SE É A MERA CURIOSIDADE QUE AQUI TE CONDUZ, DESISTE E VOLTA; SE PERSISTIRES EM CONHECER O MISTÉRIO DA EXISTÊNCIA, FAZ O TEU TESTAMENTO E DESPEDE-TE DO MUNDO DOS VIVOS.
Mostrando postagens com marcador tarot. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador tarot. Mostrar todas as postagens

quarta-feira, 27 de janeiro de 2010

TARÔ - 22 ARCANOS MAIORES

(0 ou 22) O Louco
O Arcano da Busca e do Amor


Ao contrário do que ocorre nos demais arcanos, a margem superior da lâmina não tem numeração, razão pela qual se costuma atribuir-lhe o valor de arcano 0 ou 22, segundo a necessidade.
Um homem anda com um bastão na mão direita. Está de costas, mas seu rosto, bem visível, aparece de três quartos. Sobre o ombro direito leva uma vara em cuja extremidade há uma pequena trouxa.
O personagem está vestido no estilo dos antigos bobos da corte: as calças rasgadas deixam ver parte da coxa direita. Um animal que poderia ser um felino parece arranhar esta parte exposta ou ter provocado o rasgão.
De um chão árido, acidentado, brotam cinco plantas.
O viajante tem a cabeça coberta por um gorro que desce até a nuca e lhe cobre as orelhas; esta estranha touca transforma seu rosto barbudo numa espécie de máscara. Veste uma jaqueta, presa por um cinto amarelo; seus pés estão cobertos por calçados vermelhos.

Significados simbólicos

A busca e o Filho Pródigo. A experiência de ultrapassar os limites.
Espontaneidade, despreocupação, admiração, saudade.
Impulsividade. Inconsciência. Alienação.

Interpretações usuais na cartomancia

Passividade, completo abandono, repouso, deixar de resistir. Irresponsabilidade. Inocência.
Escolha intuitiva acertada. Domínio dos instintos; capacidade mediúnica. Abstenção. O não-fazer.
Mental: Indeterminação devida às múltiplas preocupações que se apresentam e das quais se tem apenas uma vaga consciência. Idéias em processo de transformação. Conselhos incertos.
Emocional: Revezes sentimentais, incerteza frente aos compromissos, sentimentos vulgares e sem duração. Infidelidade.
Físico: Inconsciência, desordem, falta à palavra dada, insegurança, desprazer. Abandono voluntário dos bens materiais. Assunto ou negócio enfraquecido. Do ponto de vista da saúde: transtornos nervosos, inflamações, abscessos.
Sentido negativo: Enquanto andarilho, o Louco significa queda ou marcha que se detém. Abandono forçado dos bens materiais; decadência sem muita possibilidade de recuperação. Complicações, atoleiro, incoerência.
Nulidade. Incapacidade para raciocinar e autodirigir-se, entrega aos impulsos cegos. Automatismo. Confusões inconscientes. Extravagância. Castigo causado pela insensatez das ações. Remorsos vãos.

I. O Mágico ou O Mago
O Arcano da Mística, da Concentração, do Impulso Criado


O título francês desta carta, Le Bateleur, pode ser traduzido também como Prestidigitador, Malabarista, Pelotiqueiro, Bufão, Acrobata ou Cômico. O termo Prestidigitador talvez fosse o mais adequado ao simbolismo dinâmico do personagem, mas é comum que seu nome seja traduzido do inglês Magician, Mágico ou Mago.
Um prestidigitador, de pé, frente à mesa onde coloca os seus instrumentos, segura uma esfera ou um disco amarelo entre o polegar e o indicador da mão direita, enquanto com a mão esquerda aponta obliquamente para o chão uma vareta curta.
O personagem é representado de frente, com o rosto voltado para a esquerda. [Nas referências aos protagonistas de cada carta, será considerada sempre a esquerda e a direita do leitor]. Usa um chapéu cuja forma lembra o símbolo algébrico de infinito ( ) e seus cabelos, em cachos louros, escapam desse curioso chapéu. Veste uma túnica multicolorida, presa por um cinto amarelo.
Sobre a mesa, da qual se vêem apenas três pernas, há diversos objetos: copos, pequenos discos amontoados, dados, uma bolsa e uma faca com a lâmina descoberta ao lado de sua bainha.
O prestidigitador está só, no meio de uma campina árida com três tufos de erva; no horizonte, entre as pernas da figura, uma
árvore se desenha contra o céu incolor.

