SE É A MERA CURIOSIDADE QUE AQUI TE CONDUZ, DESISTE E VOLTA; SE PERSISTIRES EM CONHECER O MISTÉRIO DA EXISTÊNCIA, FAZ O TEU TESTAMENTO E DESPEDE-TE DO MUNDO DOS VIVOS.
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quarta-feira, 10 de fevereiro de 2010

Fogo - Avalon e seus mistérios III

Dando continuidade aos posts a respeito da lenda do Rei Arthur, já falamos anteriormente sobre a água  e o ar. Hoje falaremos de outro elemento extremamente importante nas lendas Arthurianas, o Fogo, presente nas alegorias envolvendo a lança Longinus e o Cajado de Merlin. Fiz a Árvore Genealógica de Yeshua até Arthur.


A história de Merlin começa com ninguém menos do que José de Arimatéia, ou Yossef Rama-Thea. José de Arimatéia aparece nos quatro Evangelhos, que o mencionam no contexto da Paixão e da morte de Cristo. Era oriundo de Arimatéia (Armathahim, em hebreu), um povoado de Judá — a atual Rentis — situado a 10 km a nordeste de Lida, que por sua vez é o provável lugar de nascimento de Samuel (1Sam. 1,1). Homem rico (Mt. 25,57) e membro ilustre do Sinédrio (Mc. 15,43; Lc. 23,50), José tinha em Jerusalém um sepulcro novo, cavado na rocha, próximo do Gólgota. Era discípulo de Jesus, mas mantinha isso em segredo, tal como Nicodemos, por temor às autoridades judaicas (João 15,38). 
Lucas afirma que ele esperava o Reino de Deus e que não tinha concordado com o Sinédrio na condenação de Jesus (Lc. 23,51). Nos momentos cruéis da crucificação não teme expor-se e pede a Pilatos o corpo de Jesus (o apócrifo “Evangelho de Pedro”, do século II, diz que esse pedido foi feito antes da crucificação. [2,1; 6,23-24]). Uma vez concedida a permissão pelo governador, José desprega o crucificado, envolve-o num lençol limpo e, com a ajuda de Nicodemos, deposita Jesus no sepulcro de sua propriedade, que ninguém antes havia utilizado. Depois de fechá-lo com uma grande pedra (Mt. 27,57-60, Mc. 15,42-46, Lc. 23,50-53 e João 19,38-42), foram embora. Até aqui, os dados históricos/bíblicos.


A partir do século IV começaram a aparecer tradições essênias envolvendo a figura de José. Em um texto apócrifo do século IV — as “Atas de Pilatos”, também chamadas de “Evangelho de Nicodemos” — narra que os judeus reprovaram o comportamento de José e de Nicodemos em favor de Jesus, e que por isso José foi mandado para a prisão. Libertado milagrosamente, aparece primeiro em Arimatéia e de lá se dirige a Jerusalém, onde conta como foi libertado por Jesus. Mais impressionante ainda é a obra “Vindicta Salvatoris” (“A vingança do Salvador”, também provavelmente do século IV), que teve grande difusão na Inglaterra e na Aquitânia. O livro narra a marcha de Tito à frente das suas legiões para vingar a morte de Cristo. Ao conquistar Jerusalém encontra José preso numa torre, onde fora posto para morrer de fome, mas que sobrevivera graças a um alimento celestial.

Ar - Avalon e seus misterios II


A história do Rei Arthur e da Távola Redonda é uma das mais fascinantes e misteriosas de todas as grandes histórias da humanidade. Fruto de quase mil anos de alegorias, fatos históricos, fatos ocultistas, lendas e curiosidades amalgamadas em um conto fantástico que até os dias de hoje gera curiosidade e respeito.
Nos próximos posts, vamos conhecer a fundo as origens de cada elemento presente nas histórias do Rei de Camelot.

quarta-feira, 25 de novembro de 2009

Missão Sagrada


Fazia tempo que não mandava um texto desse pra vocês darem uma lida. Espero que reflitam sobre, não sou muito fã de correntes ou textos sentimentais. Mas acredito que alguns ainda tragam neles verdades quase esquecidas de esperança, honra e amor verdadeiro. Por isso pra quem quiser ler prossiga, caso contrário pare por aqui:

Era uma vez um jovem que recebeu do rei a tarefa de levar uma mensagem e alguns diamantes a outro rei de uma terra distante. Recebeu também o melhor cavalo do reino para carregá-lo na jornada.

“Cuida do mais importante e cumprirás a missão!” Disse o soberano ao se despedir. Assim, o jovem preparou o seu alforje. Escondeu a mensagem na bainha da calça e colocou as pedras numa bolsa de couro amarrada na cintura, por baixo das vestes.

Pela manhã, bem cedo, sumiu no horizonte. E não pensava sequer em falhar. Queria que todo o reino soubesse que era um nobre e valente rapaz, pronto para desposar a princesa. Aliás, esse era o seu sonho e parecia que a princesa correspondia às suas esperanças.

Para cumprir rapidamente sua tarefa, por vezes deixava a estrada e pegava atalhos que sacrificavam sua montaria. Dessa forma, exigia o máximo do animal. Quando parava em uma estalagem, deixava o cavalo ao relento, não lhe tirava a sela nem a carga, tampouco se preocupava em lhe dar de beber ou comer.

Assim, meu jovem, acabas perdendo o animal, disse alguém. Não me importo, respondeu ele. Tenho dinheiro. Se este morrer, compro outro. Nenhuma falta fará!

Com o passar dos dias e sob tamanho esforço, o pobre animal não suportou mais os maus tratos e caiu morto na estrada. O jovem simplesmente o amaldiçoou e seguiu o caminho a pé. Mas como naquela região havia poucas fazendas e eram muito distantes uma das outras, em poucas horas o moço se deu conta da falta que lhe fazia o animal.

Estava exausto e sedento. Já tinha deixado pelo caminho toda a tralha, com exceção das pedras, pois lembrava da recomendação do rei: “cuida do mais importante!” Seu passo se tornou curto e lento e as paradas, freqüentes e longas.

Como sabia que poderia cair a qualquer momento e temendo ser assaltado, escondeu as pedras no salto de sua bota. Mais tarde, caiu exausto no pó da estrada onde ficou desacordado por longo tempo. No entanto, uma caravana de mercadores que seguia viagem para o seu reino, o encontrou e cuidou dele.

Quando o jovem recobrou os sentidos, estava de volta em sua cidade. Imediatamente foi ter com o rei para contar o que havia acontecido e sem remorso jogou toda a culpa do insucesso no cavalo “fraco e doente” que recebera.

Porém, majestade, conforme me recomendaste, “cuida do mais importante”, aqui estão as pedras que me confiaste. Devolvo-as a ti. Não perdi uma sequer. O rei as recebeu de suas mãos com tristeza e o despediu, mostrando completa frieza diante de seus argumentos.

Abatido, o jovem deixou o palácio arrasado. Em casa, ao tirar a roupa suja, encontrou na bainha da calça a mensagem do rei, que dizia: “Ao meu irmão, rei da terra do norte! O jovem que te envio é candidato a casar com minha filha. Esta jornada é uma prova. Dei a ele alguns diamantes e um bom cavalo.

Recomendei que cuidasse do mais importante. Faz-me, portanto, este grande favor e verifica o estado do cavalo. Se o animal estiver forte e viçoso, saberei que o jovem é fiel e sabe reconhecer quem o auxilia na jornada.

Se, porém, perder o animal e apenas guardar as pedras, não será um bom marido nem rei, pois terá olhos apenas para o tesouro do reino e não dará importância à rainha nem àqueles que o servem”.

Pense nisso!

Saber reconhecer aqueles que verdadeiramente nos auxiliam no dia-a-dia é, sem dúvida, um grande desafio para muitos de nós.

Ser fiel aos amigos sinceros que caminham conosco e até dividem o peso da nossa cruz, para nos aliviar os ombros a fim de que recobremos as forças.

Agindo assim, estaremos realmente cuidando do mais importante, que são esses diamantes raros que não têm preço e que ladrão nenhum tem interesse em nos roubar.

segunda-feira, 9 de novembro de 2009

Caldeirão - Graal

Acabamos de tomar conhecimento do “Santo Graal” sob a forma de uma Taça ou Cálice, no entanto das informações colhidas, verificamos que a representação do mesmo na forma de um “Caldeirão” é muito anterior à representação sob a forma de uma Taça ou cálice, o mesmo vem desde os tempos dos Celtas, com uma representação de cunho feminina. Porque não trazermos para os nossos leitores algo sobre o referido assunto?

Os Caldeirões

Muitos escritores notáveis mostraram a semelhança entre os Contos de folclores Célticos e as histórias do rei Arthur. Havia muitos caldeirões nos contos Célticos e alguns tiveram propriedades bem parecidas com as atribuídas aos do Graal como descrito nos contos arturianos. Um poema famoso, “O Preiddeu Annwn”, descreve o rei Arthur e seus homens arriscando-se no mundo dos criminosos Célticos para roubar o Caldeirão de Annwn mantido pelo chefe do Hades. O Caldeirão tem a habilidade para restabelecer a vida para os guerreiros mortos. Note isso na tradição Cristã; o Cálice sempre é levado ou é guardado por mulheres e tem a capacidade de restabelecer vidas.



