SE É A MERA CURIOSIDADE QUE AQUI TE CONDUZ, DESISTE E VOLTA; SE PERSISTIRES EM CONHECER O MISTÉRIO DA EXISTÊNCIA, FAZ O TEU TESTAMENTO E DESPEDE-TE DO MUNDO DOS VIVOS.

sexta-feira, 15 de janeiro de 2010

COMPAIXÃO


Compaixão é a verdadeira essência de uma vida espiritual e a prática central daqueles que devotaram suas vidas para alcançar a iluminação. É a raiz das Três Jóias Supremas – Buda, Darma e Sanga.

É a raiz de Buda, porque todos os Budas nascem da compaixão. É a raiz do Darma, porque os Budas dão ensinamentos motivados unicamente por compaixão. É a raiz da Sanga, porque é ouvindo e praticando os ensinamentos de Darma, os quais são dados por compaixão, que nos tornaremos membros da Sanga, ou Seres Superiores.

O que é exatamente compaixão? Compaixão é uma mente que, com a motivação de apreciar todos os seres vivos, deseja libertá-los do seu sofrimento.


Às vezes, desejamos que alguém se livre do sofrimento por razões egoístas; isso é bastante comum nas relações que se fundamentam principalmente no apego. Se nosso amigo estiver doente ou deprimido, poderemos desejar que se recupere depressa para desfrutarmos novamente da sua companhia; mas esse desejo é basicamente autocentrado, não é verdadeira compaixão. A verdadeira compaixão baseia-se, necessariamente, na motivação de apreciar os outros.

Embora já tenhamos algum grau de compaixão, no momento, ela é bastante parcial e limitada. Quando nossos familiares e amigos estão sofrendo, facilmente geramos compaixão por eles, mas é bem mais difícil sentirmos solidariedade por estranhos ou por pessoas que achamos desagradáveis.

Além do mais, sentimos compaixão por aqueles que estão sofrendo dor manifesta, mas não por aqueles que estão desfrutando de boas condições e menos ainda pelos indivíduos que estão cometendo ações nocivas.

Se realmente quisermos realizar nosso potencial alcançando a plena iluminação, temos que aumentar o escopo da nossa compaixão até que ela consiga abranger todos os seres vivos sem exceção, como faria uma mãe amorosa que sente compaixão por todos os seus filhos, independente de estarem agindo bem ou mal.

Essa compaixão universal é o coração do budismo mahayana. Ao contrário da nossa compaixão atual, limitada, que já surge ocasionalmente de modo natural, a compaixão universal precisa ser cultivada por meio de treino durante um longo período.

Entrei hoje pela manhã, no portal do Instituto Niten, na coluna CAFÉ COM O SENSEI, e lá assisti um vídeo sobre uma aluna, codinome SOL.

A evolução descrita sobre a aluna e o treinamento dela fizeram sentir algo muito forte dentro de mim...mas quando a vi treinado e por trás a palavra COMPAIXÃO, MEU DIA GANHOU BRILHO!!!, não porque, não sinta ou não soubesse o significado da palavra e da emoção, mas sim por que o mundo precisa mais e mais disso. Senti que deveria falar, fazer, sentir, expressar... E pena não achar uma definição ou com palavras descrever a força que essa palavra tem através de gestos um para com o outro.

Sol treinando - NITEN

AS SETE VIRTUDES PRESENTES NO USO DO HAKAMA


AS SETE VIRTUDES PRESENTES NO USO DO HAKAMA

Tese para exame de faixa preta nidan
Ilidio Lazarieviez Antonio
Shugyo Dojo - Escola: Instituto Takemussu.


Histórico

O hakama começou a ser utilizado pelos samurais-cavaleiros como uma proteção ao externa adicional para guarnecer as pernas dos arbustos ou de outros elementos. A função desta calça pregueada é similar a dos protetores de couro utilizados pelos vaqueiros, porém, como no Japão o couro bovino não fosse particularmente acessível, o hakama era confeccionado com panos grossos.
Originalmente o hakama era um artigo totalmente funcional, entretanto este se converteu em um símbolo de status social, ou seja, em uma vestimenta que permita distinguir rapidamente a um samurai, o que era vital naquelas épocas.
Atualmente, o hakama é utilizado no Japão homens e mulheres, tanto para eventos especiais como na vida diária e, embora não existam mais os samurais como uma classe social, agora são os praticantes de certas artes marciais (tais como o Aikido, o Iaido ou o Kendo) que continuam com o seu uso tradicional como um símbolo de posição. Em geral, dentro das artes marciais que utilizam o hakama como parte do conjunto de vestimentas, o uso desta geralmente se reserva para aqueles que já se graduaram como yudancha (ou faixa preta 1º Dan), porém existem exceções.
Ainda que o hakama de uso general pode ser de várias cores ou inclusive estampado, nas artes marciais geralmente é de cor preta, índigo, cinza ou branco. No Aikido o branco tende a ser utilizado unicamente por mestres de graduação muito elevada.
A forma de amarrar as faixas do hakama pode variar dependendo da arte marcial praticada. No caso do Aikido o nó final é deixado na frente enquanto que no Kendo o mesmo nó é deixado nas costas. No caso do Aikido há uma razão muito prática para este procedimento, uma vez que se o nó fosse deixado para trás, seria muito problemático no momento de se realizar as quedas para trás.

Partes que compõe o Hakama

Como pode ser observado na figura abaixo o hakama é composto de três partes principais sendo estas:

Koshiita - painel de madeira da cintura: é o reforço posterior para a espádua. Geralmente é de um material firme, porém flexível.

Himo - são as cintas ou faixas, sendo subdivididas em:
Ushirohimo, as cintas curtas posteriores;
Maehimo, as cintas compridas frontais.

Hida - so as pregas ou dobras:
Ôhida - a grande prega, ou seja, a prega posterior.
Yosehida: as pregas frontais.


Virtudes que existem e devem ser desenvolvidas no uso do Hakama

O uso do Hakama no Aikido nos remete aos temos de O-Sensei, que disse uma vez: "O Hakama nos faz refletir sobre a verdadeira natureza do bushido (código dos samurais). Vesti-lo simboliza que as tradiçôes foram passadas de geração para geração. O Aikido nasceu do espírito do bushido japones, e através de sua prática devemos aprimorar as virtudes dos sete significados."
Seja uma pessoa leiga ou um artista marcial, há sempre quem diga sobre a beleza estética que o Hakama proporciona ao uniforme de Escolas tradicionais. Contudo, nem todos compreendem a beleza histórica que esta vestimenta japonesa carrega.
O Hakama é assemelha-se a uma saia, mas é na verdade um tipo de calça pre-gueada, usada por cima do dogui. Ele é usado hoje em ocasiões formais e, também na prática de artes marciais tradicionais.
Segundo a história que é repassada oralmente, as dobras ou vincos do Hakama são uma característica visual marcante. Esta vestimenta, além de servir para esconder os pés do lutador e impedir que o inimigo conhecesse seus movimentos, possui ao todo cinco dobras externas e duas internas, que simbolizam as sete virtudes que um samurai deveria ter, as quais são as seguintes:

Yuki : coragem e bravura;
Jin : benevolencia;
Gi : justiça e integridade;
Rei : etiqueta e cortesia;
Makoto : sinceridade e honestidade;
Chugi : lealdade, devoção e
Meiyo : honra, prestigio.