TARÔ - O Referencial de Nascimento Autoconhecimento e desenvolvimento pessoal

Marize Wendland

O Referencial de Nascimento é um método de autoconhecimento e de desenvolvimento pessoal tendo como suporte o Tarô de Marselha. Este método foi criado por Georges Colleuil, nos anos oitenta do Século XX. Ele faz uma abordagem filosófica, terapêutica e humanista do Tarô. Desenvolve uma pesquisa original sobre o conteúdo simbólico do Tarô de Marselha, tentando desfazer o preconceito que o Tarô prediz o futuro. Para ele, “o Tarô não serve para ler o futuro, mas para construí-lo”. Seguindo este pensamento, ele diz que trabalhar
com o Tarô em um processo de autotransformação, terapia, desenvolvimento pessoal, nos permite entrar em contato com o centro invisível que se confunde com o mais profundo de nosso ser, o mais autêntico, o mais criativo. Seguindo esta idéia, o Referencial de Nascimento parte de uma Tarologia humanista, viva, em vez de Taromancia passiva.


O Referencial de Nascimento, como o nome indica, é uma representação das qualidades pessoais às quais é sempre possível se referir. É um instrumento de autoconhecimento e conhecimento dos outros, um meio dinâmico de evolução e de desenvolvimento pessoal, um método “de aprendizagem do ser”. Graças à decodificação rigorosa das lâminas que o compõem, ele vai permitir o retorno sobre si mesmo, a coerência consigo mesmo e, então, a autonomia que, por sua vez, favorece uma melhor harmonização no relacionamento com o outro.
O Referencial de Nascimento propõe uma reinterpretação dos Arcanos sob uma perspectiva humanista, evolutiva e terapêutica, que permite atualizar seus símbolos na experiência individual. Poderíamos dizer, pois, que o Tarô é uma linguagem universal que se individualiza no Referencial de Nascimento.
Um Referencial não é uma radiografia da personalidade, mas um espelho simbólico de uma estrutura interior. Trabalhar com um Referencial de Nascimento ajuda, pois, a se estruturar, sob a condição de poder se reconhecer nas experiências de vida que nos refletem as imagens simbólicas do antigo Tarô de Marselha. O Referencial de Nascimento nos apresenta uma adição de cartas que nos são confiadas no momento do nosso nascimento. Ele nos convida não só a uma observação desligada e distanciada de si-mesmo para melhor discernirmos um estado de conflito suscetível de gerar sofrimentos, mas, sobretudo, para identificar recursos, reservas energéticas estocadas e utilizáveis em prol de nossa transformação interior.

Os cálculos

O Referencial de Nascimento se apresenta sob uma forma de cruz composta de treze Arcanos maiores e de um Arcano menor, cada um contendo uma proposição de desenvolvimento pessoal. Esta maneira de organizar as cartas no espaço constitui a gramática sintática; a leitura do tema é a retórica; e a arte de formular as proposições constitui a dialética. O Referencial de Nascimento é, pois, uma estrutura gramatical cuja leitura e comentário devem nos ajudar a nos tornar mais presentes, ou seja, mais conscientes. Num Referencial de Nascimento, somos quase sempre levados a verificar a adequação ou não adequação entre o que propõe um dado Arcano de um ponto de vista absoluto (uma simbologia comumente aceita) e a vivência deste Arcano da nossa experiência pessoal. Por exemplo, o Eremita, um buscador incansável, aquele que encontra a luz e a sabedoria no interior de si mesmo, ou uma predisposição para a solidão; a Força, integração harmoniosa das forças vitais, centragem e autonomia. Perguntar-se-ia a um consulente que tenha estes dois Arcanos no seu Referencial “onde ele se encontra nesta questão?” Partindo da sua vivência, ele vai se conectar com a simbologia do Arcano... Se não há uma adequação, o Referencial pode oferecer caminhos para uma adequação através de vários tipos de terapia.


As lâminas são dispostas em quatro eixos que formam uma cruz de Santo André. O eixo vertical é denominado de a escada de Jacó; o eixo horizontal, a cintura ou o horizonte; a diagonal que desce da esquerda do observador, a Banda; a outra diagonal, a Barra; o espaço situado acima do horizonte, o hemisfério norte; o espaço situado abaixo, o hemisfério sul. Esta cruz gira da direita para esquerda e determina os 12 espaços chamados Casas e mais um espaço: o coração do brasão ou Casa 13, como no desenho ao lado.
As lâminas que ocupam estas casas formam juntas os aspectos (espelho, nó, dialética...)

