascinantes que o cercam. Observe um bebê em suas primeiras semanas de vida.

Você pode ver a atenção dele ser atraída para esse surpreendente mundo novo no qual ele se encontra. E assim começa a alquimia, a constante transformação que sustentará cada alento dele em todos os anos seguintes.

" O bebê não é um anjo, sua pureza tem vida curta. O bebê sente dentro de si as primeiras pontadas de medo, desconfiança e dúvida. Quando o bebê deixa seu estado de inocência, ele emerge num mundo mais duro de pancadas e machucados. Começam a surgir desejos que não são imediatamente satisfeitos; pela primeira vez, a dor é vivenciada”.

" Vocês, mortais, chamam isso de descer do estado de graça, mas vocês estão errados. A graça opera em cada passo da existência humana, embora a limitada percepção de vocês possa impedi-los de vê-la”.

- Por que essa história triste é semelhante à alquimia? Indagou Percival, ainda sentindo-se cético.

- Porque existe uma magia oculta em funcionamento respondeu Merlim. - Quando o bebê cresce, sua inocência original não se perde realmente. O que acontece é ainda mais misterioso. A inocência permanece intacta num estado de pureza e totalidade que você simplesmente esquece. Você agora vive em fragmentos. Para você, o mundo é limitado; seu senso do eu está completamente envolvido com as experiências e memórias individuais que você acumulou.

" Ao esquecer a totalidade você pareceu deixar escapar quem você era, mas isso é uma ilusão. Você não sente nem age como um recém-nascido, mas sua essência permanece. Na realidade, a totalidade não pode ser fragmentada; a verdade não pode ser prejudicada pela inverdade. Sua perda de inocência foi um evento real que ao mesmo tempo não encerra nenhuma realidade. As forças da alquimia estão em ação além do que você consegue ver, ouvir ou tocar”.

- Como posso ter certeza de que essa inocência está realmente presente? - perguntou Galahad.

- Se você quiser entrar em contato com a inocência que existe dentro de você, procure pelas características do bebê: vivacidade, curiosidade, uma sensação de assombro, a certeza de que você é querido na terra, o sentimento de viver na paz perfeita do intemporal. Todos os bebês sentem essas coisas.

O Mago acaba de fala sobre a primeira etapa, a Inocência.
O que será que ele está nos reservando para a segunda etapa?

Continua - O nascimento do Ego segunda etapa

Texto de: Walter Jorge - www.caminhodesantiago.com/walter_jorge.htm
Adaptações: Renis R.

Conversas entre Caval(h)eiros - Parte II




A primavera se aproxima, no capitulo anterior encontramos Sir Percival e Sir Galahad que, no seio da floresta efetuavam os seus retiro espiritual, quando, de repente, o Mago Merlim aparece demonstrando todo o seu poder, então um dialogo tem início e a palavra do Graal aparece.
Vejamos o que tem o Mago Merlim a dizer.
Continuemos com a nossa leitura.

- Você reconheceu quem eu era sem apresentações tolas, e agora você quase consegue ler minha mente. Bastante prometedor - disse Merlim.

Com sua modéstia natural, Galahad baixou o olhar para o chão, esperando que Percival não ficasse com inveja desse elogio que ele não procurara.

- Seu rei falou acertadamente, você sabe - disse Merlim. - O Graal não é uma coisa que se possa perseguir a cavalo como uma raposa. Ele não é feito de ouro ou pedras preciosas, e, por conseguinte, não traz nenhum beneficio a quem o guarde em segredo. E possuí-lo não confere à pessoa a bênção de Deus, o mesmo ocorrendo se a pessoa não possuí-lo.

Percival, que estava ficando cada vez mais agitado, finalmente interrompeu:

- Como você pode dizer isso? O Graal deve conferir a bênção de Deus.

Merlim interrompeu-o com um olhar contundente.

- Meu caro palerma, se o mundo todo foi criado por Deus, como poderia qualquer parte dele, por mais remota ou insignificante, ser menos abençoada do que outra?

- Mas existe um Graal, não existe? - perguntou Galahad. O rei nos disse que você o protege.

Merlim fez que sim com a cabeça.

- Protejo o que não precisa de proteção, oriento a busca que você não pode empreender a lugar nenhum, e no final estarei presente quando você encontrar o Graal, embora você não vá ver nem a mim nem a ele.