É importante salientar que as virtudes são cuidadosamente transmitidas quando somos crianças. E quando bem zelados, somos fontes inesgotáveis de virtudes quando adultos.
A alma da criança que cresce sem cuidados básicos por parte dos adultos, geralmente se torna campo tomado pelas ervas más dos vícios de toda ordem. E, de todas essas ervas más, as mais perigosas sâo o orgulho e o egoísmo, pois sâo as que dão origem às demais. Por isso a importância dos cuidados desde cedo. Os jardins da alma são férteis e receptivos aos ensinamentos que percebem nas açães dos adultos. Por essa razão vale a pena dedicar tempo no cultivo das virtudes, antes que as sementes de ervas-daninhas sejam ali jogadas, nasçam e abafem a boa semente.
E para se ter Êxito nessa missão de jardineiro de almas, é preciso atenção, dedicação, persistencia e determinação.

Simbolismo

Na tradição japonesa cada uma das dobras ou vincos do hakama representa uma virtude primordial. Existem várias interpretações a respeito destas que vão desde dar-lhe um significado particular a cada uma destas dobras, até definir se a parte posterior deve ser considerada uma o duas dobras.
Uma vez que esta vestimenta foi utilizada tanto pelos samurais, ou seja, a classe guerreira e, posteriormente pela sociedade em geral, as virtudes que caracterizam as prégas dependem precisamente do enfoque particular de cada grupo.

Segundo a sociedade japonesa
Segundo o ponto de vista da sociedade tradicional japonesa, as cinco pregas frontais simbolizam as cinco virtudes fundamentais:

kanji virtude
1 仁 じん: Jin benevolencia, humanidade e caridade.
2 義 ぎ: Gi justiça, moralidade, honra, lealdade.
3. 礼 れい: Rei: gratidão (cortesia e respeito).
4. 忠 ちゅう Chi : Lealdade, fidelidade.
5. 公平 こうへい Kôhei: imparcialidade

A dobra posterior representa as cinco virtudes consolidadas em uma única grande virtude que e a de se tornar um ser humano integral. O kanji para expressar "cinco virtudes" (gotoku 五徳), também se utiliza para representar a base da roda de ferro utilizada nas casas japonesas antigas para esquentar a água, e com isso pode-se dizer que as cinco virtudes são como uma base para o individuo transformar-se.

Segundo o O-Sensei

De acordo com as palavras do O-Sensei, as sete pregas simbolizam as sete virtudes do Budo, as quais são:

kanji virtude
1. 仁 じん Jin : Benevolencia, compaixão, amor universal.
2. 義 ぎ Gi: Justiça
3. 礼 れい Rei: Cortesia e etiqueta.
4. 智 ち Chi: Sabedoria.
5. 信 しん Shin: Sinceridade, confiança, devoção.
6. 忠 ちゅう Chi: Lealdade e fidelidade.
7. 公平 こうへい Kôhei: imparcialidade.

Nota: as cinco primeiras virtudes foram estabelecidas por Confúcio.

Segundo o Bushido

Do ponto de vista dos samurais, as dobras representam os sete códigos do bushido, os quais são as seguintes:

kanji virtude

1. 仁 じん Jin : amor universal, benevolencia, caridade, compaixão, representando o quão generoso ou benevolente é o seu portador.

2. 義 ぎ Gi correção, integridade, justiça,
Representando o valor próprio do portador, sua moral, integridade ou capacidade de tomar decisões corretas.

3. 礼 れい Rei: cortesia, etiqueta, obediencia
Representando o aspecto social ou o comportamento do portador.

4. 勇【気】 ゆう【き】 (ki) coragem, valor, heroísmo
Representando o valor, espírito ou entrega de seu portador.

5. 誠 まこと Makoto: Honestidade, sinceridade, veracidade
Representando que seu portador é digno de confiança.

6. 忠義 ちゅうぎ Chi , gi Devoção, lealdade, fidelidade,
Representando a lealdade do portador ante seu Senhor, mestre ou aliados.

7. 名誉 めいよ Meiyo: Dignidade, honra e prestigio,
Representando a posição honorífica que foi outorgada ao portador.


Um cuidado importante: o Hakama deve ser dobrado corretamente ao final de cada treino para que se preservem as dobras, e com elas suas virtudes. A pressa do dia-a-dia leva muitos alunos a não dobrarem seus Hakamas, o que se torna um grande erro.

Agradecimentos e consideraçõess finais:
Renovo meus agradecimentos, inicialmente a Deus, essa energia infinita que rege silenciosamente o universo.
Agradeço a minha família (pai, mãe, irmão e irma), parentes e amigos cuja soma de suas influencias transformaram-me no que sou nesse momento.
Agradeço ao meu Sensei Wagner Bull pela paciência em tentar me ensinar a relaxar e com isso aprender Aikido, uma vez que meu corpo custa a entender certas coisa básicas.
Agradeço também aos meus instrutores diretos Ney Tamotsu Kubo e Osmar Batista Cunha pela paciência, perseverança e dedicaçâo neste meu aprendizado, pois sei no meu intimo o quanto é difícil fazer uma pedra se mexer.
Agradeço também aos meus dois sempais imediatos Fred e Rodrigo, uma vez que é impossível neste momento entender como poderia ser minha vida sem a influencia desses dois outros irmâos.
Agradeço a todos os instrutores do Instituto Takemussu ou do Brazil Aikikai (Alexandre, Miura, Coronel, Matsuda, Claudinha, entre outros) que, mesmo que por instantes, estiveram dispostos a compartilhar seu conhecimento comigo e com os demais aikidocas.
N?o poderia deixar também deixar de agradecer também a todos os ukes e alunos do Shugyo Dojo, que tantos esforços fizeram no sentido de transformar esse exame em realidade.

Finalizando essa monografia novamente cito o O-Sensei, em dois trechos retirados de seu livro Budo:
"Os nossos iluminados antepassados desenvolveram o verdadeiro Budo baseado na humanidade, no amor e na sinceridade; o seu coração consiste na bravura sincera, na sabedoria sincera, no amor sincero, e na empatia sincera. Estas quatro virtudes espirituais deveriam ser incorporadas no único sabre do treino diligente. Forja constantemente o teu espírito e o teu corpo, e deixa com que o brilho do sabre transformante, permeie todo o teu ser ."
"O treino no Budo, desenvolve coragem, sinceridade, fidelidade, bondade e beleza, e também faz um corpo forte e saudável. O caminho é extremamente vasto. Desde tempos antigos até ao presente, mesmo os maiores sábios foram incapazes de perceber e compreender a verdade na sua totalidade; as explicaçôes e ensinamentos dos mestres e santos, só expressam uma parte do Todo. Não é possível para alguém falar destas coisas na sua totalidade. Simplesmente caminha para a luz e para o calor, aprende dos deuses, e através da virtude da prática devota, une-te ao divino. Procura a iluminação através disto."


Santos, 2 de agosto de 2.008.

Ilidio Lazarieviez Antonio
Iniciado em Aikido pelo Instituto Takemussu site www.aikikai.org.br

Faixa preta reconhecido pela Confederação Brasileria de Aikido- Brazil Aikikai
Site www.aikikai.com.br

quinta-feira, 14 de janeiro de 2010

Iniciação


A Iniciação é a sua própria vida. Se você quer a Iniciação, escreva-a sobre uma vara. Quem tiver entendimento que entenda, porque aqui há sabedoria. A Iniciação não se compra e nem se vende. Fujamos das escolas que dão iniciações por correspondência. Fujamos de todos aqueles que vendem iniciações. A Iniciação é algo muito íntimo da Alma. O Eu não recebe iniciações. Aqueles que dizem, "Eu tenho tantas e tantas iniciações", "Eu possuo tantos e tantos Graus", são mentirosos e farsantes, porque o "Eu" não recebe Iniciações nem Graus.

Existem nove Iniciações de Mistérios Menores e cinco importantes Iniciações de Mistérios Maiores. É a Alma que recebe as Iniciações. Trata-se de algo muito íntimo, que não se anda dizendo e nem se deve contar a ninguém.