Casa 1: A Personalidade
Esta Casa diz respeito, sobretudo, às manifestações de extravasão do indivíduo: sua personalidade, seu modo de comunicação com os outros, com seu ambiente, assim como a maneira
pela qual ele é percebido pelo mundo exterior.
Cálculo: corresponde ao dia do nascimento.
a. Se a data de nascimento cai entre os dias 1° e o 22° do mês, encontra-se imediatamente o Arcano maior correspondente.
Exemplo: para um nascimento no dia 18 novembro o Arcano correspondente será o 18, ou seja, a Lua. Já para um nascimento no dia 22 de maio, o Arcano correspondente será o Louco. (Trata-se aqui de uma convenção, pois o Louco não possui o valor 22, porém é o vigésimo segundo Arcano maior).
b. Para as pessoas nascidas entre 23 e 31, adicionam-se os valores que compõem este número (redução teosófica ) e substitui-se o resultado obtido pelo Arcano correspondente.
Exemplos: 23 = 2+3 = 5 = O Papa; 29 = 2+9 = 11 = A Força

TARÔ - Fernando Pessoa

Fernando Pessoa é místico por natureza. Também por palavras, por astros e heterônimos, os quais lhe desdobram em mil e expressam vidas exclusivas, como cada lâmina de baralho. Atuam e interferem umas nas outras, oferecendo destinos, orientações e outros símbolos. Mais e mais símbolos, cada vez mais.
Geminiano, dedicou-se ao estudo da filosofia clássica e contemporânea, sofrendo influências de Baudelaire e do movimento simbolista quando começou a escrever. Pinceladas e abismos de ocultismo se destacam em toda a sua obra. Caminho mágico, caminho alquímico. Transmutações de sua própria personalidade. Como astrólogo, introduziu Plutão às cartas. Daí o caráter revolucionário, influência direta do planeta – desbravador de novos mares, tanto os literários, lingüísticos quanto os esotéricos e até mesmo pessoais.
Modernista, investe palavras na Orpheu, uma publicação mais que curiosa para quem tem os olhos atentos de cartomante. Na ilustração de capa da primeira edição, assinada por José Pacheco, vê-se uma
mulher entre duas velas, como se fossem pilares – nítida associação com a Sacerdotisa do tarô, a Senhora dos Mistérios que, em “O Último Sortilégio” da obra ortônima “Cancioneiro”, marca presença nos versos de uma iniciada. Eles descrevem práticas de magia ritualística, que Pessoa conhecia muito bem.
Aliás, a amizade com Aleister Crowley não pode deixar de ser mencionada. Entre mapas, nevoeiros e auroras douradas, o encontro em Lisboa foi pra lá de obscuro. Fico aqui pensando que Psiquetipia foi escrito logo depois de ter conhecido e analisado não só a carta natal, mas os modos e os arcanos nas mãos do mago, mesmo que seja assinado pela pena de Álvaro de Campos.

“Conversa perfeitamente natural... Mas e os símbolos?
Não tiro os olhos de tuas mãos... Quem são elas?
Meu deus. Os símbolos... Os símbolos...”


Sempre me questionei: “qual teria sido o contato de Pessoa com o tarô? Como, aliás, perceber os arcanos em uma obra tão vasta, tão interrogativa e enigmática?” Pois bem, a resposta estava na própria pergunta. O tarô é um enigma se pensarmos em sua trajetória histórica, esotérica, simbólica. O poder das imagens que se tornam palavras. Palavras que traduzem imagens. Próprias. Íntimas. Secretas.
Bom, se penso nos símbolos, sigo as pistas. Afinal, “tudo são símbolos”. Reparo, então, na famosa anotação que antecede o livro Mensagem, escrita especificamente para decifrar o conteúdo da obra, recheado de sinais divinos e patriotas.
Na verdade, este documento parece ter sido escrito especificamente para os profissionais e estudantes dos arcanos. Longe, então, das intenções sebastianistas e nacionalistas que o autor propôs ao seu estudo, a nota se torna um exercício de interpretação ou mesmo um manifesto que contribui à codificação das cartas e à compreensão do caráter essencialmente polissêmico de seus símbolos.