Merlim parecia muito feliz com esse enigma e calmamente soltou uma baforada de fumaça pela boca, como se o tabaco já tivesse sido descoberto.

Percival levantou-se de repente.

- Bem, se eu sou o palerma aqui, vou me retirar.

O comportamento de Merlim suavizou-se um pouco.

- Você é o que você é, o que parece muito bom aos olhos de Deus e bastante raro neste mundo sem esperanças - murmurou ele. - Tome seu lugar, por favor.

Percival, ainda um tanto zangado, aquiesceu a esse pedido delicado.

- Não me aproximei de vocês por acaso. Estou aqui para conduzi-los ao Graal declarou Merlim.

- Existe uma regra que não pode ser desobedecida: quando o discípulo está pronto, o mestre aparece. O que vocês desejam saber, eu posso ensinar. Meus primeiros comentários não foram rudes nem místicos. Quero apenas eliminar das suas cabeças quaisquer sonhos errôneos que possam ter com relação ao objeto da sua busca.

Com um movimento da mão, Merlim fez com que o anel de fogo se reduzisse a uma incandescência opaca, e seus traços mal ficaram visíveis à luz das brasas. Os dois cavaleiros o viam basicamente como uma longa sombra coroada de cabelos brancos iluminados pela lua que subia no céu.

- A busca que traz o Graal como prêmio não é uma jornada do tipo que os cavaleiros ignorantes anseiam por empreender. Ela é uma jornada interior, uma busca da transformação. Vocês já ouviram falar numa coisa chamada alquimia? - Percival e Galahad inclinaram afirmativamente a cabeça, figuras indistintas esboçadas pela escuridão mais profunda. - A alquimia é a arte da transformação - prosseguiu Merlim - e quando suas sete etapas forem concluídas, somente então, vocês serão capazes de reclamar o Graal.

- Sete etapas? - perguntou Percival. - Então afinal o Graal é feito de ouro, pois eu sei que os alquimistas...

- Sofismas e tolices. Vocês conhecem muito poucos, ou nada, a respeito dessa arte, e, no entanto a vêm praticando diariamente desde o dia em que nasceram - replicou Merlim. - Todo bebê nasce um alquimista, depois deixa escapar a arte, apenas para recuperá-la mais tarde.

Percival compreendeu que o mago iria continuar a recorrer a enigmas se ele insistisse em duvidar dele; por conseguinte, o cavaleiro sabiamente acomodou-se e ficou escutando.

- O maior desperdício da existência - disse Merlim - é o desperdício do espírito. Cada um de vocês, mortais, veio ao mundo para procurar o Graal. Ninguém nasce com mais privilégios do que outro; o mago percebe que todo mundo é criado para alcançar a liberdade e a realização.

- Eu já não sou livre? - indagou Percival.

- No sentido mais simples é, uma vez que você não está sendo mantido prisioneiro de ninguém, mas estou me referindo à liberdade num sentido mais profundo: a habilidade de fazer qualquer coisa que você queira quando bem entender - replicou Merlim. - E existem níveis ainda mais profundos. Como você deve admitir, você é o tempo todo prisioneiro do seu passado, suas lembranças criam o condicionamento que literalmente dirige sua vida. Se você estivesse livre do passado, você poderia ingressar em infinitas possibilidades, rompendo a barreira do conhecido a cada momento. O Graal é apenas uma promessa visível de que essa perfeição existe. Vocês compreendem?

Agora que se entusiasmara pelo assunto, o mago não esperou pelo assentimento deles.

- Eu disse que o caminho em direção à liberdade e à realização encerra sete etapas de alquimia. A primeira etapa começa no nascimento, as seguintes seguem-se na infância, e as restantes são deixadas para vocês. Vocês são sempre protegidos no plano divino, mas à medida que crescem é permitido que sua vontade e seu desejo aumentem. Quando bebês, vocês eram puros bastante para alcançar o Graal, mas muito ignorantes para saber da existência dele. Quando adultos vocês conhecem a meta, mas já fecharam o caminho que leva até ela. Foi a introdução do livre-arbítrio que fez com que vocês deixassem escapar o Graal, mas, no entanto ele também é o meio pelo qual irão recuperá-lo no final.

Temendo que Percival pudesse começar a apresentar objeções, Galahad rapidamente apartou:

- Você pode nos mostrar as sete etapas?

Marlim deixou que um leve sorriso de entendimento passasse pelos seus lábios antes de inclinar a cabeça em sinal de assentimento.