Todas as iniciações e graus que são conferidos por muitas escolas do mundo físico não têm realmente nenhum valor nos Mundos Superiores. Os Mestres da Loja Branca só reconhecem como verdadeiras as legítimas Iniciações da Alma. Isso é uma coisa completamente interna.

O discípulo pode subir as nove arcadas, pode atravessar todas as nove Iniciações de Mistérios Menores, sem haver trabalhado com o Arcano A.Z.F. (a Magia Sexual). Todavia, é impossível entrar nos Mistérios Maiores, sem a Magia Sexual (Arcano A.Z.F.).

No Egito, todo aquele que chegava à Nona Esfera, recebia inevitavelmente de lábios a ouvidos o segredo terrível do Grande Arcano (o Arcano mais poderoso, o Arcano A.Z.F.).

O GUARDIÃO DO UMBRAL


A primeira prova que deve defrontar o candidato é a prova do Guardião do Umbral, que é o reflexo do Eu, a íntima profundidade do Eu. Muitos são os que fracassam nessa terrível prova. O candidato tem que invocar ao Guardião do Umbral nos mundos internos. Um espantoso furacão elétrico precede à terrível aparição. A larva do Umbral está armada de um terrível poder hipnótico. Realmente, este monstro possui toda a horrível fealdade dos nossos próprios pecados. É o espelho vivo de nossas próprias maldades. A luta é espantosa, frente a frente, corpo a corpo. Se o Guardião vence o candidato, este fica escravizado pelo horrível monstro. Se o candidato sai vitorioso, o monstro do Umbral foge aterrorizado. Então, um som metálico faz estremecer o Universo e o candidato é recebido no Salão dos Meninos.

Isto faz-nos recordar aquela frase do Hierofante Jesus, o Cristo: "Em verdade, vos digo, se não vos transformardes e vos fizerdes como meninos, não entrareis no reino dos céus".

No Salão dos Meninos, o candidato é homenageado pelos Santos Mestres. A alegria é imensa por haver um ser humano entrado na Senda da Iniciação. Todo o Colégio de Iniciados (Meninos) felicita o candidato vitorioso. O candidato derrotou o Primeiro Guardião. Esta prova realiza-se no mundo astral.

SEGUNDO GUARDIÃO

O Guardião do Umbral possui um segundo aspecto. O aspecto mental. Devemos saber que a mente do homem ainda não é humana; encontra-se na etapa animal. Cada qual tem no plano mental a fisionomia animal que lhe corresponde, conforme o seu caráter. O astuto é ali uma verdadeira raposa. O passional parece-se com um cão, ou um bode, etc.

O encontro com o Guardião do Umbral no plano da mente é ainda mais espantoso e mais horrível que no plano astral. Na verdade, o Segundo Guardião é o Grande Guardião do Umbral Mundial.

A luta com o Segundo Guardião costuma ser horrível. É o candidato quem deve invocar o Segundo Guardião no plano mental. Este vem precedido de espantoso furacão elétrico. Se o candidato sair vitorioso, é recebido com muito carinho no Salão dos Meninos do plano mental. Se fracassar, torna-se escravo do horrível monstro. É nesta larva que se acham personificados todos os nossos delitos mentais.

TERCEIRO GUARDIÃO

O encontro com o Terceiro Guardião realiza-se no mundo da vontade. O Demônio da Má Vontade é o mais terrível dos três. Todo mundo faz sua vontade pessoal, mas os Mestres da Loja Branca só fazem a Vontade do Pai; assim nos céus como na terra. Quando o candidato sai vitorioso na terceira prova, é novamente homenageado no Salão dos Meninos. A música é inefável... A festa, solene...

O SALÃO DO FOGO

Depois que o candidato venceu nas três provas básicas do Guardião da Imensa Região, tem então que entrar no Salão do Fogo, onde os seus veículos internos são purificados pelas chamas.

PROVAS DO FOGO, DO AR, DA ÁGUA E DA TERRA

No velho Egito dos Faraós essas quatro provas deviam ser defrontadas valorosamente no mundo físico. Atualmente o candidato deve passar as quatro provas nos Mundos supra-sensíveis.

PROVA DO FOGO

Esta prova é para aquilatar a serenidade e a doçura do candidato. Os iracundos e coléricos fracassam inevitavelmente nesta prova. O candidato vê-se perseguido, insultado, injuriado, etc. Muitos reagem violentamente e voltam ao corpo físico completamente fracassados.

Os vitoriosos são recebidos no Salão dos Meninos e homenageados com música deliciosa, a Música das Esferas. As chamas horrorizam os fracos.

PROVA DO AR

Aqueles que se desesperam com a perda de alquém ou de algo, aqueles que temem a pobreza, aqueles que não estão dispostos a perder o mais querido, fracassam na Prova do Ar. O candidato é lançado no fundo do precipício. O fraco grita e volta ao corpo físico horrorizado. Os vitoriosos são recebidos no Salão dos Meninos com festas e homenagens.

PROVA DA ÁGUA

A Grande Prova da Água é realmente terrível. O candidato é jogado ao oceano e crê afogar-se. Aqueles que não sabem adaptar-se às mais variadas condições sociais da vida, aqueles que não sabem viver entre os pobres, aqueles que depois de naufragarem no oceano da vida, rechaçam a luta e preferem morrer, são os fracos que, inevitavelmente, fracassam na Prova da Água. Os vitoriosos são recebidos no Salão dos Meninos com festas cósmicas.

PROVA DA TERRA

Nós temos que aprender a tirar partido das piores adversidades. As piores adversidades nos oferecem as melhores oportunidades. Devemos aprender a sorrir ante as adversidades - essa é a Lei.

Aqueles que sucumbem de dor em face das adversidades da existência não conseguem triunfar na Prova da Terra.

Nos mundos superiores o candidato vê-se entre duas enormes montanhas que se fecham ameaçadoramente. Se o candidato grita horrorizado, volta fracassado ao corpo físico. Se se mantém sereno, sai vitorioso e é recebido no Salão dos Meninos com grande festa e imensa alegria.

INICIAÇÕES DE MISTÉRIOS MENORES

Quando o candidato consegue vencer em todas as provas de introdução à Senda, tem pleno direito de entrar nos Mistérios Menores. Recebe-se na Consciência Íntima cada uma das nove Iniciações de Mistérios Menores. Se o estudante tiver boa memória, poderá trazer ao cérebro físico a recordação dessas Iniciações. Não sendo boa a memória do candidato, o pobre neófito ignora no mundo físico tudo o que aprende e recebe nos Mundos Superiores. Os que não querem ignorar no físico nada do que lhes sucede na Iniciação têm que, forçosamente, desenvolver a memória. O candidato deve desenvolver urgentemente a sua memória. É mister também que o candidato aprenda a sair conscientemente em corpo astral. É urgente que o candidato desperte a Consciência.

As nove Iniciações de Mistérios Menores constituem a senda probatória. As nove Iniciações de Mistérios Menores são para os discípulos à prova. Os discípulos casados que praticam com o Arcano A.Z.F. passam muito rapidamente nestas nove Iniciações elementares. O discípulo solteiro que se mantém absolutamente casto passa também nas nove Iniciações, porém mais lentamente. Os fornicários não podem receber nenhuma Iniciação.

INICIAÇÕES DE MISTÉRIOS MAIORES

Existem cinco grandes Iniciações de Mistérios Maiores. Existem sete serpentes. Dois grupos de três com a coroação sublime da sétima língua de fogo que nos une com o Uno, com a Lei, com o Pai. Necessitamos subir a escada setenária do fogo.