Outro caldeirão, o Caldeirão de Awen tinha a capacidade de dar a todos o poder do conhecimento, se uma porção fosse preparada nele. Uma moça chamada Gwion foi escolhida pela deusa Ceridwen para mexer a poção. Ela derramou três gotas sobre os dedos dela e os pôs na boca. Ela ganhou todo o conhecimento. Também note que na lenda do rei Arthur, o Graal pode dar conhecimento. Muitos autores tentaram mostrar assim que os caldeirões célticos foram de alguma forma os percussores da imagem atual do Graal. O caldeirão do mito clássico alimentou, também como o “Graal” celta, todos que a ele recorreram para o seu sustento.

Isso, junto, com a derivação de alguns heróis arturianos, como Kay e Bedivere, uns dos celtas, foi explorado em muitos textos. O autor deseja mostrar que embora as derivações das lendas célticas sejam boas e populares em teoria, elas por nenhum meio explicam completamente os eventos e descrições dentro dos ciclos do Graal, nem explicam o interesse súbito da crença no mesmo.

Nos romances posteriores, o Santo Graal é uma relíquia cristã de poder maravilhoso. Conteve o cordeiro pascal comido na Ultima Ceia, e, após a morte de Cristo, José de Arimatéia com o mesmo havia colhido o sangue do Salvador quando preparava o seu corpo para o enterro. Mas antes de receber tal formação, ou seja, a de uma taça ou cálice, tinha sido o caldeirão mágico de todas as mitologias celtas.

Nas lendas Celtas encontramos, por exemplo, o Caldeirão Dagda (pai de todos os deuses irlandeses), no qual podia-se cozinhar a alimentação necessária para todo um regimento de guerreiros, foi chamado de “insecável”, pois todos que vinham a ele eram alimentados e ninguém saia insatisfeito. No mito gaulês dos Mabinogion, o mesmo aparece como o Caldeirão da Regeneração capaz de ressuscitar os guerreiros mortos. O Caldeirão Dagda tinha uma clava com o mesmo poder, com uma exterminava os vivos e com o outro ressuscitava os mortos.

Boann era a esposa do Dagda, dentre os seus filhos os mais importantes eram Brigit, Angus, Mider, Ogma e Bodd (o vermelho). Brigit foi uma deusa do fogo, da terra e da poesia. Brigit também era conhecida como a Minerva gaélica, também encontrada na Britânia como Brigantia, deusa tutelar dos Brigantes, uma tribo do norte, e no leste da França como Brigindo, a quem Iccavos, filho de Oppiano, fez uma oferenda dedicatória da qual ainda há registros (ver Rhys – Hibbert Lectures, I e II – “O panteão gaulês”). Os primeiros cristianizadores da Irlanda adotaram a deusa pagã no seu registro de santidade, canonizada obteve imensa popularidade como Santa Brígida ou Bride.Temos um outro caldeirão encontrado na Dinamarca que se chamava de Gundestrop, o mesmo foi confeccionado em prata dourada e era utilizado em cerimoniais, é proveniente do século I a.C.

O Caldeirão de Gundestrop

Encontramos na mitologia Celta uma série de outros caldeirões, como o de Brân, da Renovação, que foi dado pelo mesmo a Matholwch, detinha a capacidade de trazer o morto de volta à vida; o Caldeirão de Ogtyrvran (o gigante), do qual as Musas ascenderam; o caldeirão capturado por Cuchulainn de Mider, o rei da Cidade Sombria. Posteriormente uma tragédia veio a abater-se sobre Cuchulainn, quando em um duelo, matou seu único filho, sem saber quem era; bem como vários outros caldeirões míticos de menor importância.



Texto de: Walter Jorge - www.caminhodesantiago.com/walter_jorge.htm
Adaptações: Renis R.

Graal - Taça - Final

Anteriormente estávamos abordando o “Graal”, representado por uma Taça ou um Cálice, falamos de como se iniciou a sua história, seu mito ou lenda, falamos do papel do rei Arthur da Tavola Redonda e de seus cavaleiros, nesse capítulo traremos para os nossos leitores a finalização do assunto com referencia do Graal representando uma Taça ou Cálice.

Taça ou Cálice – (terceira parte – final)

Uma história foi escrita há mais de 800 anos. Ela faz parte do livro “Le Conte du Graal” (O Conto do Graal), de Chrétien de Troyes (1135-1183), um dos maiores escritores franceses da Idade média, o mesmo, deixando de lado a antiguidade clássica e aproveitando-se das lendas célticas e das ricas fontes folclóricas européias, passou a se dedicar ao ciclo arturiano e ao tema do amor cortês, duas fontes inesgotáveis da literatura ocidental, (posteriormente no capítulo intitulado de Troyes, falaremos a respeito do mesmo), no seu livro ele dizia:



“O jovem Sir. Percival estava exausto depois de cavalgar o dia inteiro. Meses antes ele tinha partido da corte do rei Arthur em busca de fama e aventuras, mas naquela noite tudo que ele queria era dormir. Foi quando avistou um castelo. Os portões estavam abertos e Percival entrou. Lá no seu interior foi recebido por um certo “Rei Pescador”, um velho nobre que o convidou para a ceia. Antes de o banquete começar, duas crianças atravessaram a sala. Primeiro um menino passou trazendo nas mãos uma longa lança de uma brancura deslumbrante, cuja ponta sangrava como se estivesse viva. Em seguida apareceram dois homens muito belos carregando cada um em sua mão um lustro de ouro niquelado, em cada lustro brilhavam ao menos dez círios. Logo depois surgiu uma menina em roupas majestosas, carregando um recipiente de ouro puro, incrustado pelas jóias mais preciosas da Terra ou do Mar, nenhuma gema podia comparar-se com o Graal.


Quando a mesma entrou com o Graal, se expandiu pela sala um clarão tão grande e intenso, que os círios do castelo perderam o brilho como as estrelas ou a lua quando sai o sol. Atrás dessa donzela vinham outras levando um ábaco de prata”.



Conta-se nas lendas arturianas que todo aquele que saia a procura do Santo Graal, após ter encontrado o castelo do Graal, tinha de passar por uma certa prova, se conseguisse realizar a mesma com êxito, o Rei Pescador seria curado e as terras desoladas tornar-se-iam férteis. A referida prova nada mais era do que perguntar o significado do que via, quando os objetos sagrados eram expostos, e a quem o cálice do Graal servia. No caso de não efetuar o seu questionamento, o castelo, o rei, o Graal, tudo mais se dissolveria como em um sonho e as terras permaneceriam estéreis, até que ele ou uma outra pessoa pudesse alcançar o castelo novamente, quando teria uma segunda chance de efetuar as perguntas.



Sir. Percival ficou deslumbrado e dominado de admiração causada pela misteriosa procissão do Graal, mas, por timidez, não perguntou o significado daquilo. No dia seguinte, o cavaleiro seguiu viagem. Aquela cena nunca mais sairia de sua cabeça. Um dia decidiu reencontrar os tesouros e desvendar seus segredos, ainda que a aventura lhe custasse à vida. Naquela oportunidade a busca pelo Graal acabava de começar. Sir. Gawain, da mesma forma, foi dominado pelo sono no momento crítico, de maneira que também não perguntou sobre o seu significado.

Chrétien faleceu antes de concluir o seu livro, no entanto no mesmo, nenhuma explicação deixou, o que seria aquele recipiente portador daquele brilho, e o que ele continha? Quem era o rei Pescador? Qual o significado daquela lança que sangrava? Essa série de perguntas deixou de serem respondidas pelo escritor.

O cálice segundo as lendas, tem certos poderes associados tais como:

- Habilidades de cura e restauração física do corpo humano;
- Comunicação com Deus ou conhecimento de Deus;
- Invisibilidade para o mal ou olhos desmerecedores;
- Habilidade para “alimentar” os presentes;
- Imortalidade. “Habilidade para chamar aqueles que eram merecedores”.

O simbolismo sexual do Graal é indiscutível: é uma taça e, como tal, é a imagem do seio da mulher que dispensa alimento. Por analogia, é um continente, e seu conteúdo, na versão cristianizada, poderíamos dizer é o sangue de Jesus. Por isso é fácil deduzirmos que o Graal, mais do que a imagem do seio representa o útero da Deusa Mãe, que dá vida a todas as criaturas do mundo, a condição de ser fecundada. Sabemos que o país do Graal é estéril, está devastado e que esperam o cavaleiro eleito que deve devolver a fertilidade perdida. Como o Rei Pescador tem um ferimento que afetou suas partes viris, portanto, a taça do Graal como útero materno, só poderá ser fecundado por um homem eleito (futuramente iremos abordar a figura do Graal como sendo – o sangue). Por analogia, Jesus seria esse eleito, mas qual foi o útero que Ele fecundou? [Maria Madalena!!!!]

A procura do Graal em forma de um cálice despertou inclusive a curiosidade dos nazistas. A idéia central do filme “Indiana Jones e a Última cruzada”, de Steven Spielberg – que mostra nazistas à procura do Santo Graal – não é tão absurda quanto parece. Segundo os autores Stephen O´Shea e M. Sabbehedin, o Terceiro Reich teria de fato patrocinado uma busca pelo Cálice antes da Segunda Guerra. Tudo teria começado com as pesquisas do místico nazista Otto Rahn. Para ele, o Graal era uma relíquia do paganismo, símbolo da resistência germânica contra o cristianismo. Para Rahn, os guardiões do Graal teriam sido os cátaros, perseguidos e exterminados pela Igreja nos séculos XI e XII, e o Cálice estaria escondido nas ruínas de Montségur, antiga fortaleza dos cátaros, no sul da França.