O Mago Merlim inicia a sua conversa sobre o Graal, os cavaleiros estão atentos para as suas palavras. O que será as etapas a que o mesmo aludi?

Continua - Inocência

Texto de: Walter Jorge - www.caminhodesantiago.com/walter_jorge.htm
Adaptações: Renis R.

Conversas entre Caval(h)eiros - Parte I



Certa noite, no início da primavera, quando os campos degelavam e junquilhos, não mais compridos do que uma unha, floresciam entre as rosas de Natal que murchavam, uma fogueira podia ser vista a uma grande distância fora dos muros do castelo. Ao redor dela sentavam-se Sir Percival e Sir Galahad, que haviam prometido fazer juntos um retiro santo. Era cedo demais para que esse retiro tivesse lugar no seio da floresta, onde a última neve do inverno ainda se acumulava em montes sujos debaixo da sombra das árvores, de modo que os dois cavaleiros rezavam e jejuavam numa pequena tenda, visível dos aposentos do rei.

- Certa vez confundi meu sonho de conquistar o Graal com uma fantasia fútil - começou Percival. - Todo cavaleiro quer ser o primeiro entre os paladinos, mas durante anos voltei às costas para meu desejo, considerando-o um joguete do meu orgulho. Mas eu lhe digo, Galahad, minha alma arde por essa coisa.

- O rei afirma que o Graal não é uma coisa - lembrou o cavaleiro mais jovem.

- Ele também diz que Merlim o trouxe para a Inglaterra. Você mesmo o ouviu dizer isso, não ouviu?

A voz de Percival soou com uma sugestão de desafio, e Galahad simplesmente fez que sim com a cabeça. Algumas vezes a prece e a penitência acendiam mais chamas do que apagavam, pensou ele. Certamente Galahad tinha que admitir que compartilhava o crescente desejo de Percival.

- Se alguém está destinado a conquistar o Graal, sem dúvida tem que ser um de nós - disse ele, atirando no fogo alguns galhos secos de aveleira e observando-os flamejar. - Somos o único grupo de cavaleiros que realmente vivem para defender a paz e não apenas para fazer ataques de surpresa nos campos e disseminar o terror. Não sei se meu coração é suficientemente puro para alcançar o Graal, não sou tão vaidoso ou tolo a ponto de acreditar que ele deva cair nas minhas mãos, mas meu coração sofrerá enquanto eu não tentar.

Naquele momento os dois homens ouviram o ruído de passos rachando a fina camada de gelo que ainda cobria o solo perto deles. Ficaram tensos, esperando que o estranho se identificasse, quando uma voz levemente zombeteira disse:

- Não se assustem, e por favor concedam-me partir em segurança. Preciso de lume, se vocês puderem compartilhar o seu comigo.

Percival olhou para Galahad, e depois disse na escuridão:

- Vá saindo e acenda seu fogo. Isto é um retiro de dois cavaleiros que durante algum tempo não devem ter contato com as impurezas do mundo.

Eles receberam como resposta um riso zombeteiro.

- Acender meu fogo, vocês disseram? É o que farei então.

Antes que essas palavras acabassem de ser ditas, Percival pôs-se de pé assustado, pois o chão debaixo dele se inflamara. Galahad olhou assombrado em volta ao notar que um círculo de fogo agora os rodeava, subindo da terra congelada. Antes que ele pudesse gritar, uma figura alta, macilenta como um velho abeto, atravessou as chamas aproximando-se deles.

- Merlim - disse Galahad, controlando suas emoções. - O que o traz aqui após tanto tempo?

- Sem dúvida não seu amigo insolente - retrucou Merlim, fitando Percival, que tentava manter um mínimo de dignidade possível para um homem que está com o traseiro em chamas.

-Sente-se, sente-se - acenou o mago.

Percival sentiu a dor embaraçosa desaparecer, e sentou-se ao lado de Galahad, tendo Merlim à sua frente. Nenhum dos dois o vira antes, mas a descrição de Arthur fora precisa, inclusive a de seus chinelos pretos surrados, de pele de toupeira, bordados com fios de lã.

- Não fique olhando para mim - disse Merlim. - Estou pensando.

- Em quê? - perguntou Percival.

- E não me interrompa - foi tudo que o mago teve a dizer em resposta.

Depois de um instante, sua expressão um tanto dura suavizou-se.

- Sim, acredito que você esteja dizendo a verdade. O único problema agora é o que fazer a respeito.