A Primeira Iniciação se relaciona com a primeira serpente. A Segunda Iniciação com a segunda serpente. A Terceira Iniciação com a terceira serpente. A Quarta Iniciação com a quarta serpente. A Quinta Iniciação com a quinta serpente. (As sexta e sétima pertencem a Buddhi, ou Alma Consciência e Atman ou Íntimo do ser humano).

PRIMEIRA INICIAÇÃO DE MISTÉRIOS MAIORES

A primeira serpente corresponde ao corpo físico. É necessário levantar a primeira serpente pelo canal medular do corpo físico. Quando a serpente atinge o campo magnético da raiz do nariz, o candidato chega à Primeira Iniciação de Mistérios Maiores. A Alma e o Espírito comparecem ante a Grande Loja Branca sem os corpos de pecado e em plena ausência do Eu. Eles se olham, se amam e se fundem como duas chamas que, ao se unirem, formam uma só chama. Nasce assim o Divino Hermafrodita. Este recebe um trono para mandar e um templo para oficiar. Devemos nos converter em Reis e Sacerdotes da Natureza, segundo a Ordem de Melchisedek. Quem recebe a Primeira Iniciação de Mistérios Maiores, recebe a Espada Flamígera que lhe dá poder sobre os quatro elementos da Natureza.

É necessário praticar intensamente Magia Sexual para levantar a Serpente sobre a vara, tal como o fez Moisés no deserto. O Amor é a base e o fundamento da Iniciação. É necessário saber amar. A luta pela subida da serpente é muito difícil. A serpente deve subir lentamente de grau em grau. São trinta e três vértebras, portanto, trinta e três graus. Os tenebrosos nos atacam terrivelmente em cada vértebra. O Kundalini sobe muito lentamente, de acordo com os méritos do coração. Necessitamos acabar com todos os nossos pecados. É urgente percorrer a senda da mais perfeita Santidade. É indispensável praticar Magia Sexual sem desejo animal. Não somente devemos matar o desejo, mas também a própria sombra do desejo. Necessitamos ser como o limão. O ato sexual deve converter-se numa verdadeira cerimônia religiosa. Os ciúmes devem ser eliminados. Saibam que os ciúmes passionais liquidam a paz do lar.

SEGUNDA INICIAÇÃO DE MISTÉRIOS MAIORES

A segunda serpente sobe muito dificilmente pelo canal medular do corpo etérico. Quando a segunda serpente atinge o campo magnético da raiz do nariz, o Iniciado entra no templo para receber a Segunda Iniciação de Mistérios Maiores. É bom advertir que a humana personalidade não entra no Templo, pois fica na porta arranjando os seus negócios com os Senhores do Karma.

No interior do Templo, o Íntimo crucifica-se junto com seu corpo etérico. Ou seja, o Íntimo veste-se com o corpo etérico para a crucificação. Assim é como o corpo etérico é cristificado. Na Segunda Iniciação nasce o Soma Puchicon, o Traje de Bodas da Alma. O Corpo de Ouro.

Este veículo é constituído pelos dois éteres superiores. O corpo etérico tem quatro éteres: dois superiores e dois inferiores. Com o Traje de Bodas da Alma podemos penetrar em todos os departamentos do Reino. Esta Iniciação é muito difícil. O estudante é severamente provado. Se sair vitorioso, brilha o Sol da Meia-Noite e dele desce a estrela de cinco pontas com seu olho central. Estrela essa que pousa sobre a cabeça do neófito para aprová-lo. O resultado da vitória é a Iniciação.

TERCEIRA INICIAÇÃO DE MISTÉRIOS MAIORES

A terceira serpente sobe pelo canal medular do espectro astral. A terceira serpente deve atingir o campo magnético da raiz do nariz e depois de lá descer até o coração por um caminho secreto, no qual existem sete câmaras santas. Quando a terceira serpente chega ao coração, nasce então um belíssimo menino, o Astral Cristo. O resultado de tudo isto é a Iniciação. O neófito deve passar em corpo astral por todo o drama da Paixão do Cristo. Deve ser crucificado, morto e sepultado. Deve ressuscitar e também deve descer ao abismo e lá permanecer durante quarenta dias antes da Ascensão.

A cerimônia suprema da Terceira Iniciação recebe-se com o Astral Cristo. Aparece sobre o altar Sanat Kummara, o Ancião dos Dias para conferir-nos a Iniciação.

Todo aquele que alcança a Terceira Iniciação de Mistérios Maiores recebe o Espírito Santo.

É necessário saber querer à mulher para alcançar esta Iniciação. A união sexual deve ser plena de imenso amor. O falo deve entrar na vulva sempre com muita suavidade, para não maltratar os órgãos da mulher. Cada beijo, cada palavra, cada carícia deve estar completamente isenta de desejo. O desejo animal é um obstáculo gravíssimo para a Iniciação.

Muitos puritanos, ao lerem estas linhas, nos qualificarão de imorais. Entretanto, essa gente não se escandaliza com os bórdeis e com as prostitutas. Insultam-nos, mas não são capazes de se lançarem aos bairros onde vivem as prostitutas para pregar-lhes a boa lei. Odeiam-nos, porém não são capazes de se incomodarem com seus próprios pecados. Condenam-nos porque pregamos a religião do sexo, mas não são capazes de condenar sua própria fornicação. A humanidade é assim.

QUARTA INICIAÇÃO DE MISTÉRIOS MAIORES

Quando a quarta serpente conseguiu subir pelo canal medular do espectro mental, acontece então a Quarta Iniciação de Mistérios Maiores. A quarta serpente atinge também o entrecenho e depois desce até o coração.

No mundo da mente, Sanat Kummara dá sempre as boas-vindas ao candidato, dizendo: "Haveis vos libertado dos quatro corpos de pecado. Sois um Buddha. Haveis penetrado no Mundo dos Deuses. Sois um Buddha. Todo aquele que se liberta dos quatro corpos de pecado é um Buddha. Sois um Buddha. Sois um Buddha. Sois um Buddha".

A festa cósmica desta Iniciação é grandiosa. Todo o mundo, todo o universo se estremece de alegria, exclamando: "nasceu um novo Buddha". A Divina Mãe Kundalini apresenta seu filho no templo dizendo: "Este é meu filho muito amado. Este é um novo Buddha. Este é um novo Buddha. Este é um novo Buddha". As Santas Mulheres felicitam o candidato com um beijo santo. A festa é terrivelmente divina. Os grandes Mestres da Mente extraem, dentre o espectro mental, o formoso Menino da Mente Cristo, que nasce na Quarta Iniciação de Mistérios Maiores. Todo aquele que recebe a Quarta Iniciação ganha o Nirvana, que é o Mundo dos Deuses Santos. Quem alcança a Quarta Iniciação recebe o Globo do Imperador da Mente, sobre o qual resplandece o signo da Cruz.

A mente deve ser crucificada e estigmatizada na Iniciação. No Mundo da Mente cintila o Fogo Universal. Cada uma das trinta e três câmaras da mente nos ensina terríveis verdades.

QUINTA INICIAÇÃO DE MISTÉRIOS MAIORES

A quinta serpente sobe pelo canal medular do embrião de Alma que temos encarnado. A quinta serpente deve chegar ao entrecenho e descer depois até o coração. Na Quinta Grande Iniciação nasce o Corpo da Vontade Consciente. Todo aquele que nasce no Mundo da Vontade Consciente encarna sua Alma, inevitavelmente. Todo o que encarna sua Alma converte-se num verdadeiro Homem com Alma. Todo verdadeiro Homem imortal e completo é um verdadeiro Mestre. Antes da Quinta Iniciação de Mistérios Maiores ninguém deve ser denominado com o título de Mestre.

Na Quinta Iniciação aprendemos a fazer a Vontade do Pai. Devemos aprender a obedecer ao Pai. Essa é a Lei.