As teorias de Rahn chegaram aos ouvidos de Heinrich Himmler, comandante da SS e entusiasta das ciências ocultas. Himmler convidou Rahn a unir-se à divisão de pesquisas arqueológicas da SS e ordenou que fossem efetuadas escavações em Montségur. Alguns afirmam que posteriormente Rahn enviou a Himmler um grande cristal de quartzo, que se assemelhava à descrição do Graal efetuada por Wolfram Von Eschenbach. O mais provável, no entanto, é que isso também não passe de lenda (Em um capítulo à parte falaremos sobre as teorias do místico Otto Rahn).

Eu: seria legal colocar aqui as relações do falo masculino sendo uma peça fundamental para relação de um rito com a taça sagrada feminina.hã hã


Texto de: Walter Jorge
Adaptações: Renis R.

sexta-feira, 6 de novembro de 2009

Graal - Taça


No capitulo anterior abordamos o tema do “Graal” ser uma Taça ou um Cálice, escrevemos sobre as possibilidades do referido cálice ser, ou servir como uma referência ao utilizado na última ceia, nesse capítulo traremos para os leitores a continuação do referido assunto.

Taça ou Cálice (segunda parte)



Segundo a tradição do cristianismo, o Graal teria sido o cálice que Jesus Cristo utilizou na última ceia, instituindo a eucaristia, no qual o vinho era bebido como símbolo do sangue de Jesus. José de Arimatéia teria pegado o cálice e nele depositado o sangue que corria das feridas de Cristo crucificado quando estavam preparando o corpo dele para o enterro, enquanto os seus seguidores eram perseguidos em Jerusalém (42 d.C.), levando em seguida o Graal para as ilhas britânicas. Um dos relatos afirma que ele transportou duas galhetas contendo o sangue e o suor de Jesus para Glastonbury, no sudeste da Inglaterra, com um bordão de pilriteiro que brotou e se desenvolveu quando foi plantado em solo britânico. Daí a sua representação em vitrais portando duas galhetas.



Por que teria José de Arimatéia levado o cálice para uma terra tão distante, numa época em que a navegação não era bem desenvolvida? Uma hipótese é que ele era um mercador da Judéia, muito rico, que conheceu Jesus e dele ficou amigo. Após sua morte foi para a Britânia, onde provavelmente mantinha relações comerciais, e por lá ficou para pregar a fé cristã. Em Glastonbury, fundou a primeira igreja da Inglaterra cujas ruínas ainda existem.

Na Grã-Bretanha as atividades de José de Arimatéia eram mantidas por um circulo fechado de doze anacoretas celibatários. Quando um deles morria, era substituído por outro. Nas histórias do Graal, esses anacoretas eram chamados de “os irmãos de Alain” que era um dos membros. Nessa condição, eles eram filhos simbólicos de Brân, o patriarca (o pai na antiga ordem, ao contrario da nova intitulação de bispo de Roma). Por isso, em uma parte da literatura, Alain é definido como filho de Brân (Bron). Entretanto, após a morte de José de Arimatéia em 82 d.C., o grupo se desintegrou – principalmente porque o controle romano tinha mudado para sempre o caráter da Inglaterra.

Essa versão é uma das mais conhecidas, porém não é muito divulgada pela Igreja Católica. Por que? Porque, antes mesmo do surgimento do cristianismo, já existia nas lendas dos povos celtas, referências a cálices sagrados. Ou seja, contestaria toda a história da Igreja Cristã, além de que nas lendas celtas, o cálice era intimamente ligado à imagem feminina, contrariamente a doutrina cristã que inferioriza as mulheres. Na mitologia céltica, o “caldeirão”, era um símbolo sagrado, representava a fertilidade feminina, o grande útero, de onde todas as coisas vinham e para onde retornariam. Talvez daí nascesse à crença em cálices sagrados, dotados de capacidade mágica, dando a imortalidade a quem deles bebesse.

Alguns tomam o cálice de ágata que está na Igreja de Valência, na Espanha, como aquele que teria servido Cristo, mas, aparentemente, a peça é datada do século XIV. Independente da veneração popular, esta referência é fundamental para o entendimento do simbolismo do Santo Graal já que, como explica a própria Igreja em relação à ferida causada por Longino, “do peito de Cristo adormecido na cruz, sai à água viva do batismo e o sangue vivo da Eucaristia; deste modo, Ele é o cordeiro Pascal imolado”.

Depois da primeira Inquisição Católica realizada pelo papa Gregório IX, em 1231, as histórias do Graal foram condenadas pela Igreja. Não chegaram a ser denunciada como heresia, mas todo o material relacionado ao Graal foi suprimido.

Posteriormente a Igreja na verdade declarou, no Concílio de Trenton (norte da Itália), em 1547, que a sabedoria do Graal era heresia não-oficial. Nesse mesmo Concílio, a escolha dos livros para o Novo Testamento aprovado foi finalmente confirmada a partir de uma seleção original feita antes, no Concílio de Cartago, no ano de 397.

Sobre o referido assunto, veja o que nos diz o escritor e historiador Laurence Gardner em seu livro intitulado “Os Segredos Perdidos da Arca Sagrada”:

“Quando olhamos o legado do Graal da antiga Mesopotâmia, fica óbvia que o simbolismo do Cálice e do Pão era parte da cultura semítica dos dias de Abraão e Melquidezeque (como mostrado em Gênesis 14:18), por volta de 1960 a.C. A maior anomalia é que a igreja se volte oficialmente contra o Graal, usurpando ao mesmo tempo, como seu, o mais pertinente símbolo do legado. O Sacramento da Eucaristia (ou Sagrada Comunhão) é ostensivo o uso do cálice de vinho, representando o sangue messiânico, junto com obréias de pai que representam o corpo. Apologistas desse costume se agarram à idéia de que a cerimônia deriva do ocorrido na Última Ceia, quando Jesus ofereceu vinho e pão a seus apóstolos, sem considerar que ele próprio realizava um ritual antiqüíssimo”.

Porém há outras histórias muito mais interessantes – e ousadas – para explicar isto. Diz-se que durante sua permanência na Cornualha, Jesus havia recebido em dádiva um cálice de um druida convertido ao cristianismo (isto entendido como “o que era pregado por Cristo”), e por aquele objeto Jesus tinha um carinho especial. Após a crucificação, José de Arimatéia quis levá-lo, santificado pelo sangue de Jesus, ao seu antigo dono, o druida, que nada era do que o Mago Merlim, traço de união entre a religião Celta e a Cristã.

Como não podia de ser, a história do ”Santo Graal” também se encontra ligada com os povos muçulmanos, conta-se da existência de um rei chamado de Evelake que era um governador sarraceno convertido por José de Arimatéia e trazido por ele para a Britãnia. Em seu entusiasmo de convertido, ele tentou a busca do cálice sagrado, mas não lhe permitiram ter êxito. Como consolo, porém, foi divinamente prometido que não morreria até que visse um cavaleiro do seu próprio sangue no novo grau que deveria conquistar. Isto foi realizado por Sir. Percival, o rei Evelake contava na oportunidade então trezentos anos de idade.

José de Arimatéia foi, portanto segundo se depreende da história, o primeiro a custodiar o Graal. O segundo teria sido seu genro, Bron. Algumas seitas sustentam que o ciclo do Graal não estará fechado enquanto não aparecer o terceiro custódio. Esta resposta parece vir com a Demanda do Graal, de autor desconhecido, que coloca Sir. Galahad como único entre os cavaleiros merecedores de se tornar guardião do Graal.

No próximo artigo daremos continuação do que seja o Graal em forma de uma Taça ou Cálice.


Texto de: Walter Jorge
Adaptações: Renis R.

Graal - Definição



Vamos agora entrarmos no reino das Lendas, dos Mitos e das Histórias, pois nos é bastante difícil e de sobremaneira impossível, informar para os nossos leitores o que é realmente o Santo Graal, ou como universalmente é chamado de o “Graal”.

Centenas de livros foram escritos no mundo inteiro, bem como milhares de artigos foram publicados nos meios de comunicações. Vamos aqui apenas tentarmos sintetizar ao máximo as informações colhidas apenas sobre uma determinada interpretação do que seja o Graal, escolhemos no momento o símbolo da - “TAÇA OU CÁLICE”.

Taça ou Cálice (primeira parte)

Não podemos falar sobre o Graal sendo “Taça” ou “Cálice”, sem antes voltarmos um pouco para a história do rei Arthur, pois foi onde nasceu o mito da taça sagrada, lembramo-nos de Cavaleiros em suas reluzentes armaduras como Sir Lancelot ou Sir Galahad. As atuais histórias do rei Arthur incluem a lenda do Cálice de Cristo, porém não foi sempre assim, o Graal já seria bastante conhecido nas Histórias Arturianas, porém depois que estas histórias foram cristianizadas é que o Graal foi associado ao Cálice de Cristo.

Arthur era o rei da Britânia, que se reunia com seus cavaleiros ao redor de uma mesa denominada de “Távola Redonda” devido ao seu formato. Havia sempre, porém, um lugar vazio na mesa. Este era reservado ao cavaleiro de grandes virtudes, que seria aquele que encontraria o cálice sagrado. O cavaleiro era Sir Lancelot, que segundo consta chegou a encontrar o Graal, mas pôde apenas contemplá-lo com os olhos, não poderia tocá-lo, pois sua pureza fora manchada pelo adultério que cometera com a rainha Guinevere.