- A verdade sobre o Graal? - perguntou Galahad. Certamente queremos empreender essa busca.
Merlim examinou-o com um olhar de aprovação.

O que o Mago Merlim terá para dizer aos cavaleiros em seu retiro espiritual?

Continua...

Texto de: Walter Jorge - www.caminhodesantiago.com/walter_jorge.htm
Adaptações: Renis R.

Uma breve história - Introdução

Deepak Chopra é um médico indiano, endocrinologista, professor universitário e ex-chefe do Memorial Hospital de Nova York, atualmente Deepak Chopra dirige a clínica The Chopra For Well Being, em La Jolla na Califórnia.

Deepak Chopra é um dos mais celebre gurus da atualidade, discípulo de Maharishi Mahesh Yogi, escreveu dentro outros, os livros: “O Retorno de Merlim” e “O Caminho do Mago”, onde, viajando no universo de Camelot do tempo do rei Arthur, procura abandonar o trivial e o monótono para avançar em direção ao tipo de significado que temos pela tendência de relegar ao mito determinados assuntos, mas que, na verdade, esta bem ao nosso alcance, procurando nos conduzir ao autoconhecimento e, em última instância, ao segredo da imortalidade.

Vamos iniciar a sua leitura e esperamos que saibam extrair do mesmo determinados ensinamentos, a dificuldade está em procurarmos com a devida tranqüilidade, lermos o que existe nas suas entrelinhas e darmos a devida e correta interpretação se é que as possamos dar.


A época do rei Arthur, nenhuma aventura despertava maior paixão do que a procura do Santo Graal. Cada um dos cavaleiros do rei Arthur sonhava em conquistar esse impalpável troféu, que traria a proteção e a bênção de Deus para seu rei. Era comum ver-se cavaleiros cumprindo penitência para receber uma visão do Graal, e os pintores competiam uns com os outros para tornar cada quadro da Última Ceia mais esplêndido do que o anterior.

- É praticamente impossível convencer os mortais de que as buscas nunca são de coisas externas, por mais sagradas que sejam - dissera Merlim certa vez a Arthur. Ele se lembrava dessas palavras sempre que a febre do Graal chegava ao auge, o que normalmente acontecia nos longos e sombrios meses do inverno, quando os cavaleiros ficavam entediados e inquietos. Os mais jovens, em particular, estavam eternamente querendo partir em direção a Terra Santa, ao castelo de Monsalvat ou a qualquer lugar, mítico ou real, onde o Graal pudesse estar guardado.

O rei se mantinha à parte desse fervor.

- Se você quiser ir... - dizia ele, a voz diminuindo de intensidade.

- O quê? Você não acredita no Graal? - perguntou impetuosamente Sir Kay. Por ter sido certa vez considerado irmão do rei, antes de Artur ter arrancado a espada da pedra, Kay tomava certas liberdades que ninguém mais ousava tomar.

- Acreditar? Suponho que você teria que dizer que acredito - replicou calmamente Arthur -, mas não da maneira como você pensa, e tampouco da maneira que você acredita.

Essa resposta foi por demais sutil para Kay, que mordeu o lábio para não fazer uma pergunta ainda mais insolente.

- O Graal é real, meu senhor? – indagou Galahad num tom bem mais suave.

- Você pergunta como se achasse que eu já o vi – disse Arthur.

- Eu mesmo não sei se devo acreditar – replicou Galahad hesitante - mas correm histórias por aí.

- Que tipo de histórias?

A respeito de Merlim. Dizem que ele trouxe pessoalmente o cálice da Terra Santa, onde ficara guardado em segredo durante muitos séculos.

Arthur ponderou por um momento essa observação.

- Como todas as histórias, ela encerra uma parcela de verdade.

A corte se agitou, pois esta era a primeira vez em que o rei admitia ter alguma ligação com o tesouro com o qual todos sonhavam. Mas Arthur não tinha mais nada a dizer.

Em pleno inverno os cavaleiros da Távola Redonda estavam inquietos, nada tinham a fazer, queriam ação, da conversa que tiveram com o rei Arthur o mesmo nada informou de concreto sobre a existência do Graal, não deu a menor pista sobre o mesmo deixando seus cavaleiros na dúvida. Mas finalmente quem era o Mago Merlim?

Continua...

Texto de: Walter Jorge - www.caminhodesantiago.com/walter_jorge.htm
Adaptações: Renis R.
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