Na Quinta Iniciação, devemos decidir-nos por um dos dois caminhos, ou ficarmos no Nirvana gozando da dita infinita do Sagrado Espaço, que não tem limites, compartilhando com os Deuses Inefáveis, ou renunciarmos a essa imensa dita e continuarmos vivendo neste vale de lágrimas para ajudar à pobre humanidade doente. Esta é a Senda do Dever, longa e amarga. Todo aquele que renunciar ao Nirvana por amor à humanidade, depois de Nirvanas ganhos e perdidos por amor à humanidade, ganhará mais tarde a Iniciação Venusta.

Todo aquele que recebe a Iniciação Venusta encarna o Cristo Interno. No Nirvana existem milhões de Buddhas que não encarnaram o Cristo. É melhor renunciar ao Nirvana por amor à humanidade e ter a dita de encarnar o Cristo, porque o Homem Cristo entra nos mundos de super-nirvânica felicidade e mais tarde no Absoluto.

RESUMO DAS CINCO GRANDES INICIAÇÕES

Primeira Iniciação - O Íntimo e a Alma Consciência (Buddhi) se fundem, formando-se assim um novo Iniciado. Mais um que entrou na corrente.

Segunda Iniciação - Nasce o Corpo Etérico, chamado Soma Puchicon.

Terceira Iniciação - Abrem-se os chacras do Corpo Astral e nasce o Astral Cristo, como um menino cheio de beleza.

Quarta Iniciação - Nasce o Mental Cristo, como um preciosíssimo menino. O Iniciado nasceu como um novo Buddha.

Quinta Iniciação - A Alma Humana, ou Corpo Causal, ou Corpo da Vontade, funde-se com o Mestre Interno, o qual é Atman Buddhi (Íntimo e Consciência). Assim, as três chamas são una. Este é um novo e legítimo Mestre de Mistérios Maiores da Loja Branca. Quem alcança a Quinta Iniciação pode entrar no Nirvana. Quem alcança a Quinta Iniciação nasce no Causal. Quem alcança a Quinta Iniciação encarna a Alma. Só aquele que chega à Quinta Iniciação é Homem com Alma, isto é, Homem verdadeiro.

Texto retirado do livro O Matrimônio Perfeito V.M. Samael Aun Weor. Este livro encontra-se disponível na Biblioteca Gnóstica
www.gnosisonline.org

Correspondências entre Umbanda e Kabbalah

O que é Kabbalah?


Texto muito bacana do frater Mateus Saraiva, que vem em ótima hora com os exercícios do Sefira ha Omer.

Historicamente, a Cabala é de origem Judaica. Porém muitos dos seus estudantes e interpretes, reivindicam sua origem como sendo extremamente antiga e misteriosa. Alguns atribuem sua origem aos Egípcios outros aos Sumérios, e uns vão ainda mais longe, atribuindo a sabedoria da Cabala a uma civilização muito desenvolvida, antiga e misteriosa, qual influenciou a origem e evolução de todas as civilizações antigas depois da sua destruição.

A palavra Cabala (também Cabalá, Kabbalah, Qabbala, cabbala, cabbalah, kabala, kabalah, kabbala) em hebraico tem como siguinificado o verbo receber, com denotação a antiga tradição de Moisés, em que os ensinamentos profundos e sagrados eram passados via oral de Mestre Sacerdote para o jovem iniciado, e nada era escrito. Resumindo uma detonação a transmissão oral e fechada dos ensinamentos. Esta palavra é escrita com os seguintes caracteres hebraicos Koph, Beth e Lamed, porém lembrando que nesse idioma se escreve da direita pra esquerda, inverso dos idiomas ocidentais.

Muitos crêem que a palavra Cabala, na verdade se originou de uma palavra com semelhante vocalização mas de origem asirio-egípcia, e que siguinificava literalmente Doutrina Oculta ou Tradição Oculta. Pode-se dizer que ela é uma ciência Emanatoria pois em seus ensinamentos o ponto principal é que tudo que existe foi emanado de Deus.

Seus ensinamentos visão uma melhor compreensão sobre Deus, o Universo e o próprio Homem. As leis e a formação dos diversos mundos. Como interagir com os Espíritos Celestes, elementais e todos os outros que regem a harmonia cósmica. E principalmente a ponte para o homem de como retornar a Divindade. Assim o estudante da Cabala é conhecido como Masakilim (Men+Shin+Caph+Yod+Lamed+Yod+Men) que significa “O Iniciado”.

E como na essência da filosofia, suas frases e ensinamentos são cifrados em parábolas e alegorias, míticas e ou lendárias, algumas até mesmo históricas, veladas intencionalmente assim aos homens comuns e mundanos, e totalmente desprovida de sentido pra estes e para aqueles de pouco intelecto e criatividade. Também nos escritos cabalísticos, os números são tão importantes quanto as letras, e cada caractere do alfabeto hebreu também simboliza um numero.

Na ciência cabalística, muitos vêem dualidade mas na verdade há apenas a harmonia e união de toda a antagonia existente. A dualidade é um fruto da má compreensão de Deus e suas leis, principalmente após a idade media. Casos como estes originaram as ideias de equivocas a respeito das Qliphoth (o lado reverso da árvore da vida e das Sephiroth).

Uma de suas principais alegorias é a Árvore da Vida com seus “frutos” chamados Sephiroth (que querem dizer literalmente numerações), nela se encontra toda a formação do mundo, os Espíritos que regem este e a formação do Homem. Simboliza também o caminho do Iniciado.

Entre o séculos XIV e XV tomou grande popularidade. Até mesmo sendo aceita nas doutrinas cristãs pelo Papa Sixtus (1471-1484). Porém não deixa e nunca deixou de estar presente em toda a bíblia cristã seja no velho ou no novo testamento, por mais que os concílios católicos tenham modificado varias de suas partes. Afinal a religião Católica veio em grande parte dos ensinamentos e tradição judaica.

Esse ganho de popularidade fez com que nascesse algumas divisões dos ensinamentos cabalísticos. Como a Cabala Cristã que contem poucas diferenças da Cabala Judaica, mas a principal delas é ter Yeshua (Jesus) como o Messias e restituidor da sabedoria cabalística, e é principalmente presente no Martinismo. E a outra seria a Cabala Hermética ou Mística que tem como principal diferença uma visão universal da Cabala como ela sendo a principal origem de todas as religiões e mitologias e presente nestas, provindo da primeira e grande civilização. De qualquer modo ela influenciou os pensamentos filosóficos da antiguidade grega, Essénios, Gnósticos, Cristões, Catáros, Templários, Rosa+Cruzes, Maçons, e dezenas de outras ordens e grupos espirituais.

Seus principais livros são, aqueles da tradição judaica, como o Tanakh, Torah e Talmude, e os outros são o Sepher Yetizarah, Sepher Zohar, Sepher Raziel e muitos outros. Além dos Clavículas ou Chaves atribuídas ao Rei Salomão, qual apareceram varias falsificações na idade media com conteúdo satânico e demonológico como o Grande Grimorio e outros, muito diferentes do original, que influenciaram a Goécia ‘Crowleyana’.

Daath e a Travessia do Abismo


Em Malkuth comeca o trabalho do despertar da centelha e elevação da mesma atraves dos Sephiroth.
Malkuth pode ser comparada ao mito de Persefone (ou Proserpina entre os romanos), onde a historia do mito narra a violação de Persefone por Hades obrigando-a a seu exílio sob a Terra, assim como também o mito dos gnósticos sobre a queda de Sophia.
Segundo Israel Regardie existem dois métodos básicos de consecução espiritual baseados no uso direto da Arvore da Vida: Um eh a meditação e o outro eh o Ritual. O objetivo de seguir esses dois processos, eh atingir o Coração da Arvore, o centro cristico nele mesmo – Tipheret, onde terah a visao e conversação do Sagrado Anjo Guardião. Os dois métodos acima referidos na verdade sao um. Assim trabalhando ele transcende o que ele pensa ser, ascendendo pelos sephiroth.