A história nos informa que estando o Rei Arthur agonizante e vendo o declínio do seu reino tem uma visão, Arthur acredita que só o Graal poderia curá-lo e tirar a Bretanha das trevas. Manda então seus cavaleiros em busca do cálice por toda a Europa, fato esse que geraria todas as histórias em torno da Busca do Graal.

Nessa incessante busca, muitos morreram e segundo a história, quem encontrou finalmente o cálice foi Sir. Galahad, filho de Sir. Lancelot, um cavaleiro de grandes virtudes e pureza. Porém, tocar no cálice foi mortal, e Sir. Galahad foi levado aos céus pelos anjos. Outros dizem que foi Sir. Guglielmo um Cruzado de Gênova que em 1099 d.C., afirmou ter descoberto o Cálice (de Jade) em Cesaréia.

A história é bastante controversa, envolve muitos nomes, entre eles Sir. Percival, Sir. Tristão, Sir. Lancelot do Lago, o mago Merlim... Mas, com certeza é uma história fascinante! Ainda, relacionando às lendas Arthurianas, segundo os livros de Marion Zimmer Bradley – As Brumas de Avalon, o cálice teria sido levado por José de Arimatéia para a ilha de Avalon (que muitos julgam como sendo a atual Glastonbury), e escondido no poço sagrado, pois deveria ser guardado por uma mulher. O Graal era um dos tesouros de Avalon, e tinha como guardiã uma das sacerdotisas da ilha. Aqui, nota-se o cruzamento de tradições cristãs e pagãs, ligadas à lenda do cálice sagrado.

É interessante notar que a água é uma constante na história do rei Arthur. É na água que a vida começa, tanto a física como a espiritual. Arthur teria sido concebido ao som das marés, em Tintagel, que fica sob o castelo do Duque da Cornualha; tirou a Bretanha das mãos dos bárbaros em doze batalhas, cinco das quais às margens de um rio; entregou sua espada, Excalibur, ao espírito das águas e, ao final de sua saga, foi carregado pelas águas para nunca mais morrer.



Certo de que sua hora havia chegado, o rei Arthur pede a Bedivere que o leve à praia, onde três fadas o aguardam em uma barca. “Consola-te e faz quanto possas porque em mim já não existe confiança para confiar. Devo ir ao vale de Avalon para curar a minha grave ferida”, diz o rei. Avalon é a mística ilha das macieiras onde vivem os heróis e deuses celtas e onde teria sido forjada a primeira espada de Arthur – Caliburnius. Na Cornualha, o nome Avalon – que em Galês refere-se à maçã – é relacionado com a festa das maçãs celebrada durante o equinócio do outono. Acreditam alguns que Avalon é Glastonbury, local onde tanto Arthur quanto Guinevere teriam sido enterrados. A abadia de Glastonbury, onde repousaria o casal, é tida também como o lugar de conservação do Graal.

É na obra do poeta francês Robert de Boron, “Roman de L´Estoire du Graal” (Romance da História do Graal), escrito entre os anos 1200 e 1210 que o Santo Graal ganhou uma versão bastante popular, conta que o mito retrocede no tempo até chegar a Cristo e á última Ceia, o Graal seria o cálice ou vaso no qual Jesus bebeu o vinho com seus discípulos e que mais tarde seu discípulo José de Arimatéia recolheu o sangue de Cristo na Cruz. José de Arimatéia era um judeu muito rico, membro do supremo tribunal hebreu – o Sinédrio. É ele que, como visto nos evangelhos, pede a Pilatos o corpo de Jesus para ser colocado em um sepulcro em suas terras, (“Depois disso, José de Arimathéia, discípulo de Jesus, embora em segredo por medo dos Judeus, pediu a Pilatos que lhe permitisse retirar o corpo de Jesus e Pilatos lhe concedeu. Veio, pois e retirou o corpo”. – João 19:38).

Boron conta que certa noite, José de Arimatéia é ferido na coxa por uma lança (perceba também, sempre presente, as referências às lanças e espadas, símbolos do fogo, tanto nas histórias de Jesus como de Arthur). Em outra versão, a ferida é nos genitais e a razão seria a quebra do voto de castidade. Este fato está totalmente relacionado à traição de Sir. Lancelot que seduz Guinevere, esposa de Arthur. Após a batalha entre os dois, a espada de Arthur, Caliburnius, é quebrada – pois é usada para fins mesquinhos – e jogada em um lago onde é recolhida pela Dama do Lago antes que afunde, Depois lhe é oferecida outra espada, esta sim, é a Excalibur.



Somente uma única vez Boron chama a taça de Graal. Em um inciso, ele deduz que o artefato já tinha uma história e um nome antes de ser usado por Jesus: “eu não ouso contar, nem referir, nem poderia fazê-lo (...) as coisas ditas e feitas pelos grandes sábios. Naquele tempo foram escritas as razões secretas pelas quais o Graal foi designado por este nome”.

No próximo número daremos continuidade ao Santo Graal representando como símbolo, a Taça ou Cálice.


Texto de: Walter Jorge
Adaptações: Renis R.

O Espírito - Parte II FInal



Chegamos na segunda parte da Sétima etapa, a última etapa, nela iremos travar conhecimento das ultimas palavras proferidas pelo mago Merlim com os cavaleiros do rei Arthur da Tavola Redonda do reino de Camelot; Sir. Galahad e Sir. Percival, trata-se da conclusão de toda sua explanação através das etapas que ele inicialmente enunciou: a Inocência, o Nascimento do Ego; O Nascimento do Empreendedor; o Nascimento do Doador; o Nascimento do Buscador; o Nascimento do Observador e finalmente a sétima e última etapa que é o aparecimento do Espírito.

Durante toda essa leitura o Mago nos permitiu com as suas palavras a compreender um pouco da nossa pessoa, dos nossos limites e da nossa capacidade de encontrar o verdadeiro Graal.
A procura do Graal é eterna, infinita, pois sempre estaremos a sua procura.

O que é finalmente o Graal?



Sétima Etapa - O Espírito (Segunda Parte)

“A voz de Merlim ficou mais suave enquanto o círculo de luz ao redor deles praticamente se extinguia”.

- Vocês, mortais, anseiam por milagres, digo eu, e na qualidade de filhos privilegiados do universo, nada lhes será negado. O espírito é o estado do milagroso, que se desenrolará em três estágios:

" Primeiro, vocês vivenciarão milagres no estado chamado consciência cósmica. Cada evento material terá uma causa espiritual. Cada acontecimento local também estará acontecendo no palco do universo. Seu menor desejo fará com que as forças cósmicas o tomem realidade. Por mais maravilhoso que isso possa parecer, esse não é um estado muito adiantado, porque muito antes de alcançarem a consciência cósmica, vocês estarão acostumados a ver seus desejos espontaneamente se tomarem realidade”.

" Segundo, vocês realizarão milagres no estado denominado consciência cósmica. Este é o estado de criatividade pura, no qual vocês se mesclam com o poder de Deus, por meio do qual Ele cria os mundos e tudo que acontece nesses mundos. Esse poder não tem origem em nada que Deus faz, ele é apenas Sua luz de consciência. Como um brilho rico e dourado, vocês verão a consciência divina reluzindo através de tudo que seus olhos contemplam. O mundo ilumina-se a partir do interior, e não existe nenhuma dúvida de que a matéria é simplesmente o espírito manifestado. Na consciência divina, vocês se verão como aquele que cria, não o que é criado, o que dá a vida, não o que recebe”.

" Terceiro, vocês se tornarão o milagre, no estado conhecido como consciência de unidade. Agora, qualquer distinção entre o que cria e o que é criado desapareceu. O espírito dentro de vocês se incorpora ao espírito de tudo o mais. O retorno de vocês à inocência é todo-abrangente, porque, à semelhança do bebê que toca a parede ou o berço e só sente a si mesmo, vocês verão cada ação como o espírito derramando-se sobre o espírito. Vocês viverão num completo conhecimento e confiança. E embora ainda pareçam morar num corpo, ele será apenas um grão de Ser nas praias do oceano infinito de Ser que são vocês mesmos”.

“ Os dois cavaleiros não tinham idéia do tempo que Merlim levara fazendo essa exposição. Eles tinham a impressão de terem sido erguidos num espaço no qual esferas de Ser se abriam uma depois da outra como as pétalas de uma flor. E quando a última se abriu, um diamante quase transparente, que mal podia ser visto, girava no centro”. - O que é isso? Galahad teve vontade de perguntar, mas não ousou fazê-lo”.



- Contemplem o Graal - sussurrou Merlim. - O desabrochar da sua busca conduziu a uma visão da meta, o ponto de pura luz, a essência do diamante que arde dentro da sua alma.

“ Os dois cavaleiros se ajoelharam no chão frio e rezaram em seus corações pedindo para merecer a visão”.



- Vivam em devoção a este momento - disse Merlim. - Eu os trouxe aqui por causa do seu mais íntimo desejo, mas agora vocês mesmos precisam conquistar o verdadeiro Graal, e não apenas a visão dele.

- O verdadeiro Graal? - murmurou Percival. - O que devemos procurar, esta mesma imagem?