Nota Preliminar

Fernando Pessoa
Apontamento s.d., não assinado
Comentários de Leonardo Chioda

“O entendimento dos símbolos e dos rituais (simbólicos) exige que o intérprete – o tarólogo – possua cinco qualidades ou condições, sem as quais serão, para ele, mortos, e ele um morto para eles.
A primeira é a simpatia, em grau de simplicidade e conformidade com as citações. Tem o intérprete que sentir simpatia pelo símbolo que se propõe interpretar. Nesse quesito se enquadra a escolha adequada do baralho, a plenitude e sinceridade do desejo de optar pelas imagens a que se propõe a analisar.
A atitude cauta, a irônica, a deslocada – todas elas privam o intérprete da primeira condição para poder interpretar. Cabe aqui a postura de respeito e fidelidade aos arcanos e à prática oracular. Somente a verdadeira vontade e de constantes e sérios estudos é que as imagens passarão a fluir na alma e no cotidiano do indivíduo disposto.
A segunda é a intuição. A simpatia pode auxiliá-la, se ela já existe, porém não criá-la. A dedicação autêntica e continuada das análises promove insights, aberturas mentais e emocionais a outros níveis de interpretação e de capacidade narrativa, mas não nasce repentinamente; quando plantada, exige cultivo e cada arcano espalhado sobre a superfície de leitura. Por intuição se entende aquela espécie de entendimento em que se sente o que está além do símbolo, sem que se veja. Noções diversas sobre diversas situações,explicações e captações lingüísticas por meio da arte – eis a finalidade desta condição. Há de se tomar cuidado com projeções que se jogam ao olho mental, iludindo os menos e os muito preparados.
A terceira é a inteligência. A inteligência analista decompõe, ordena, constrói noutro nível o símbolo; tem, porém, que fazê-lo depois que se usou da simpatia e da intuição. Essa é a premissa básica para estabelecer associações entre as cartas e a cultura, a realidade palpável, às paisagens, aos fatos históricos e até aos imaginários. A inteligência arcana se traduz em criatividade lúdica, representativa e inovadora de quaisquer elementos que se queira abordar simbolicamente.
Um dos fins da inteligência, no exame dos símbolos, é o de relacionar no alto o que está de acordo com a relação que está embaixo – o próprio ofício d´O Mago. Não poderá fazer isto se a simpatia não tiver lembrado essa relação, se a intuição a não estiver estabelecido. Então a inteligência, de discursiva que naturalmente é, se tornará analógica, e o símbolo poderá ser interpretado.
Eis então o próprio ofício do leitor, que deve aproximar, com estilo, a vida estática das estampas às horas da vida material, sentimental e espiritual para extrair lições e orientações quando solicitadas.
A quarta é a compreensão, entendendo por esta palavra o conhecimento de outras matérias, que permitam que o símbolo seja iluminado por várias luzes, relacionado com vários outros símbolos, pois que, no fundo, é tudo o mesmo. O poder da analogia e da convergência entre disciplinas, conceitos e sistemas diferentes. Alude ao estudo interdisciplinar ao qual o tarô é sujeito, já que trabalha a interdependência simbólica e a evolução de significados sem alterar, diretamente, o fenômeno analisado. Não direi a erudição, como poderia ter dito, pois a erudição é uma soma; nem direi cultura, pois a cultura é uma síntese, e a compreensão é uma vida. Compreender o tarô demanda tempo, demanda vidas. Exige paciência e a uma determinada carga cultural do estudante, que assimila emoções, desejos e impressões às cartas. Seriam elas uma síntese do mundo? Seriam potenciais, tendências da realidade através dos tempos? Ou então a memória do divino universo da alma? São questões precisas que promovem respostas individuais e coletivas. Assim, certos símbolos não podem ser bem entendidos se não houve antes, ou ao mesmo tempo, o entendimento de símbolos diferentes. Daí a importância dos estudos de literatura, filosofia, de religiões e de história da arte e do mundo. Para que os arcanos sejam “inteiros” nas mãos leigas, faz-se necessária a longa jornada de pesquisa – das origens de tais signos e significantes, de suas migrações e transformações ao longo dos séculos e das diferentes concepções artísticas. Esta quarta condição, que acaba sendo rara e verdadeira qualidade, apenas se torna nítida com o passar do tempo, quando desenvolvida e concretizada a intimidade e o gosto por deitar as lâminas. Exige, portanto, maturidade, coerência e olhos livres. É a interpretação da vida. A compreensão dos mecanismos que sustentam o espírito do universo – sobretudo o humano.
A quinta é a menos definível. Direi talvez, falando a uns, que é a graça, falando a outros, que é a mão do Superior Incógnito, falando a terceiros, que é o Conhecimento e Conversação do Santo Anjo da Guarda, entendendo cada uma destas coisas, que são a mesma da maneira como as entendem aqueles que delas usam, falando ou escrevendo.”
Menos definível porque, como a Beleza, insinua-se para poucos; apenas para as almas despertas. Menos definível pois só é constatada quando se joga e quando se escreve. É a transcendência do tarô. O dom de manipular as palavras – escritas e faladas que nascem da observação das cenas ilustradas em cada peça. Augúrios e presságios que são sussurrados e afloram no tempo certo. Qualidade de quem decodifica seus símbolos mais íntimos e os respeita. Como cartas. Como vidas. Como divindades. Como magia. Como profissão. A própria adivinhação e as revelações que indicam o norte ao consulente. Rotas de orientação que quando contempladas, oferecem conselhos e escolhas. Ferramenta do destino, alegoria da imaginação.
Símbolos. Pessoas.


Livros recomendados
Pessoa, Fernando. Mensagem. Coleção A Obra-Prima de Cada Autor.
Editora Martin Claret, São Paulo, 2007
Pessoa, Fernando. Poesias Ocultistas, 2ª edição.
Editora Aquariana, São Paulo, 1996.

Fonte:http: www.clubedotaro.com.br
Related Posts Plugin for WordPress, Blogger...