Esta subida realiza-se pela coluna do meio ou pilar do meio, isto eh, a coluna central da arvore formada por Malkuth, Yesod, Tiphareth, Daath, Kether.

No sistema oriental isto equivale ao canal Shushuma, por onde eleva-se Kundalini. O Sushuma eh o mais importante dos Nadis e consiste no eixo ou canal central que se situa ao longo da coluna, por onde circula energia neutra. Ele eh conhecido como o sustentador do universo e o “caminho da salvacao”.

Na tradicao Greco-Romana, o caduceu de Thot eh o simbolo do segredo, tanto quanto a Serpente de Bronze erguida por Moises no Egito.

Segundo Israel Regardie, esse metodo de elevacao da Kundalini, ou de conscientizacao da Essencia, se dah atraves da conciliacao das energies opostas na Arvore, essa conciliacao se efetua no pilar central, ou pilar do meio/equilibrio, e eh nesse equilibrio onde nasce o Filho em Tiphereth, ou seja, o dialogo com o Sagrado Anjo, o Self. Essa eh a meta e o objetivo de todo praticante de magia ou de todos aqueles que se dedicam ao auto-conhecimento, pois eh o proprio Anjo quem prepara o adepto para a proxima etapa, a travessia do abismo de Daath.


Daath eh uma sephira oculta, invisivel, que se encontra entre Tiphereth e Kether. Daath representa o abismo que separa a nossa percepcao dual da percepcao una. Acima do abismo de Daath nao ha dualidade, abaixo do abismo tudo eh dual.

Em Daath se encontra toda a hipertrofia de toda a ilusão do Universo e de todas as esferas abaixo dele que vao de Chesed a Malkuth. Eh Visudh Chakra, o Chakra do pescoço, que segundo os Hindus, eh onde sao gerados os pensamentos. Para os Budistas aqui eh onde habita Mara, o senhor da ilusão, ou Chorozon, o monturo de lixo do Universo de cuja travessia nasce o Magister Templi, segundo Crowley. Daath eh considerada uma “esfera que nao eh esfera”, pois sua funcao eh o desviar da atencao da verdade inexprimivel atraves do pensamento. Eh o deserto de Apep, o inimigo de Osiris que precisa ser derrotado por este ultimo para sua ressurreicao. Para os gregos era Hades, o deus do mundo ctônico, para os romanos era Plutão, o Senhor dos infernos. Aqui também estao os demônios da Goetia, os Qliphot, e os 50 nomes de Marduk.

Eh como se houvesse uma dobra na Criacao que criasse a divisao da realidade na ilusao do espaco e do tempo atraves daquilo que foi gerado em Binah, portanto Daath paira sobre o abismo na fronteira entre os mundos da criacao e da formacao.

Abaixo do abismo eh o plano da existência finita e condicionada. O abismo eh uma regiao de tensão permanente entre o Macrocosmo e o Microcosmo, sendo a sede das forcas dissolventes que o profano conhece como demônios. Isso eh referente na bíblia segundo o qual Cristo (o iniciado em Tipheret) deve primeiro “descer aos infernos” Qliphoticos antes de proceder aos ceus das Supernas.

Segundo Crowley, no Abismo todas as coisas existem, realmente, pelo menos em posse, porém não possuem nenhum significado possível; pois elas carecem do substrato da realidade espiritual. Elas são aparências sem Lei. Elas são, pois Ilusões Insanas. Choronzon é o Habitante do Abismo; ele é lá a obstrução final. Se ele for enfrentado com a preparação própria, então ele estará lá para destruir o ego, o que permitirá ao adepto mover-se para além do Abismo. Se não estiver preparado, então o desafortunado viajante será completamente disperso em aniquilação. “O nome do Habitante do Abismo é Choronzon, porém ele não é realmente um indivíduo.”

Para Jung a sombra tem um componente pessoal, formado pelos aspectos da psique individual que sao rejeitados e recalcados pelo ego, mas alem disso, o nucleo da sombra eh uma estrutura arquetipica que atrai esse material e o organiza segundo uma configuracao transpessoal, porque Daath eh a fronteira entre o eu pessoal, imerso no espaco tempo e o plano arquetipico da realidade. Eh a energia aprisionada na sombra que depois de assimilada e integrada pela consciencia, permite que a consciencia se libere do ego e vah em direcao ao nucleo da estrutura arquetipica da sombra, que corresponde ao Demiurgo dos gnosticos ou Choronzon. Essa estrutura arquetipica da sombra equivale a sombra coletica, ou sombra da Anima Mundi. Chorozon equivale ao sistema de aprisionamento que rege a sociedade, cultura e o coletivo, e que eh o nucleo arquetipico que organiza a formacao da sombra bem como do ego. Ele eh como os filtros que estao nos chacras limitando a percepcao da realidade da vida, essa estrutura que tambem eh condicionamento tambem eh equivalente ao Carma individual e coletivo.

Quando da descida da substancia que emana de Binah, para os mundos formativos atraves das sephiroth abaixo do abismo, estes perdem a conexao com a energia espiritual, como que se a cada revestimento de materia, sua forma original fosse diminuida, isso se chama Kenosis, onde o arquetipo diminiu a sua potencia, ateh ficar adormecido na forma da kundalini no corpo humano. Esses mesmos sephiroth isolados se tornam como cascas vazias da essencia espiritual, se tornam como os arcontes do Mito de Sofia. O despertar na base do corpo e a consequente subida eh como quebrar o estado de sistase ou amarras de cada chakra ou sephirah, recuperar a sua potencialidade original e assim a consciencia vai se desvencilhando da irrealidade do ego e do mundo como eh percebido. Na travessia do abismo de Daath, eh onde a consciencia transcende totalmente o ego e o nucleo arquetipico que gera e dah forma a sociedade e cultura como um todo, se unindo a sua Contra-parte Espiritual de acima do abismo, recuperando e preenchendo o Ser de sua plenitude/potencia original. A consciencia se une ao Self e recupera a substancia espiritual, transformando os arcontes em Eons.

Daath tambem eh “Conhecimento”, ou seja, a pura Gnose, e desta forma os demonios sao transformados em Deuses, recuperando a plenitude do Ser.

http://anoitan.wordpress.com/2009/07/13/a-travessia-do-abismo-de-daath/

Uma introdução básica aos três tipos de Cabalá

Por DovBer Pinson
(eu mantive o Cabalá ao invés do termo que prefiro, Kabbalah, porque constava no original desta maneira)

A tradução literal da palavra Cabalá é ‘aquilo que é recebido”. Para receber, devemos ser receptivos. Devemos nos abrir, criando um receptáculo para absorver aquilo que desejamos entender, até nos tornarmos parte da Cabalá. Abrir o ser para uma realidade mais elevada, visualizar o espírito dentro da matéria, elevar nossa consciência até o ponto em que nossa percepção da realidade é completamente mudada, e o Divino dentro de toda a Criação é revelado.

Falando de forma geral, a Cabalá está dividida em três categorias: a teórica, que se preocupa basicamente com as dimensões interiores da realidade; a dos mundos espirituais, almas, anjos e coisas semelhantes, e a meditativa, na qual a meta é treinar a pessoa que está estudando para atingir estados meditativos mais elevados de consciência e talvez, até um estado de profecia através do emprego dos Nomes Divinos, permutações de letras e assim por diante. Este último tipo de Cabalá é o mágico, que se preocupa em alterar e influenciar o curso da natureza.