- Não esperem nem antevejam - advertiu Merlim enquanto a visão do Graal começava a desaparecer. O homem vai a busca de símbolos, e os símbolos mudam a cada época. Mas o que lhes mostrei não foi um símbolo, e sim a verdade. O Graal é a partícula de cristal do Ser no coração de vocês. Ela reflete sutilmente a luz em suas facetas, e desses reflexos sutis surgem todas as faculdades da mente e do corpo que vocês percebem com seus sentidos. Como reflexos, eles são reais, mas muito mais real é esse diamante transparente de puro Ser.

“ Inesperadamente, Merlim bocejou, inclinando a cabeça para trás como se esse fosse o ato mais agradável do mundo. Ele estendeu os braços bem abertos e se levantou - Estava agora quase escuro como breu, o fogo havia se apagado completamente, mas Percival e Galahad podiam sentir o olhar de Merlim fixo sobre eles. Ele disse”:

- Um dia vocês olharão para trás, para esta noite, e perguntarão: "Quem é você, Merlim?” Além da esfera do tempo, assim responderei: Sou aquele que não precisa de milagres. Sou um mago, e o fato de eu estar aqui é um milagre suficiente, o que poderia ser mais milagroso do que a própria vida?

“ Com a luz que se extinguia, o velho desapareceu. Percival e Galahad permaneceram imóveis, sem emitir um som. O fascínio da fala de Merlim ainda tomava conta deles, e quando ele começou a diminuir, ambos tremeram, lamentando terem que voltar a terra. Ao amanhecer, iniciaram o retorno ao Castelo. À luz dourada do sol, Percival avistou o rei Arthur de pé, na janela de seus aposentos reais; ele estava olhando diretamente para eles”.

- Você acha que devemos falar com ele sobre o que aconteceu? - perguntou Percival, fazendo um gesto em direção ao castelo.

Galahad sacudiu negativamente a cabeça.

- Estou certo de que o rei sabe o que aconteceu; deve ter acontecido a ele, ou porque outro motivo ele estaria tão relutante em falar sobre o Graal? Mas quero lhe dizer uma coisa, Irmão Cavaleiro. Eu gostaria que Arthur compreendesse que estamos com ele e Merlim nessa busca. Vamos chamar esta noite de noite da gruta de cristal. O rei saberá ao que estamos nos referindo.

E embora eles não tivessem estado numa gruta e sim debaixo do dossel de um céu estrelado, Percival concordou instantaneamente com a sugestão de Galahad.

Essa é apenas uma pequena parte de um todo que reservamos para os nossos leitores sobre a compreensão e o real significado do que seja o “Santo Graal”.
Continuemos com a nossa leitura sobre o Graal.
Vamos, na intimidade do nosso pensamento perguntar: o que é realmente o Graal?


Texto de: Walter Jorge - www.caminhodesantiago.com/walter_jorge.htm
Adaptações: Renis R.

O Espírito - Parte I

Inicialmente tomamos conhecimento através do Mago Merlim quando em conversa com Sir. Percival e Sir. Galahad da seguinte frase – “A alquimia é a arte da transformação, e quando suas sete etapas forem concluídas, somente então vocês serão capazes de reclamar o Graal”.

Nos capítulos anteriores, tivemos a oportunidade de conhecermos seis das etapas mencionadas pelo Mago, faltando apenas a Sétima e última etapa.

Na etapa anterior, a Sexta etapa, o Mago nos informa sobre o Nascimento do Observador na nossa vida, nascimento esse que extingue o nosso Ego o que permitirá uma melhor observação dos nossos procedimentos, pois, sem essa percepção, não poderemos analisar, sentir, ou mesmo compreender o que é o Graal. Através de suas informações, nos deixa a antever algo mais, nos deixa a antever a existência do Espírito, o que motivou a observação de Sir. Percival:
- Isso parece muito misterioso.



Para facilitar a nossa leitura e permitir uma boa reflexão, pois já estamos em um final e prontos para entramos no verdadeiro conhecimento do que seja o Graal, dividimos essa etapa em duas partes.

Sétima Etapa - O Espírito (Primeira Parte)

- É difícil imaginar que pudesse haver um estágio mais elevado na vida - comentou Galahad após um momento, profundamente tocado pela descrição do observador.

- Tenha cuidado com a expressão mais elevado - advertiu Merlim. - É o ego que deve se preocupar com o superior e o inferior. A meta da sua vida é a liberdade e a realização. A realização só é alcançada quando você passa a conhecer Deus tão completamente quanto Ele conhece a Ele mesmo. Vocês, mortais, estão sempre ansiosos por milagres, e eu lhes digo que o maior milagre são vocês mesmos, pois Deus lhes concedeu essa habilidade única de se identificarem com a natureza Dele. Uma rosa perfeita não sente que é uma rosa; um ser humano realizado sabe o que significa ser divino.

- Esse estado pode ser descrito? - indagou Percival.

- Ele é a sétima e última etapa da alquimia, o espírito puro. Quando ele surge, o observador descobre que os que parece ser a alegria e realização totais ainda podem se expandir. Veja bem, chegar à presença de Deus não é o final da sua busca e sim o início. Você começou na inocência, e nela você irá terminar. Mas dessa vez a inocência é diferente, porque você obteve o conhecimento completo, ao passo que o bebê só tem sentimento.

" Quando vocês forem capazes de se verem como espírito, sua identificação com o corpo e a mente deixará de existir. Ao mesmo tempo, o conceito de nascimento e morte também cessará. Vocês serão uma célula no corpo do universo, e esse corpo cósmico será tão íntimo de vocês quanto seu corpo o é para vocês agora. Isso é o mais próximo que eu consigo chegar de como um mago sente, pois mago é apenas uma outra palavra para o sétimo estágio”.

" Entendam o seguinte: para o mago, o nascimento é meramente a idéia de que 'eu tenho este corpo', e a morte é apenas a idéia de que 'eu não tenho mais este corpo'. Como os magos não estão sujeitos à ilusão do nascimento, qualquer corpo que eles assumam é visto apenas como um padrão de energia, qualquer mente como um padrão de informação. Esses padrões estão em eterna transformação; eles vêm e vão. Mas o mago está além da mudança. A mente e o corpo são como quartos nos quais a pessoa escolhe viver, mas não o tempo todo”.

" Nenhuma quantidade de pensamento ou sentimento pode aproximar ou trazer a vocês esse estado. O espírito nasce do silêncio puro. O diálogo interno da mente precisa terminar e nunca mais recomeçar, porque aquilo que deu origem ao diálogo interior, a fragmentação do eu, não está mais presente. Seu eu será unificado, e à semelhança do bebê que foi seu início, vocês não sentirão nenhuma dúvida, vergonha ou culpa. A necessidade de dualidade do ego gerou um mundo de bem e mal, certo e errado, luz e sombra. Agora vocês verão que esses opostos se mesclam. Essa é a perspectiva de Deus, porque onde quer que Ele olhe, tudo que Ele vê é Ele mesmo”.

" Se vocês sentirem que esta meta é excessivamente grandiosa ou distante, eis um segredo. Embora vocês tenham a impressão de que passam pelas sete etapas da alquimia, cada uma delas esteve presente desde o início. Na inocência estava a totalidade de Deus, como ela está no ego, na realização, na doação ou na busca. Tudo que realmente mudou foi o foco da sua atenção. Em seu ser encontra-se cada aspecto do universo, tão completo e eterno quanto o próprio universo. Mas mesmo assim o nascimento no espírito é um acontecimento tremendo. À medida que a unidade for amadurecendo, vocês se tornarão cada vez mais familiarizados com o divino, até que finalmente vivenciarão Deus como um ser infinito que se desloca a uma velocidade infinita através de dimensões infinitas. Quando essa impressionante experiência tiver lugar, ela parecerá tão simples e natural quanto se sentar aqui debaixo das estrelas, só que cada estrela dançante será vocês mesmos."

“ Como freqüentemente acontece quando os magos falam, os dois cavaleiros se sentiram transportados para o estado que ele estava descrevendo. Galaad ergueu a vista para o céu noturno e teve de repente a impressão de que podia tocar nas estrelas. Uma sensação de verdadeiramente pertencer ao mundo inundou seu coração”.

- Estamos em casa - Percival sussurrou para si mesmo.

- Não se impressionem demais - murmurou Merlim. Esses sentimentos possuem essa intensidade porque são novos para vocês. Na verdade, este é o estado natural de vocês. Estarem unidos ao cosmo, serem íntimos de todas as formas de vida, e finalmente alcançarem a união com seu próprio Ser, este é seu destino, o final da sua busca.

- No final voltaremos ao início - murmurou Galahad.

- Sim, disse Merlim. - Cada um de vocês começa com amor, passa pela luta, paixão e sofrimento, terminando novamente no amor.

“ A voz de Merlim ficou mais suave enquanto o círculo de luz ao redor deles praticamente se extinguia”.


Novamente a palavra “amor” toma parte preponderante da conversa.

Continua - Espirito II

Texto de: Walter Jorge - www.caminhodesantiago.com/walter_jorge.htm
Adaptações: Renis R.

O Nascimento do Observador

Nasceu o Buscador, o Ego que não estava acostumado alguém a ditar normas, sente o seu poder e tenta lutar, procura por todos os meios não perder o que conquistou até aquela data, no entanto o Buscador pensa diferente, ele é um ser altruísta, ele dá sem desejar nada em troca e o Ego não estava percebendo. É como a humanidade que muitas vezes encontra-se cega para determinados atos de Amor e Sabedoria.

O leitor nesse ponto deve parar para refletir e perguntar:

- O que é o Graal? Qual a sua forma?

- Onde o mesmo se encontra?

- Como poderemos alcançá-lo?



Sexta Etapa - O Nascimento do Observador

- Eu lhes disse - prosseguiu Merlim - que a motivação do buscador era ser capaz de ver, e isso logo emerge. A sexta etapa, o nascimento do observador, está logo abaixo da superfície de qualquer buscador. A busca por si só não encerra nenhuma realização; a vida seria seca e frustrante se vocês buscassem e nada encontrassem. Afortunadamente, no plano divino, todas as perguntas trazem consigo suas respostas, todas as metas vêm a serem encontradas na origem. Tão logo você verdadeiramente pergunte. Onde está Deus? Você verá a resposta.

“ Não quero iludi-los aqui. O nascimento do observador é tão revolucionário quanto qualquer um dos anteriores. Ele significa a extinção do ego, a extinção de toda identificação externa”.

“ Imaginem que sua vida é um filme projetado sobre uma tela em branco. Enquanto estiverem dominados pelo ego, vocês se concentrarão nas imagens que se movem e as considerarão reais. Quando o observador entra em cena, vocês começam aperceber a irrealidade delas. Mas com o nascimento do observador, vocês se voltam e olham para a luz. A auto-imagem agora é vista pelo que ela é, uma insignificante projeção transformada em realidade pela necessidade desesperada do ego de atribuir importância à mente e ao corpo restringidos pelo tempo”.

" O observador enxerga através dessa motivação e não mais se deixa influenciar por ela. Em vez de verem a si mesmos como carne e osso abrigando um espírito, um fantasma dentro de uma máquina, vocês compreendem que tudo é espírito. O corpo é espírito amalgamado numa forma que os sentidos podem sentir, ver e cheirar; a mente é o espírito numa forma que pode ser ouvida e compreendida. O espírito, em sua forma pura, não é nenhuma dessas coisas e só pode ser percebido pela intuição refinada. Certamente vocês já ouviram a frase: 'Aqueles que O conhecem não falam Dele; aqueles que falam Dele não O conhecem.' Esse é o mistério do espírito”.

- Mas você não está falando Dele neste exato momento? -perguntou Galahad, parecendo confuso.

- Não da maneira que você possa pensar. Quando falo sobre uma rocha, você pode vê-la e tocá-la. Quando falo do espírito, estou apontando em direção a um mundo invisível. Setas de luz voam desse mundo em direção a nós para inflamar nossas almas, mas não podemos mandar de volta setas de pensamento.

- Isso parece muito misterioso - murmurou Percival.

- A rosa seria misteriosa se você só pudesse pensar nela e nunca experimentá-la. O espírito é uma experiência direta, mas ele transcende este mundo. Ele é o silêncio puro combinando-se ao potencial infinito. Quando você obtém o conhecimento de qualquer outra coisa, você obtém o conhecimento de alguma coisa; quando você obtém o conhecimento do espírito, você se toma o próprio conhecimento. Todas as perguntas cessam porque você dá consigo no útero da realidade, onde tudo simplesmente é. Quando o olhar do observador cai sobre alguma coisa, esta é simplesmente aceita pelo que ela é, sem ser julgada.

“ Não existe uma necessidade do ego de tomar, possuir ou destruir. Na ausência do medo, essas motivações não se manifestam, porque a necessidade de possuir nasce da falta. Quando você não tem nenhuma carência a preencher, simplesmente estar aqui neste mundo, em seu corpo, é a mais elevada meta espiritual que você possivelmente poderia alcançar”.

“ Percival e Galahad ficaram muito impressionados com essa parte do discurso de Merlim. Eles haviam seguido as primeiras etapas com atenção, mas o ego, o empreendedor e o doador já lhes eram familiares. Quando o mago falou sobre o buscador, os dois cavaleiros viram a si mesmos como eram naquele momento. O observador, contudo, encheu-os de admiração, como se fossem exploradores chegando ao topo de uma montanha e examinando um novo e vasto horizonte há muito esperado, porém ainda não experimentado”.

- Eu quero ser esse observador do qual você fala - declarou ardentemente Galahad.

Merlim concordou com a cabeça.

- O que significa que você está pronto para isso. Para o mago só existem três tipos de pessoas: aquelas que ainda não vivificaram o Ser puro, aquelas que o experimentaram, e aquelas que o exploraram completamente. Você o experimentou e agora deseja explorá-lo. Para você este mundo começará a desaparecer como uma coisa sólida e a retroceder na luz esmagadora do Ser. Numa terra distante chamada Índia, as pessoas dizem que a vida comum se torna pálida diante de Deus, como a vela que parecia brilhar num quarto escuro mas se torna invisível quando trazida para o sol do meio-dia. - Ele se voltou para Percival.

- E eu o estou incluindo também neste estágio, não importa como você possa imaginar que eu o julguei.

Percival ficou vermelho e depois gaguejou:

- Como será essa nova vida?

- Como sempre, ela parecerá um novo nascimento. O observador difere do buscador por não mais ter que selecionar e escolher. O buscador ainda está envolvido numa ilusão quando sai por aí dizendo: "Deus está aqui, Deus não está aqui". O observador, por outro lado, vê Deus na própria vida. A longa guerra interior finalmente terminou, e o descanso chega para o guerreiro. Em lugar da luta, você vivência todos seus desejos se tomarem realidade naturalmente e sem esforço. Não existem sinais externos que definam quem são os observadores entre nós, mas interiormente eles se sentem abertos e satisfeitos, eles permitem que os outros sejam quem querem ser, que é a forma mais elevada de amor, não colocam empecilhos às outras pessoas e aos acontecimentos, e abandonaram totalmente o senso egoísta do "eu".


Nasceu o Observador, o Ego extinguiu-se.
Quem virá agora? Qual a surpresa que o Mago nos reservou?

Continua - O Espirito I

Texto de: Walter Jorge - www.caminhodesantiago.com/walter_jorge.htm
Adaptações: Renis R.

O nascimento do Buscador - Parte II

Mais um nascimento, no capítulo anterior o leitor trava conhecimento com o “Nascimento do Buscador”, o homem anseia por experiências espirituais, o amor por mais intenso e profundo que seja por uma outra pessoa não o satisfaz, ele deseja algo divino como que se encontrar frente a frente com DEUS, como se isso fosse possível, os bens materiais ficam relegados em um segundo plano.

Sir Galahad tentando captar os pensamento do Mago chega a dizer:

- Eu acho que é nesse estágio que a busca do Graal começa.

É o momento propício para uma pausa, para uma meditação, temos que olharmos para dentro de nós e sondarmos o nossa eu: O QUE BUSCAMOS?

Estamos satisfeitos com nós próprios?



Quinta Etapa - O Nascimento do Buscador (Segunda Parte)

- Os buscadores alcançam automaticamente as visões e experiências que desejam? - indagou Galahad.

- Todo mundo obtém a versão do divino que concebe na mente. Alguns vêem Deus em visões, outros numa flor. Existem muitos tipos de buscadores. Alguns exigem atos de intervenção e redenção milagrosos, outros seguem uma força invisível que se manifesta nas mais mundanas ocorrências. O buscador é simplesmente motivado pela sede de uma realidade superior. Isso não significa que o estágio anterior de dar desapareça. Mas o dar agora é realizado sem uma motivação egoísta, ele é feito com compaixão.

" Pela primeira vez a exigência do ego de ser onisciente e todo-poderoso é questionada. Por conseguinte, o nascimento do buscador pode ser extremamente turbulento. Imagine-se como uma carruagem conduzida por uma estrada por uma parelha de cavalos. Durante um longo período de tempo, não existe um cocheiro, e os cavalos vieram a acreditar que são os donos da carruagem. Então, um dia, uma voz suave, vinda de dentro da carruagem, sussurra: 'Parem'. No início, os cavalos não escutam a voz, mas ela repete: 'Parem'. Incapazes de acreditar no que estão ouvindo, os cavalos avançam ainda mais impetuosamente, apenas para provar que não têm um amo. A voz interior não emprega a força; ela não protesta. Apenas continua a repetir: 'Parem'”.

"É isso que acontece dentro de vocês. A carruagem é seu eu total, os cavalos o ego, a voz dentro da carruagem o espírito. Quando este último proclama sua entrada em cena, o ego inicialmente não escuta, porque está certo de que seu poder é absoluto. Mas o espírito não utiliza o tipo de poder ao qual o ego está acostumado. O ego está habituado a rejeitar as coisas; está acostumado a julgar, separar e tomar o que ele acha que lhe pertence. O espírito é simplesmente a voz mais tranqüila do Ser, asseverando o que é. Com o nascimento do buscador, essa é a voz que vocês começam a ouvir, mas vocês precisam estar preparados para uma violenta reação do ego, que, afinal de contas, não vai entregar o poder sem lutar."
- Como essa luta chega ao fim se o espírito não tem poder? - perguntou Percival.

- Eu disse que o espírito não utiliza o poder da maneira como o ego está habituado. Com o tempo, vocês aprenderão que o espírito é apenas poder, um poder de alcance infinito. Ele é um poder organizador que mantém cada átomo no universo em perfeito equilíbrio. Comparado com ele, o poder do ego é absurdamente limitado e insignificante. Não obstante, vocês só compreenderão isso depois de terem renunciado à necessidade do ego de controlar, predizer e defender. O poder do ego se limita a essas três coisas. Se o ego pudesse renunciar às três ao mesmo tempo, não haveria necessidade de outras etapas de crescimento; o nascimento do buscador seria suficiente.