A grande maioria dos textos mais importantes da Cabalá mágica jamais foi publicada, talvez por um bom motivo. Além de ser um assunto altamente complexo para dominar, mesmo quando dominado às vezes pode ser perigoso. R. Joseph Della Reina (1418-1472) foi um dos grandes mestres da Cabalá mágica. Conta a lenda que ele tentou utilizar seus poderes espirituais para trazer a suprema Redenção, e no processo de fracasso ficou espiritualmente ferido. Alguns dizem que cometeu suicídio, ao passo que outros afirmam que se transformou num apóstata. Outros ainda dizem simplesmente que enlouqueceu.

Muitos cabalistas na geração seguinte tomaram suas ações como uma advertência contra a prática da Cabalá transcendental avançada e mágica. A partir de então, os elementos mágicos da Cabalá têm, para todos os fins e propósitos, se extinguido, e seu conhecimento completamente esquecido.

Qualquer que seja o motivo, a Cabalá meditativa nunca foi uma disciplina popular. Um dos grandes proponentes da Cabalá meditativa foi Rabino Abraham Abulafia (1240-1296). A escola mística que ele dirigia estava basicamente interessada num método para atingir estados meditativos mais elevados. Ele acreditava que através do seu método de meditação, a pessoa estava apta a atingir um nível de profecia.

Ele propunha usar um mantra escrito, querendo dizer que em vez do costumeiro mantra verbal ou visual, a pessoa deveria escrever uma palavra repetidamente, muitas vezes, em diversos estilos e configurações. Deveria tentar alterar a seqüência da palavra e permutar e circundar as letras da palavra em todas as maneiras possíveis: combinando e separando as letras, compondo associações completamente novas de letras, agrupando-as e depois juntando-as com outros grupos, e assim por diante. Isso era feito até a pessoa atingir um estado mais elevado de percepção.

Ora, embora Abulafia fosse um escritor prolífico e autor de mais de quarenta livros durante sua vida, mesmo assim a maioria de suas obras jamais foi publicada. De fato, mesmo durante sua vida, muitos dos outros grandes cabalistas se opuseram a ele e aos seus ensinamentos.

Portanto, a Cabalá, na qual a meta era atingir o estado transcendental de consciência, jamais se tornou importante embora em nível individual, havia diversos cabalistas, especialmente aqueles da Safed do século dezesseis, que incorporaram seus ensinamentos como uma maneira de atingirem estados mais elevados de percepção e consciência.

O que nos resta é a dimensão teórica da Cabalá. A vasta maioria da Cabalá que foi e está sendo continuamente produzida está toda dentro do âmbito teórico. O corpo principal deste tipo de Cabalá é o sagrado livro Zohar, uma obra de ensinamentos do místico talmúdico do segundo século, Rabi Shimon bar Yochai, que foram transmitidos de geração em geração até serem publicados no final do Século Treze pelo cabalista R. Moshe de Leon.

Os três estágios do desenvolvimento da Cabalá teórica

É o aspecto teórico da Cabalá que tem sido desenvolvido através dos tempos em diversos estágios. Para fins práticos, a tradição deste estilo de Cabalá pode ser dividido em três estágios básicos. O primeiro é a era da publicação do Zohar, com a mística do livro e a geração seguinte que articulou estes ensinamentos. O segundo seriam os místicos do Século 16 que viveram na cidade de Safed. Este período específico da história é mencionado como a grande Renascença Cabalista. O movimento foi guiado pelos profundos e sistemáticos ensinamentos de R. Yitschac Luria (1534-1572). Ultimamente, o terceiro desenvolvimento da Cabalá foi com o nascimento de R. Yisrael ben Eliezer (1698-1760), conhecido como Báal Shem Tov, o Mestre do Bom Nome, fundador do Movimento Chassídico, que de maneira direta ou indireta tem orientado todos os outros movimentos até os dias de hoje.

Alguém que tenha tido apenas vislumbres da Cabalá teórica – o novato – tende a considerá-la um escrito repleto de fantasia, ocorrências e imagens estranhas, fantásticas paisagens místicas, aparentemente irracionais, irreais e sem base na realidade. Ao abrir a obra clássica da Cabalá teórica, o Zohar, a pessoa se surpreende com a imaginação dos autores, mas talvez o fascínio termine aí. Para o novato ele se parece com um livro de fantasia, nada além disso. Um famoso mestre cabalista, o Tsadic de Zitshav, disse certa vez sobre a Cabalá que estes três estágios em seu desenvolvimento podem ser relacionados com uma parábola.

Numa época em que viajar era uma aventura perigosa e árdua e a maioria da pessoas jamais saíra de sua própria aldeia, um homem viajou a um país distante. Ao voltar, reuniu o povo de seu vilarejo e entusiasmado, relatou as aventuras de sua viagem. Falou sobre uma ave que tinha visto num país distante, cuja aparência era fantástica. Por exemplo, o pássaro tinha feições humanas; as pernas eram como as de uma girafa. Os aldeões zombaram da história, considerando-a pura fantasia.

Inspirado pelas aventuras que ele contou, um aldeão saiu para fazer a mesma viagem, determinado a ver o mundo por si mesmo. Anos depois retornou à aldeia, um homem do mundo. Assim como o viajante que tanto o inspirara, ele reuniu as pessoas do lugar e relatou suas aventuras. Também falou sobre aquele pássaro fantástico, mas sua descrição era um pouquinho diferente. A face da ave, disse ele, não era realmente humana, embora lembrasse bastante um homem, e as pernas eram longas e finas, definitivamente lembrando uma girafa; no entanto, não eram realmente pernas de girafa. Ao ouvirem a história deste homem, os aldeões ficaram divididos. Alguns acreditaram piamente no homem, cuja história era mais convincente que a do primeiro viajante. Apesar disso havia muitos cépticos, para quem a história ainda soava inventada e irreal.

Um dos habitantes da vila estava determinado a pôr um ponto final no assunto deste pássaro estranho e empreendeu a longa viagem para vê-lo por si mesmo. Ao voltar, reuniu os moradores locais e triunfante, declarou: O assunto está resolvido! Abriu uma bolsa grande e dali retirou a estranha e fantástica ave. Desta vez ninguém duvidou.

Esta parábola se relaciona com os três estágios de desenvolvimento do âmbito teórico da Cabalá. O autor do Zohar, a obra magna do pensamento cabalista, Rabi Shimon bar Yochai, foi o primeiro a descrever a Divina presença e nosso relacionamento com o Ein Sof. No Zohar, encontramos histórias tão estranhas e fantásticas, configurações e imagens tão míticas e místicas, que mal podemos acreditar. No Século 16 em Safed, a cidade dos místicos, a Cabalá começou a adotar uma forma de análise mais abrangente e detalhada. Os padrões e os processos de pensamento sistemático começaram a aparecer na literatura cabalista. Por fim, com o nascimento do Movimento Chassídico, a Cabalá amadureceu.

O Chassidismo é o movimento místico fundado pelo R. Yisrael ben Eliezer, o Báal Shem Tov. Ele trouxe a imagem do Criador até a realidade. Estes conceitos místicos não eram mais irreais e distanciados, mas se tornaram uma parte concreta da nossa vida diária, afetando cada faceta da criação. O Céu foi trazido à Terra.

A jornada cabalista completa um círculo

A opinião das pessoas sobre o propósito da Cabalá está repleta de equívocos. Um dos mais populares é que o estudo da Cabalá pretende transformar a pessoa num vidente, capaz de ter habilidades miraculosas e sobrenaturais. Isso, no entanto, é equivocado. O supremo propósito no estudo da Cabalá é a perfeição do Ser. Transformar o Ser num indivíduo melhor, mais expandido, mais transcendente, mais sintonizado com a essência e as raízes da própria alma, é isso que a Cabalá oferece àqueles que realmente desejam recebê-la.

O critério da jornada autêntica e cabalista é aquele que faz um círculo completo e a pessoa termina voltando ao mundo do aqui e agora. O Talmud fala dos quatro Sábios que entraram no pomar celestial e tiveram uma experiência transcendental. Ben Azzai olhou e morreu. Ben Zoma olhou e ficou transtornado. Em outras palavras, ficou louco. Acher (o outro, nascido Ben Avuyah) olhou e arrancou suas plantas, ou seja, transformou-se num herege. Rabi Akiva entrou e saiu em paz. O pomar representa os reinos espirituais mais elevados. Rabi Akiva foi o único sábio, dentre estes quatro, que pôde entrar e sair no pomar místico sem sofrer danos.

Sendo um homem de grande estatura espiritual, um mestre verdadeiro e equilibrado, ele percebeu que o objetivo não é se identificar com a luz e não retornar, como fez Ben Azzai, ou mentalmente, como Ben Zoma. Também não era sentir alívio pessoal ou êxtase, mas sim ir e voltar para cá, com a sabedoria adequada para servir aqui e agora. A jornada deve percorrer um círculo completo no comportamento do dia-a-dia da pessoa.

Agora, porém, o âmago de toda a Cabalá é o objetivo distinto de atrair a Luz Infinita da santidade abstrata para a realidade do dia-a-dia. E os primeiros cabalistas eram conhecidos como “Homens de labuta” – seus esforços não eram de natureza física, mas trabalharam durante toda a vida para se aperfeiçoarem e elevar seu nível de consciência até o ponto de uma percepção espiritual da realidade. Com a chegada do Báal Shem Tov, esta noção adquiriu um significado novo. Com os ensinamentos do Báal Shem Tov, a trilha tornou-se tão clara a ponto de este refinamento poder ser alcançado.

Conhecer a Cabalá é viver cabalisticamente

A Cabalá é comparada à proverbial “árvore da vida”. É um estudo da vida, e assim como a vida não pode ser estudada num livro, mas somente através da própria vida, também o estudo da Cabalá somente é eficaz quando se pratica os seus ensinamentos em nossa vida diária. A Cabalá estudada como uma matéria escolar num livro é como alguém que estuda ‘amor’, mas jamais o experimenta por si mesmo.

R. Simchá Bunem de Pshischá, famoso mestre chassídico, disse certa vez sobre um famoso cabalista que ele não tinha compreensão sobre a Cabalá. Explicou que embora fosse verdade que ele era versado na literatura cabalista, não tinha um verdadeiro entendimento. Para ilustrar o que queria dizer, ofereceu a seguinte metáfora. Digamos, por exemplo, que uma pessoa deseja se familiarizar com Paris. Compra um mapa e um guia da cidade e os estuda diligentemente, até conhecer todos os detalhes e os caminhos da cidade; porém, é desnecessário dizer que se ele jamais visitar aquela cidade, jamais saberá realmente como é Paris. O coração e o pulso de qualquer cidade somente podem ser sentidos quando se vai lá. Assim também, concluiu Reb Bunem, para entender totalmente a Cabalá, a pessoa deve vivê-la, e isso aquele cabalista não tinha feito.

O refinamento do caráter

É preciso apenas um breve vislumbre da obra dos grandes mestres da Cabalá teórica para perceber que a grande maioria dos textos não tratam de transformação do caráter. Embora seja verdade que a literatura mística cabalista seja voltada ao ato de relacionar o teórico com a vida diária, a Cabalá em si parece não se importar tanto com a pessoa. Ao contrário, parece estar interessada em explicar as esferas celestiais, anjos, almas e ‘coisas’ deste tipo, não como o indivíduo pode vencer o comportamento negativo.

No entanto, isso não implica que a Cabalá não esteja interessada na pessoa em si. Ao contrário! Na verdade, há incontáveis declarações em todas as obras da Cabalá sobre a negatividade dos maus traços de caráter, como raiva, preguiça, depressão, e outros. A condenação mais severa da depressão, fúria e outras emoções prejudiciais são encontradas nas obras da Cabalá. Porém o método cabalista de refinamento de caráter é uma abordagem bem diferente daquela que estamos acostumados a encontrar. Não é uma batalha que combate a negatividade em seu próprio campo, e também não se trata de superar o negativo com o positivo. Sua abordagem é vir de outro ponto de vantagem e ver as coisas sob outras perspectiva.

O objetivo fundamental do pensamento místico é fazer a pessoa entender que não há nada além do Infinito. Ao ler as várias configurações, mapas e diagramas que a Cabalá apresenta, a pessoa desperta à conscientização de que tudo que realmente existe é o Ein Sof. Há uma sensação que deve ser despertada quando penetramos nas verdades da Cabalá, e esta é a sensação de que o mundo como temos a tendência de percebê-lo, separado, independente de um criador, é apenas uma ilusão, e na realidade não há nada que não seja a luz infinita. Tendo esta noção em mente, consciente ou subconscientemente, estamos aptos a conquistar todas as nossas emoções e traços negativos.

O ego: o falso senso do ser como fonte de todas as emoções negativas

Rabi Eliyahu ben Moshe di Vidas, um cabalista do Século 16, declara que há três traços negativos básicos, que podem ser considerados “os traços principais’” a partir dos quais ocorre toda dissensão. São eles: arrogância, teimosia e fúria, dos quais todos alegam originar-se na mesma fonte, ou seja, o ego. O ego é a fonte a partir da qual brota toda a negatividade. O âmago de toda a corrupção é aquele falso senso de ser/ego, que vive num estado incessante daquilo que pensa que irá causar a sua sobrevivência.

É o ego que faz surgir todas as emoções negativas. Por exemplo, quando uma pessoa fica furiosa, é a maneira do ego de demonstrar sua objeção porque não está feliz. O ego, quando sente que está ameaçado, é aquele que protesta: ‘como você pode fazer isso comigo’ – o que desperta a raiva. O medo da aniquilação é a constante condição do ego. A raiva é apenas uma manifestação da preocupação da pessoa com sua presunção imaginária de sobrevivência. O total envolvimento com o “eu” ilusório é a raiz de todas as emoções negativas.

Ao superar este falso senso de ser, que brota da falsa estimativa de sobrevivência da pessoa, as emoções negativas são dominadas. Por meio do estudo da Cabalá, chegamos à percepção de que o falso senso de ser/ego é apenas um disfarce de nossa real dinâmica interior, nossa alma transcendente. A sensação que temos quando contemplamos a Cabalá é que tudo existe é Ein Sof. Procuramos sentir isso num nível cósmico, e então entendê-lo em nosso próprio nível.
Conseqüentemente, a ilusão de separação/ego e, como resultado, a preservação dessa miragem começará lentamente a desaparecer, e com ela desaparecerão as emoções negativas que são a manifestação do ego.

Em vez de ver o ego como um inimigo real que precisa entrar na batalha para ser superado, começamos a perceber que não há nada além da Luz, e tudo o mais é simplesmente uma ocultação daquela verdade. Esta é a abordagem cabalista para a auto-perfeição. Não lida com o ataque negativo, de maneira alguma. Ao contrário, busca a fonte de todos os problemas, o Eu/ego, e por extensão, toda a realidade física, e demonstra como, de fato, estas realidades aparentemente independentes não passam de uma camuflagem. Ao perceber isso, nossa negatividade é dominada com mais facilidade.

Fonte: http://www.deldebbio.com.br/index.php/2009/10/13/uma-introducao-basica-aos-tres-tipos-de-cabala/

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