“ Entretanto, este não é o caso. A voz do espírito anuncia que existe uma realidade mais elevada. Ascender a essa realidade é outra questão”.

- Isso me faz pensar que os buscadores devem ser raros, considerando-se como é árdua a luta - declarou Galahad. -Muitos devem fracassar e perder a esperança. É por isso que tão poucos nascem para alcançar o Graal?

- Todos nascem para alcançar o Graal - lembrou-lhe Merlim. - O motivo pelo qual os buscadores parecem raros é basicamente uma questão de aparências sociais. A busca é uma experiência completamente interior. É impossível dizer, a partir de indícios externos, quem está buscando e quem não está. A sociedade não oferece distinções ou recompensas especiais para o buscador, que poderá inclusive se retirar ao total isolamento, deixando a sociedade para trás, ou, por outro lado, continuar a viver a vida numa posição elevada.

- Como a pessoa saberá que é um buscador? - indagou Percival.

- As marcas internas do buscador são as seguintes: o dar passa a ser motivado pelo amor altruísta e pela compaixão, sem desejar nada em troca, nem mesmo gratidão; a intuição torna-se um guia fidedigno para a ação, substituindo a rígida racionalidade; a pessoa vislumbra lampejos de um mundo invisível como a realidade superior; surgem sugestões de Deus e da imortalidade. Esses indícios se farão acompanhar de um crescente gosto pela solidão, da autoconfiança em vez da necessidade de aprovação social, da atividade do Ser e de uma disposição para confiar. Os padrões de hábito começarão a desaparecer. A meditação e a prece tomam-se parte da vida cotidiana. E, no entanto, ao mesmo tempo em que todas essas manifestações espirituais os afastam do mundo material, vocês sentirão, paradoxalmente, uma maior ligação com a natureza, mais conforto no corpo e uma maior aceitação das outras pessoas. Isso acontece porque o espírito não é o oposto da matéria. O espírito é tudo, e o surgimento dele na sua vida tornará as coisas melhores, até mesmo coisas que parecem ser opostas.

O Buscador acaba de nascer, e com ele determinadas mudanças no nosso comportamento.

Continua _ O Nascimento do Observador

Texto de: Walter Jorge - www.caminhodesantiago.com/walter_jorge.htm
Adaptações: Renis R.

O nascimento do Buscador - Parte I

Chegamos na Quinta Etapa, para que a mesma não se torne cansativa, e para que possamos ler e refletir com a devida tranqüilidade dividimos a mesma em duas partes. Continuemos a ler o que Deepak Chopra através do Mago Merlim nos procura ensinar.

Anteriormente na Quarta Etapa ou fase, assistimos o “Nascimento do Doador”. O Mago explica a felicidade com base no dar e no receber, fala do amor nesse sublime ato de DAR, e explica a diferença entre o amor e o prazer.

A uma pergunta de Sir. Percival, Merlim informa: “O plano de Deus é que vocês encontrem a si mesmos”.

O que o Mago quis dizer com essas palavras?



Quinta Etapa - O Nascimento do Buscador (Primeira Parte)

- Durante um longo tempo, o ego teve tudo à sua maneira - continuou Merlim. A pergunta: o que é bom para mim? Dominou todas as considerações; o ponto de vista limitado do indivíduo foi o único que pareceu real. Isso é apenas natural. Como eu disse, este mundo relativo tem um objetivo, ensiná-los a se tonarem indivíduos. Mas a individualidade acaba por se abrir e ampliar seus horizontes. Vocês poderiam prever que em virtude do livre-arbítrio, os seres humanos se tornariam cada vez mais egoístas. Se o ego indiferente e controlador tivesse a última palavra, talvez esse fosse seu destino, mas a alquimia trabalha de forma invisível, nas passagens estreitas da alma”.

" No devido tempo, o doador dá o passo seguinte e avança em direção ao buscador. Nesta fase, os interesses antigos e familiares do ego são postos de lado. O senso do 'eu' começa a se expandir. Agora a pessoa começa a ansiar por experiências espirituais, sentindo uma fonte de amor e realização que mesmo o mais intenso amor de outra pessoa não é capaz de proporcionar. Uma vez mais, essa reviravolta acontece como um choque”.

“ Em sua melhor expressão, o doador é um filantropo. Ele começou dando apenas para a família e para os amigos, depois para obras de caridade ou para a comunidade, mas no final o espírito de dar só consegue se satisfazer quando todos os seres humanos são beneficiados”.

" Mas é realmente possível vocês se darem para todas as outras pessoas do mundo? Esta pergunta os leva ao limite da individualidade; é a pergunta que só um santo pode responder. É natural, portanto, que o estágio de dar levante questões que ele não pode responder, preparando assim o caminho para um novo nascimento. O doador que queria abraçar o mundo agora descobre que o mundo não é mais uma fonte de realização. As coisas que antes lhe proporcionavam prazer começam a parecer monótonas; em particular, a necessidade de aprovação e importância pessoal do ego não mais conferem satisfação. Surge a sede de ver o rosto de Deus, de viver na luz, de explorar o silêncio da consciência pura: o impulso do buscador pode assumir muitas formas.

" E, contudo, todos os buscadores compartilham o sentimento de que o mundo material não parece ser o lugar no qual seus desejos podem ser realizados. Por quê? Deus não está em toda parte, o espírito não se encontra no mais minúsculo grão de areia? Sim e não. Deus pode estar em toda parte, mas este fato não lhes traz nenhum beneficio se vocês não puderem ver onde Ele está. O buscador procura para poder ver”.

- Eu acho que é nesse estágio que a busca do Graal começa - declarou Galahad.

- Para alguns mortais, de fato, é então que o Graal se torna um símbolo para uma profunda necessidade interior, replicou Merlim - mas cada estágio foi uma busca, até mesmo a perda da inocência. Vocês, mortais, são obcecados por dividir a realidade em bem e mal, santo e pecador, sublime e não sublime, quando na verdade a vida é um fluxo divino. Um único impulso, o impulso de possuir o completo conhecimento e a completa realização, é que o que faz a vida seguir adiante.

" E, contudo, sob um certo aspecto você está certo. Com o nascimento do buscador, podemos, pela primeira vez, nomear um desejo que até agora não tinha nome. Não importa que o nome seja Deus, o Graal, o Ser divino ou espírito. Todos apontam em direção a uma vida universal. O mundo parece ser limitado pelo tempo e espaço, mas isso é apenas uma aparência”.

- Por que temos que ser enganados pelas aparências? - perguntou Percival.

- O universo não está escondendo nada de nós – respondeu Merlim. - Você não está sendo iludido. A aparência de limitações surge porque este mundo é uma escola, ou campo de treinamento. E a regra básica que existe nele é que você verá o mundo como vê a si mesmo. Se você se vê como carente ou indigno, é esse julgamento que manterá Deus afastado de você. Você poderá dizer que quer Deus, mas ao mesmo tempo deseja conservar dentro de si todas essas críticas que você faz a si mesmo.

- Então Deus permanece afastado - lamentou-se Galahad. - E a busca do Graal torna-se eterna.

Merlim lançou lhe um olhar complacente.

- O espírito não poderia ficar afastado de você mesmo que ele quisesse, porque tudo é espírito. Não existem lugares secretos onde ele não viva. Deus, na verdade, não vê nada errado em você.

" Quero falar mais a respeito do buscador, pois este é o estágio da alquimia que atrai o mago para vocês, e também é o estágio para o qual os mortais estão menos preparados. Desde que eram bebês, vocês sempre desejaram cada vez mais. O buscador é simplesmente aquele cujos desejos se expandiram tanto que só serão satisfeitos se encontrarem Deus frente a frente. Esse não é um desejo 'mais elevado' do que querer brinquedos, dinheiro, fama ou amor. Os brinquedos, o dinheiro, a fama e o amor eram a face de Deus quando eram as coisas mais importantes para vocês. Qualquer coisa que vocês acreditem que irá lhes conferir a paz e realização finais é sua versão de Deus. À medida que avançam de uma fase para outra, contudo, vocês se aproximam da verdadeira meta; sua imagem de Deus torna-se mais verdadeira, mais próxima da natureza Dele como espírito puro. No entanto, cada etapa é divina”.

- Você está dizendo que alguém que queira roubar ou cometer um assassinato está seguindo um impulso divino? Afinal de contas, esses também são desejos - disse Percival.

- O amor é universal, e, por conseguinte, não toma partido - replicou Merlim. - O ego pode não gostar desse fato. Ele pode dizer: "Eu mereço o amor de Deus, mas aquela pessoa não merece". Esta não é a perspectiva de Deus. O ladrão inflige a perda da propriedade; o assassino, a perda da vida. Enquanto essas perdas forem reais para você, é claro que você condenará a pessoa que as causou. Mas o tempo também não irá roubar sua propriedade e, no final, sua vida? O tempo também é um criminoso? Existe uma perspectiva que encara o pecado como uma ilusão. Nada que você chame de pecado pode macular, mesmo que infimamente, o amor de Deus.

- Os buscadores alcançam automaticamente as visões e experiências que desejam? - indagou Galahad.

Continua - nascimento do buscador II

Texto de: Walter Jorge - www.caminhodesantiago.com/walter_jorge.htm
Adaptações: Renis R.

quinta-feira, 5 de novembro de 2009

O Nascimento do Doador - Quarta Etapa



No capítulo anterior tomamos conhecimento com o “Nascimento do Empreendedor” e com ele a nossa consciência, o nosso livre arbítrio, o nosso ego se avoluma. A sede da fama e da fortuna sobrepuja o verdadeiro objetivo da busca, o apetite do empreendedor não tem limites. Nesse ponto perguntamos: Onde está a felicidade? E ele conclui perguntando baixinho: Onde está o amor? Onde está o ser?

É um momento de reflexão para todos nós, pois a existência do Criador foi esquecida.

A sede pelo conhecimento está presente em nosso ser, à leitura entra em um terreno escorregadio, não podemos parar, continuemos com a mesma.

O que o Mago nos reserva?

Quarta Etapa - O Nascimento do Doador

- Com o tempo o ego descobre uma nova noção - acrescentou Merlim. -, ou seja, que a felicidade não repousa apenas em dar, mas também em receber. Esta é uma descoberta importantíssima, pois liberta o ego de muitos tipos de medo. Existe o medo do isolamento, ao qual o completo egoísmo necessariamente conduz. Existe o medo da perda, que surge porque vocês não podem se agarrar a tudo para sempre. Existe o medo dos inimigos, aqueles que querem tomar de você.

“ Ao tornar-se um doador, o ego não precisa conviver com esses medos, pelo menos não tanto quanto antes. Um problema insistente foi resolvido. Mas também existe algo mais profundo em funcionamento. O ato de dar une duas pessoas, a que dá e a que recebe. Esta união dá origem a uma nova sensação de pertencer; não o pertencer passivo do bebê que automaticamente pertence à mãe, mas o pertencer ativo de alguém que aprendeu a criar a felicidade”.

" Dar é criativo, e também vira a perspectiva do ego de cabeça para baixo. Antes de o doador nascer, a proteção contra a perda era extremamente importante. Isso significava a perda de dinheiro e posses, mas também a perda da auto-imagem, a perda da importância. Agora a pessoa abre livremente mão de alguma coisa, mas não sente que perdeu alguma coisa. Em vez disso, o ego sente prazer. Isso é impressionante, porque o prazer de tomar nunca foi assim”.

Galahad parecia pensativo.

- O amor entrou no coração. Essa é a diferença.

- É verdade - disse Merlim. - Enquanto o ego persegue o interesse pessoal, ele não sente amor. Ele pode sentir um intenso prazer, auto-satisfação ou apego. Esses sentimentos são às vezes chamados de amor, mas na natureza o amor é altruísta, e é preciso um ato altruísta para suscitar o amor. Dar não está limitado a dar dinheiro ou coisas para uma outra pessoa. Existe também o serviço, o dar de si mesmo, e a devoção, a mais pura forma de dar amor.

" Por todos esses motivos, o nascimento do doador transmite uma sensação nova e libertadora. Embora o ego ainda esteja no comando, ele começou a olhar para fora de si mesmo. Quase todas as pessoas aprendem o prazer de dar quando bem pequenas; a maioria dos pais ensina os filhos a dividir as coisas com outras crianças. No entanto, o verdadeiro nascimento do doador pode acontecer somente muito mais tarde. Enquanto você estiver dando porque lhe disseram para fazê-lo, ou porque você acha que dar é a coisa correta a ser feita, você não sentirá o profundo prazer de dar. Dar precisa ser espontâneo, nascer do sentimento 'É isso que eu quero fazer', e não 'É isso que eu devo fazer' “.

- Quando a pessoa começa a dar, isso é um indício de que o ego está morrendo? - perguntou Percival.

Merlim franziu as sobrancelhas.

- Na alquimia não existe a morte. Nada precisa perecer para alcançar o Graal. Essa antiga noção da morte do ego pressupõe que existam coisas a respeito de vocês que Deus condena.

- Mas você acabou de dizer que o ego é controlador e indiferente - objetou Percival. - Isso faz parte do plano de Deus para nós?

- O plano de Deus é que vocês encontrem a si mesmos - disse Merlim. - Vocês não estão simplesmente destinados a atingir uma meta predeterminada. Se vocês quiserem explorar como é ser egoístas, ignorantes, homicidas ou totalmente destituídos de fé, Deus permite todas essas experiências. Por que não deveria Ele permitir? Como vocês não são julgadas, nenhumas das suas ações é boa ou má aos olhos de Deus.




- Mas isso é chocante - declarou Galahad. - Você está querendo dizer que um assassino e um santo são iguais?

- Eles são iguais se o pecador e o santo forem apenas máscaras que você veste - retrucou Merlim. - O santo nesta vida pode ser o pecador em outra, e o pecador de hoje pode estar aprendendo a ser o santo de amanhã. Todos esses papeis são ilusões aos olhos de Deus. Não estou dizendo que vocês precisam se obrigar a adotar essa perspectiva. Mas vocês me pediram orientação, e preciso lhes mostrar o que está adiante no caminho.

O Nascimento do Doador merece de nossa parte uma reflexão.

Continua - Nascimento do Buscador I

Texto de: Walter Jorge - www.caminhodesantiago.com/walter_jorge.htm
Adaptações: Renis R.

O Nascimento do Empreendedor - Terceira etapa



O Mago continua a falar, no capítulo anterior aborda a Segunda Etapa a fase do “Nascimento do Ego”, explica que nessa fase ou etapa, o bebê passa a tomar conhecimento das coisas que o cerca, nasce o ego, aparece o “eu” e aí ele toma conhecimento do medo pelo abandono, sente necessidade da aprovação dos seus atos, a possessividade aparece bem como a ansiedade da separação. Aparece à preocupação consigo e a auto comiseração, o bebê passa a conhecer a dor.

Os cavaleiros ouvem atentamente as palavras do Mago, nesse ponto da leitura temos de parar e pensarmos um pouco sobre esse nascimento, o nascimento do nosso EGO.

Continuemos com essa fascinante leitura.



Terceira Etapa - O Nascimento Do Empreendedor

- Quando surge o ego - prosseguiu Merlim - você passa a ter um mundo “lá fora”, e uma nova tendência emerge, o anseio de sair pelo mundo e fazer realizações. Os primeiros indícios dessa mudança são primitivos. O bebê quer agarrar as coisas e segurá-las; ele quer fazer sozinho suas explorações, sempre certificando-se de que a mãe está por perto. Logo ele quer andar e protesta se sua mãe não permite que ele o faça. Esse desejo de escapar e perambular são tímidos no início. Mas com o tempo, o mesmo bebê que ansiava para que o segurassem e o protegessem grita para que o soltem. Trata-se de um instinto saudável, pois o ego sabe que o desconhecido é a fonte do medo. Se o bebê não saísse para conquistar o mundo, ele passaria a temê-lo cada vez mais.

“ Estamos agora nos afastando cada vez mais da sensação de paz, unidade e confiança com a qual vocês nasceram. O ego começa a dominar o espírito. Quando o bebê se volta para dentro de si para sentir o que existe ali, ele já não mais encontra a consciência pura; em vez disso, encontra um turbilhão de memória. As experiências se tornam pessoais, e nunca serão de novo completamente compartilhadas”.

- Outra história triste - lamentou-se Percival.

- Se ela parasse aqui, sem dúvida - disse Merlim - Mas o nascimento do empreendedor lhe conferiu confiança e a sensação de que você é único. Este mundo de objetos e eventos diz respeito a uma única coisa: a individualização. O ego é necessário para que isso aconteça, pelo menos no caminho que vocês, mortais, escolheram.

- Nem todo mundo é um empreendedor. Essa etapa é realmente necessária? - perguntou Galahad.

- Nem todas as pessoas valorizam o sucesso acima de tudo ou se identificam com o dinheiro, o trabalho e o status - disse Merlim. - Mas o anseio do empreendedor é mais simples, mais básico do que isso. É a marca do ego em ação, provando a si mesmo que a separação é suportável. De fato, o nascimento do empreendedor torna este mundo onde estamos um lugar alegre, cheio de coisas para fazer e aprender. Em algumas pessoas o empreendedor perdura um tempo extremamente longo. A sede da fama e da fortuna sobrepuja o verdadeiro objetivo da busca. Mas Deus permite o total livre-arbítrio, e se a pessoa chega à conclusão que o mundo "lá fora" é mais importante do que ela, o anseio pela fama e pela fortuna segue-se necessariamente.

" O ego, na visão do mago, não oferece nenhuma possibilidade de realização. Ele é controlador e indiferente. 'Escute-me', diz ele, 'e agarre tudo que você puder para você mesmo. Isso é que é felicidade.' Todos vocês, mortais, seguem esse conselho durante algum tempo. Tampouco existe nele qualquer prejuízo do ponto de vista de Deus, porque a confiança Dele no livre arbítrio vem a ser o caminho mais sábio”.

" Dificilmente preciso lhes dizer que essa terceira etapa permanece com vocês, porque enquanto o ego estiver presente, o empreendedor também estará. O empreendedor nunca satisfaz seus apetites. Afinal de contas, não existem limites para as experiências que vocês podem acumular; o mundo é infinito em sua diversidade. Mas à medida que se desenvolve, o ego abafa o espírito com diferentes camadas, de riqueza, poder, auto imagem, até que uma voz começa a perguntar baixinho: ‘Onde está o amor? Onde está o ser?’ A quarta etapa, outro nascimento vem a seguir”.
Quem será que irá nascer?

Continua - O Nascimento do Doador

Texto de: Walter Jorge - www.caminhodesantiago.com/walter_jorge.htm
Adaptações: Renis R.
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